
Um mecanismo para sistematizar e catalogar os problemas de cada região do Estado. O presidente da União dos Vereadores de Pernambuco (UVP) e vereador de Gravatá, Léo do Ar (PP), apresentou proposta de regionalização das demandas legislativas municipais durante o Grande Congresso da UVP, realizado no Centro de Convenções de Pernambuco, com participação da governadora Raquel Lyra. Ele explicou que a iniciativa prevê a criação de comissões regionais formadas por representantes de cada Câmara Municipal para ordenar as reivindicações e encaminhá-las diretamente ao Governo do Estado.
De acordo com o vereador, o objetivo é garantir que vereadores tenham acesso institucional ao Executivo estadual independentemente do alinhamento político das prefeituras. A governadora acompanhou a explanação e declarou apoio à proposta, colocando, inclusive, a estrutura do governo à disposição para viabilizar o modelo. Sugerindo, também, que a Casa Civil do Governo participe das reuniões.
O Congresso da UVP ocorre segue até o próximo sábado (28) e reúne parlamentares municipais de diversas regiões do Estado para discutir articulação institucional, orçamento público e políticas regionais.
Regionalização das demandas
Durante o seu discurso, o presidente da UVP explicou que a proposta parte da constatação de que vereadores de oposição enfrentam dificuldades para encaminhar pleitos ao governo do Estado quando a interlocução ocorre exclusivamente por meio das prefeituras.
“Tem muita gente que é oposição e não chega a informação na ponta para o governo do Estado, porque só chega através do prefeito. E os vereadores que compõem a base de oposição ficam órfãos de informação e de atuação”, afirmou Léo do Ar, que por três vezes se referiu à governadora como “chefe de Estado”, tratamento dado exclusivamente ao presidente da República no Brasil.
O modelo apresentado pelo vereador prevê reuniões periódicas organizadas por regiões administrativas — como Pajeú, Araripe e Sertão Central —, com participação de vereadores indicados pelas Câmaras Municipais. As demandas seriam consolidadas e apresentadas à Casa Civil e às secretarias estaduais.
“A UVP Pernambuco vai servir como uma ouvidoria do vereador para levarmos essa demanda da vereança para o governo”, declarou.
Ainda segundo o dirigente, o sistema permitirá ao Executivo receber informações diretamente de parlamentares que atuam “na ponta”, ampliando o fluxo institucional entre Estado e municípios.
Raquel apoia a proposta da UVP
Em seu discurso, ao comentar a proposta, a governadora Raquel Lyra classificou a regionalização como positiva para ampliar o acompanhamento das políticas públicas e reforçar a cooperação entre Estado e legislativos municipais.
A governadora destacou que o acompanhamento das obras e serviços públicos depende da atuação conjunta entre governo, prefeitos e vereadores, independentemente de alinhamento partidário.
“Achei a ideia arretada, de regionalizar a UVP. Nada melhor do que vocês mobilizados e organizados”, afirmou Raquel, no discurso de pouco mais de 48 minutos. Antes disso, ela faz um outro, de 46 minutos, no próprio congresso da UVP, para uma plateia composta apenas de mulheres.
No encontro com as mulheres foram discutidos os desafios das vereadoras na sociedade e na política pernambucana. “Mais do que palestrar, estamos dialogando sobre o poder que as mulheres têm quando ocupam espaços de poder. Quando uma mulher lidera, ela constrói políticas públicas sobre a nossa perspectiva feminina. Temos exemplos disso em nossa gestão, como o Mães de Pernambuco, a Carreta da Mulher, nossas creches e maternidades. Estamos aqui, eu e Priscila, para representar todas as mulheres de Pernambuco, da periferia das áreas urbanas até a zona rural”, destacou a chefe do Executivo.
Cobranças à Alepe
Aproveitando uma plateia de cerca de 300 vereadores de todo o Estado, Raquel Lyra voltou a cobrar da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) a aprovação de matérias consideradas estratégicas para a gestão fiscal e ampliação da capacidade de investimento do Estado.
Entre os pontos mencionados estão o ajuste da Lei Orçamentária Anual (LOA) e autorizações para renegociação de dívidas com instituições financeiras públicas, medida que, segundo a governadora, permitiria reduzir parcelas e liberar recursos para investimentos.
“Nunca um governador foi tão questionado na Assembleia Legislativa quanto nós estamos sendo! Mas seguimos dialogando para garantir que o orçamento funcione para o povo”, declarou.
A chefe do Executivo afirmou que as medidas são necessárias para ampliar investimentos em infraestrutura, saúde e abastecimento hídrico, citando que o Estado prevê investimento público de R$ 7,9 bilhões em 2026.
O congresso marcou a abertura do calendário legislativo municipal da UVP em 2026 e reforçou a estratégia da entidade de ampliar a interlocução direta entre vereadores e o Governo de Pernambuco.
A proposta de regionalização deverá ser formalizada em documento institucional da UVP e encaminhada à Casa Civil para definição do cronograma de reuniões regionais, consolidando um canal permanente de apresentação de demandas municipais ao Executivo estadual.
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