
A Fomento do Brasil Mineração Ltda., subsidiária do grupo indiano Fomento Resources, arrematou nesta quinta-feira (26), na B3, em São Paulo, o terminal portuário NAT01, no Porto de Natal (RN), pelo lance de R$ 50.000,00 sobre valor de referência de R$ 1,00. O contrato de arrendamento tem prazo de 15 anos e prevê investimentos de R$ 55,17 milhões na operação de granéis sólidos minerais, com destaque para o escoamento de minério de ferro. A concessão integra o primeiro bloco de arrendamentos portuários de 2026, realizado pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) em conjunto com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
A vitória no certame viabiliza o escoamento do Projeto Ferro Potiguar, iniciativa da Fomento voltada à extração de minério de ferro no semiárido potiguar, nos municípios de Serra Caiada, Sítio Novo, Senador Elói de Souza e Lagoa de Velhos. O projeto tem investimento total previsto de R$ 1,5 bilhão, com recursos de R$ 317 milhões destinados à fase inicial, após obtenção de licença ambiental.
A produção estimada é de 2 milhões de toneladas por ano de pellet feed, com reservas superiores a 180 milhões de toneladas e vida útil projetada de 18 anos. A cadeia completa — extração, logística e escoamento — será operada integralmente dentro do estado, com a produção transportada via Porto de Natal.
Empilhamento a seco elimina barragens de rejeito no semiárido
O modelo ambiental do Ferro Potiguar é estruturado em torno do empilhamento a seco na disposição de estéril e rejeito, tecnologia que elimina a necessidade de barragens — consideradas o principal vetor de risco na mineração convencional. O projeto utilizará águas não potáveis no processo industrial, preservando recursos hídricos em região de déficit hídrico estrutural. A proposta posiciona o empreendimento como possivelmente o primeiro no país a adotar essa combinação de práticas em mineração de ferro no semiárido.
O Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do RN (Idema) acompanha o processo de licenciamento junto à Agência Nacional de Mineração (ANM). A geração de empregos projetada é de mais de 4.500 postos diretos e indiretos entre as fases de obras e operação.
Fomento quer fazer de Natal polo logístico internacional
“O Rio Grande do Norte reúne talento, vocação logística, potencial mineral e uma localização estratégica que o conecta naturalmente ao mundo”, afirmou Anuj Timblo, CEO da Fomento, na cerimônia de arrematação. “Este projeto integra ferro, logística e conexão internacional entre o Brasil, Índia e o mundo. Não pensamos em ciclos curtos, pensamos em décadas.”
Timblo afirmou ainda ter a convicção de que o Rio Grande do Norte pode se tornar um polo logístico e mineral de relevância internacional.
O grupo opera há mais de 70 anos na Índia, com atuação em portos, navios e cadeias logísticas, e está presente no Brasil há 14 anos. A cerimônia contou com a presença do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, e do diretor da Antaq, Frederico Dias. A ApexBrasil, sob gestão de Jorge Viana, apoiou o processo de atração do investidor.
Leilão contempla três terminais em três regiões
O NAT01 integrou o primeiro bloco de arrendamentos portuários de 2026, ao lado dos terminais MCP01 (Porto de Santana/AP) e POA26 (Porto Alegre/RS). Juntos, os três contratos somam R$ 226 milhões em investimentos previstos para as regiões Norte, Nordeste e Sul. Nenhum dos certames teve disputa: cada terminal foi arrematado com proposta única.
O MCP01, no Porto de Santana (AP), voltado ao escoamento de grãos e cavaco de madeira, foi arrematado pela CS Infra S.A. por R$ 2,00, com investimento de R$ 150,2 milhões e prazo de 25 anos. O terminal havia sido alvo de decisão judicial determinando o adiamento do leilão, mas a liminar foi cassada antes da cerimônia, e o certame ocorreu normalmente. O POA26, no Porto Organizado de Porto Alegre (RS), destinado a granéis sólidos, foi arrematado pelo Consórcio Portos do Sul por R$ 10.000,00, com R$ 21,13 milhões em investimentos e contrato de 10 anos.
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, que acompanhou os três leilões na B3, afirmou que o Brasil vive o “melhor momento da infraestrutura”. O ministério prevê encerrar 2026 com 18 leilões realizados na bolsa.
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