
Há mais de uma mês, circulou pela internet um vídeo de um empreendedor que criou uma das escolas de negócios atualmente mais disputadas do país, lá de São Paulo, no qual ele compartilha sua opinião sobre a formação dada nas faculdades, formação esta que pode ser muito distante da realidade dos alunos. Eu particularmente recebi este vídeo umas três vezes, logicamente porque ele comenta exatamente sobre dois cursos pelos quais sou apaixonado e me envolvo academicamente: Comércio Exterior e Relações Internacionais.
No vídeo esse empresário defende a ideia de dar mais espaço e oferecermos mais cursos técnicos, assim com se faz na Alemanha, por exemplo. Concordo em gênero, número e grau. Nem todos precisam fazer um bacharelado. Por que precisariam e para que? Mas no Brasil ainda não temos esta cultura da valorização de um curso técnico, infelizmente. O curso técnico é, ainda hoje, visto nacionalmente como um “atalho” para a profissionalização. Curso técnico de Administração… Curso técnico de comércio exterior… O cidadão vai, cursa apenas dois anos, quando poderia ter cursado os quatro anos da graduação. A empresa entende, negativamente, que este indivíduo quis o caminho mais simples e mais rápido, principalmente se ele for jovem e em início de carreira. Mas quando eu, particularmente, defendo o curso técnico? Para quem já trabalha na área ou para quem já tem família para sustentar, e que não tem mais os quatro bons anos para se dedicar ao estudo. E que por outro lado precisa de um embasamento maior, para alçar novos patamares nas empresas ou no universo acadêmico, e fazer uma pós graduação, por exemplo.
Marcado de Relações Internacionais
Mas de volta ao mercado de Relações Internacionais ou de Comércio Exterior, sim, concordo parcialmente com o vídeo. Estamos, muitas vezes, buscando diplomas, independente se este diploma vai de fato alterar a vida daquele cidadão. Formar-se nestes cursos e não ter perspectiva de atuar na área, ou ainda, com uma realidade muito diferente e quase impossível, faz sentido? Mas esta também é uma visão simplista da realidade, de quem diante dos fatos se prostra e não tenta mudar.
Trago aqui algumas oportunidades uma vez que, ao longo da minha carreira acadêmica e profissional, fui tentando conectar estas duas realidades. Em Comércio Exterior, por exemplo, temos toda uma carreira na área de Despacho Aduaneiro, profissional tão importante neste mercado e que esta formação pode abrir portas para vagas neste nicho de mercado. Além de todos os possíveis concursos técnicos em orgãos anuentes do comércio exterior, por que não? Uma outra área, também como possibilidade de futuro é conectar estes jovens advindos de intercâmbios municipais e estaduais. Já tivemos e voltamos a ter agora programas de intercâmbio para os melhores alunos de escolas públicas! Imaginem se conseguirmos empregar este jovem, que ganhou o mundo, um mundo nunca imaginado e sonhado, e que possui agora um domínio em um idioma estrangeiro. E se este emprego for em uma atividade que vai explorar dele, justamente, este novo conhecimento adquirido? Não seria formidável?
Ou seja, sim, estes dois cursos são mercados de nicho, são muito focados, mas ainda assim, sempre é possível um outro olhar, novas perspectivas… Aí onde mora a criatividade humana, o ponto de observação, e oportunidade de mercado. Olhar que todo bom empreendedor deve ter. E por que não também dizer: olhar com que todo acadêmico interessado no futuro de seus alunos deve se preocupar diariamente?
*Gustavo Delgado é Consultor de comércio exterior de internacionalização de empresas, Diretor de OCCA, Diretor de inovação da ABDAEX, Coordenador de MBA em Comércio exterior, Coordenador dos cursos de Gestão da UNIFBV e Mestre em Economia
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