
As regiões metropolitanas de São Luís (MA) e Maceió (AL) têm potencial para receber suas primeiras redes de transporte público coletivo de média e alta capacidade. Juntos, os projetos para as duas capitais nordestinas somam 95 quilômetros de extensão e projetam investimentos totais que variam entre R$ 3,45 bilhões e R$ 7,48 bilhões. Os dados constam no Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), divulgado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Ministério das Cidades.
O levantamento técnico detalha que a capital maranhense possui o maior volume estimado de recursos e de público beneficiado no bloco. A região metropolitana de São Luís tem potencial para implantar uma rede de 53 quilômetros, com previsão de aportes entre R$ 2,05 bilhões e R$ 5,40 bilhões. O sistema projetado deve atender um público estimado em 880,75 mil passageiros por dia.
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Para Maceió, o estudo aponta a viabilidade de construir uma rede de transporte com 42 quilômetros de extensão. O intervalo de investimentos calculados para a capital alagoana fica entre R$ 1,4 bilhão e R$ 2,08 bilhões, com capacidade para realizar o transporte diário de 259,48 mil passageiros. Os dados de ambas as cidades estão disponíveis para consulta pública no portal Mobilidade Brasil.
Estrutura tecnológica e redução no tempo de viagem
A expansão sugerida para São Luís envolve a abertura de dois corredores de ônibus tradicionais e quatro linhas de BRT (sistema de ônibus rápidos) com veículos elétricos. O relatório oficial aponta que essas linhas rápidas também podem ser convertidas alternativamente para a tecnologia de VLT (veículo leve sobre trilhos).
Se as obras forem executadas, a população local terá uma redução de 14% no tempo médio de deslocamento, além de estimar 602 vítimas de trânsito evitadas anualmente.
No caso de Maceió, a malha de transporte está dividida em dois projetos de implantação de corredores de ônibus e três linhas de BRT, sendo que uma delas também apresenta a opção de instalação alternativa como VLT.

Os ganhos práticos calculados para os moradores da capital alagoana incluem uma diminuição de 7% no tempo médio das viagens diárias e a estimativa de evitar 187 vítimas por ano em vias urbanas.
O mapeamento realizado nas capitais faz parte de um plano de diretrizes nacionais focado nas 21 regiões metropolitanas mais populosas do país. De acordo com o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, “o ENMU reúne diagnósticos, propostas e uma carteira de projetos para orientar a expansão e a qualificação do transporte público coletivo de média e alta capacidade nas principais regiões metropolitanas do país”.
Indicadores técnicos e geração de empregos na cadeia produtiva
O relatório final da pesquisa consolida um banco de dados composto por 187 projetos de mobilidade espalhados pelo Brasil, alcançando mais de três mil quilômetros de trilhos de metrôs, trens, VLTs e faixas de BRTs.
Cada proposta foi analisada individualmente por meio de 100 indicadores técnicos, econômicos, socioambientais e urbanísticos que ajudam os gestores públicos a definir quais obras devem ser tratadas como prioridade.
Em âmbito nacional, a execução desse conjunto de projetos pode gerar impactos amplos na economia e no meio ambiente ao longo de um horizonte de 30 anos. Os indicadores gerais calculados apontam a possibilidade de evitar 27 mil vítimas de acidentes e impedir a emissão de três milhões de toneladas anuais de gás carbônico na atmosfera, além de gerar uma economia média de 11% no custo das passagens para os usuários.
O levantamento conclui que a movimentação financeira dos projetos possui potencial para mobilizar mais de um milhão de postos de trabalho diretos e indiretos na cadeia industrial. A renovação das frotas urbanas brasileiras exigiria das fábricas o fornecimento de até 7.600 novos ônibus movidos a eletricidade, além de demandar 2.400 carros metroferroviários para operar nas linhas de trilhos planejadas.
Com informações da Agência BNDES.
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