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Compliance intergeracional: cultura ética para todas as gerações

Cada geração possui uma relação própria com normas, treinamentos e formas de comunicação
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Aurora Barros
Aurora Barros/Foto: cortesia

Por Aurora de Barros Souza*

No cenário corporativo atual, vivemos uma realidade inédita: quatro gerações coabitam os mesmos espaços profissionais. Baby Boomers, Geração X, Millennials e Geração Z trazem para o ambiente de trabalho visões, experiências e expectativas distintas, o que representa um desafio significativo para a área de compliance e para a promoção de uma cultura ética forte e coerente. E uma grande oportunidade para a inovação, a partir da diversidade de perspectivas.

Cada geração possui uma relação própria com normas, treinamentos e formas de comunicação. Enquanto os Baby Boomers tendem a valorizar a hierarquia e a formalidade, os Millennials e a Geração Z preferem estruturas mais horizontais, feedback constantes e formatos digitais e interativos de aprendizagem. A Geração X, por sua vez, atua muitas vezes como ponte entre esses extremos, equilibrando o respeito às normas com uma maior abertura às inovações.

Nesse contexto, garantir que as políticas de compliance sejam eficazes exige uma abordagem estratégica e adaptativa. É fundamental personalizar os formatos de treinamentos, utilizando desde workshops presenciais até plataformas online gamificadas, para que todos os colaboradores se sintam incluídos e motivados a aderir à cultura ética.

Outro ponto crucial é o papel da liderança. Líderes de diferentes perfis precisam ser preparados para atuar como exemplos vivos da cultura ética, comunicando de forma eficaz e autêntica os valores da organização. Isso significa ir além dos discursos e incorporar comportamentos éticos no dia a dia, inspirando suas equipes por meio do exemplo.

Promover o diálogo intergeracional também é uma ferramenta poderosa. Iniciativas como programas de mentoria reversa e grupos de discussão multigeracionais podem fortalecer a compreensão mútua e criar um ambiente mais inclusivo e colaborativo, onde a ética não seja apenas uma regra, mas um valor compartilhado.

A mentoria reversa consiste em um modelo no qual profissionais mais jovens atuam como mentores de colaboradores mais experientes, especialmente líderes e executivos. Essa troca promove a atualização de conhecimentos sobre tecnologia, comportamento e tendências, ao mesmo tempo em que fortalece a empatia e o aprendizado mútuo entre diferentes gerações.

Compliance

Nesse cenário, o Programa de Integridade (Compliance) surge como um aliado essencial. Trata-se de um conjunto de mecanismos e procedimentos internos voltados para a prevenção, detecção e remediação de desvios de conduta, fraudes e corrupção. Ao oferecer diretrizes claras, canais de comunicação, treinamentos, auditorias e mecanismos de controle, o programa ajuda a harmonizar comportamentos e a reforçar a cultura ética em todos os níveis, independentemente da geração.

Isso é particularmente relevante em empresas familiares, que representam aproximadamente 90% dos empreendimentos no Brasil, conforme estudo do SEBRAE[1]. Nestas empresas, onde relações pessoais e dinâmicas familiares muitas vezes se sobrepõem às institucionais, o compliance pode atuar como um balizador que garante transparência, continuidade e boas práticas de governança.

Adicionalmente, o Programa de Integridade está diretamente alinhado à agenda ESG (Environmental, Social and Governance). No aspecto social, contribui para o fortalecimento da diversidade e da inclusão ao estabelecer uma cultura organizacional baseada em respeito, equidade e combate a discriminações. No pilar de governança, promove transparência, responsabilidade corporativa e condutas éticas. Além disso, ao incorporar inovação em suas ferramentas e processos, o compliance também impulsiona a modernização e prepara as organizações para sua continuidade através das gerações.

Assim, o desafio de engajar diferentes gerações numa cultura ética é também uma grande oportunidade de evoluir as práticas de compliance e de inovação empresarial. Ao reconhecer e valorizar as especificidades de cada geração, é possível construir uma cultura organizacional mais forte, coerente e alinhada com os princípios éticos, sociais e sustentáveis em todos os níveis.

Aurora Barros, Mentora Berçário de Empreendedores, Advogada, Auditora-líder em Compliance, Membro de OCCA Olinda Creative Community Action, Coordenadora e Professora MBA em Compliance e ESG e Mestre em Indústrias Criativas.


[1] https://bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/1a5d95208c89363622e79ce58427f2dc/%24File/7599.pdf?utm_source=chatgpt.com

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