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Quem sabe Prompt vai a Roma ?!

As oportunidades e desafios que a IA traz aos profissionais e às empresas
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Iago Maciel/ Foto:Divulgação

Por Katia Augusta Maciel e Iago Maciel de Souza*

Quem sabe prompt vai a Roma? Essa pergunta, que parece uma provocação, na verdade é
uma análise das oportunidades e dos desafios de nossa era digital, marcada pelas Webs 3.0 e 4.0 e por uma revolução impulsionada pela IA generativa. A velocidade estonteante das transformações tecnológicas parece se dividir entre dois mundos: o das empresas que acompanham as mudanças e criam valor com elas, e o daqueles que mal conseguem processar o impacto de tantas novidades. O fosso entre os “preparados” e os “despreparados” cresce a cada dia, com consequências que não podem ser ignoradas.


Entre os exemplos mais ilustrativos está o último ciclo de startups da Y-Combinator, onde
20% das empresas tiveram 95% de seus códigos desenvolvidos por IAs. Isso coloca em perspectiva o papel estratégico da tecnologia: não apenas uma ferramenta, mas um motor de criação que transforma carreiras e indústrias inteiras. No entanto, esse otimismo tecnológico esconde uma realidade inquietante. O consumo energético de data centers que processam volumes gigantescos de dados necessários ao funcionamento das IAs já excede o consumo anual de países como a Suécia e a Argentina. Com um planeta já sobrecarregado por desequilíbrios ambientais, essa questão precisa urgentemente de soluções criativas e sustentáveis.

O Brasil, por sua vez, está em uma posição estratégica. Com abundância de recursos renováveis, temos o potencial de protagonizar esse mercado, fornecendo energia limpa para
alimentar as ferramentas digitais. Contudo, vem o dilema: ao mesmo tempo em que podemos ser líderes nesse processo, corremos o risco de continuar à mercê de oligopólios que controlam as plataformas digitais. É possível equilibrar esse jogo ou estaremos condicionados a papéis
secundários enquanto nação? Qual é o nosso projeto de autonomia e soberania nacional diante desse cenário?

Audrey Tang, ex-ministra de Assuntos Digitais de Taiwan, oferece uma perspectiva crítica
que serve como exemplo. Em seu país, ela liderou iniciativas que usaram tecnologias digitais para promover transparência e inclusão em decisões políticas, como a regulamentação do Uber. Tang defende que a tecnologia precisa ser utilizada com um propósito ético, fomentando a confiança entre cidadãos e instituições. No entanto, quando olhamos para a dependência das ferramentas controladas pelas big techs, fica claro o quanto a autonomia ainda é um desafio para criadores e inovadores ao redor do mundo.

Além disso, há o impacto direto dessas ferramentas no dia a dia. A democratização das
tecnologias, como plataformas de programação assistida por IA e de criação visual, abre portas para novos públicos, mas também cria barreiras invisíveis. Quem controla os algoritmos controla os resultados, e quem não domina a arte dos prompts pode acabar sendo cerceado ao invés de empoderado. Enquanto as bases de linguagens artísticas e tecnológicas permanecem, as ferramentas digitais redefinem o que significa “saber fazer”, exigindo uma postura crítica de quem quer se destacar.

A confiança, como bem destacado por Tang, é o verdadeiro ativo no ecossistema digital. O
colapso do modelo atual pode ser inevitável se a confiança dos usuários for abalada. Estudos
recentes revelam que consumidores preferem pagar mais por serviços que garantam privacidade e transparência. Empresas que colocarem a ética no centro de suas estratégias vão construir não apenas relações fortes com clientes, mas também uma base de lealdade que pode ser decisiva em um mercado tão volátil.

Por fim, é importante destacar que o futuro do trabalho já chegou. Ferramentas de IA não
são mais acessórios, mas sim pilares centrais para modelos de negócios inovadores. Para os jovens gestores e empreendedores, é necessário aprender e se adaptar. Investir tempo em explorar as possibilidades, criticar as limitações e experimentar as diversas opções disponíveis são essenciais. Inclusive, cultivar uma cultura de curiosidade e experimentação é a melhor forma de pessoas e organizações se prepararem para essa era onde as mudanças acontecem em uma velocidade muito mais rápida do que conseguimos processar. Se de um lado os custos de entrada podem parecer altos, do outro, o aprendizado é cada vez mais acessível graças às versões gratuitas de muitas ferramentas.

O “caminho para Roma”, apesar de complexo, não precisa ser desanimador. Ele exige uma
visão crítica, mas também coragem para explorar o novo, investir em relações de confiança e
moldar, juntos, um futuro mais justo e colaborativo. Roma de trás para frente é Amor, e talvez seja exatamente essa a essência da revolução tecnológica que estamos vivendo: encontrar novas formas de conexão e construção coletiva. Entretanto, é fundamental que essa jornada seja conduzida com responsabilidade, ética e uma boa dose de ousadia. Afinal, o cheiro do futuro está no ar, mas também o eco dos desafios que não podemos ignorar.


*Katia Augusta Maciel é cineasta, roteirista e pesquisadora brasileira, doutora em Estudos de Cinema pela Universidade de Southampton/UFF. Atualmente coordena o projeto
de extensão Metaversidade: arte, cultura e tecnologia, no Programa de Pós-Graduação em Mídias Criativas da UFRJ.

*Iago Maciel é executivo com 9 anos de experiência em produtos digitais, fintech e inovação, com passagens relevantes pela Ambev, EXA e startups do Porto Digital. Atualmente, aprofunda seus estudos em inteligência artificial e empreendedorismo na Universidade Stanford, no Vale do Silício.

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