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Projeto de mineração indiano coloca RN na rota global de exportações

Com investimento bilionário e potencial energético, estado amplia relevância econômica e entra no mapa da mineração nacional
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Início da exploração de minério de ferro no Rio Grande do Norte está prevista para 2028 – Foto: Agência Brasil

O Rio Grande do Norte está prestes a dar um salto estratégico na sua matriz econômica, com projetos que podem reposicionar o estado e o próprio Nordeste no mapa da mineração do país. Com investimento superior a R$ 2,5 bilhões, o Projeto Ferro Potiguar inaugura uma nova fronteira para a produção de minério de ferro na região e se articula com a expansão dos setores de petróleo e gás natural, ampliando o potencial de arrecadação e crescimento do PIB estadual.

O empreendimento é liderado pela Fomento do Brasil Mineração, empresa que integra o grupo indiano Sociedade de Fomento Industrial Pvt. Ltd. (SFI), uma aliança com mais de 60 anos de atuação no setor mineral e presença internacional em países como Austrália, Brasil e Singapura. Além da mineração, o grupo atua de forma diversificada em áreas como siderurgia, logística, navegação, geração de energia e trading de commodities, o que reforça a capacidade de verticalização e escala do projeto no estado.

A instalação da empresa no país está inserida no contexto de aproximação econômica entre Brasil e Índia, com o projeto sendo listado como um dos principais investimentos de interesse bilateral.

A operação do Projeto Ferro Potiguar deverá integrar mina, planta de beneficiamento e logística portuária, com transporte do minério até o Porto de Natal, de onde será exportado. A previsão da empresa é atingir uma produção média de cerca de 2 milhões de toneladas por ano ao longo da vida útil da mina, estimada entre 12 e 18 anos, em uma área de aproximadamente 1.700 hectares.

Segundo Adriano Andrade, gerente de Saúde, Segurança, Meio Ambiente e Relações Comunitárias da Fomento do Brasil, a escolha do Rio Grande do Norte levou em conta fatores estratégicos como a qualidade do minério e a proximidade com a infraestrutura logística. “Temos aqui um depósito de minério de ferro de alta qualidade e uma localização privilegiada, com acesso facilitado ao porto, o que torna o projeto altamente competitivo do ponto de vista logístico”, afirma.

Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do estado, Hugo Fonseca, o empreendimento tem escala suficiente para mudar o posicionamento do estado no cenário nacional. “Esse é hoje o principal projeto de exploração de minério de ferro da região. Vamos transformar o Rio Grande do Norte em protagonista e colocar o Nordeste no mapa das exportações nacionais de minério”, afirmou. Ele destaca que o estado deve passar a disputar espaço com polos tradicionais da mineração brasileira, como Minas gerais.

Executivos da Fomento do Brasil estiveram reunidos com a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra – Foto: Carmem Felix/Assecom RN

Logística internacional e sustentabilidade ambiental

O Projeto Ferro Potiguar será implantado na zona rural dos municípios de Lagoa dos Velhos, Serra Caiada, Sítio Novo e Senador Elói de Souza, no Agreste potiguar. Durante a fase de implantação, a expectativa é de geração de cerca de 991 empregos diretos, com destaque para as atividades de montagem eletromecânica, que devem concentrar aproximadamente 456 trabalhadores. O projeto também tende a estimular a cadeia produtiva local e a retenção de mão de obra qualificada no estado.

Um dos pilares do projeto é a estrutura logística. A Fomento venceu, em leilão realizado na B3, a concessão de parte do porto de Natal, garantindo a operação de área estratégica para o escoamento de granéis sólidos minerais. O espaço será dedicado especialmente à exportação do minério de ferro produzido no estado, com destino ao mercado internacional, incluindo a Índia, país de origem do grupo controlador.

Outro diferencial destacado pela empresa é o modelo operacional voltado à sustentabilidade. O projeto não prevê a construção de barragens de rejeitos e deve operar com recirculação total dos efluentes industriais, reduzindo impactos ambientais. “Todo o efluente gerado será reaproveitado no próprio processo produtivo. Isso significa uma operação mais limpa, sem lançamento de resíduos no meio ambiente”, explica Andrade.

Ele também ressalta a preocupação com a gestão hídrica e o relacionamento com as comunidades locais. “Estamos falando de um consumo de água controlado e de um projeto que nasce com foco em convivência com as comunidades do entorno, garantindo que os recursos naturais sejam utilizados de forma responsável”, acrescenta.

Além da mineração, o projeto prevê uma segunda etapa estratégica com a construção de uma siderúrgica no estado. A proposta é produzir aço verde. Esta segunda etapa ainda está em fase inicial de planejamento e depende da consolidação da operação mineral.

Adriano Andrade, da Fomento do Brasil, destaca as ações de sustentabilidade ambiental do projeto – Foto: Divulgação

Licenciamentos estão em fase de aprovação

Atualmente, o Projeto Ferro Potiguar encontra-se em fase de licenciamento ambiental e de tratativas com o Incra, etapa essencial para viabilizar o reassentamento de comunidades impactadas. O empreendimento prevê a realocação de cerca de 260 famílias de assentamentos rurais situados na área da mina.

De acordo com o secretário Hugo Fonseca, o processo vem sendo conduzido com foco na mitigação de impactos sociais e na garantia de melhores condições de vida para as comunidades afetadas. “O objetivo é assegurar que essas famílias sejam reassentadas com infraestrutura superior à atual, com ganho social efetivo”, explicou.

Impactos econômicos e arrecadação em alta

A consolidação do setor mineral já começa a se refletir nos cofres públicos. Fonseca destaca que a arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) cresceu cerca de 600% nos últimos anos, impulsionada pela industrialização da atividade e pelo avanço de projetos estruturados.

A tendência é de aceleração com a entrada do minério de ferro em escala industrial, somando-se à produção já existente de ouro, calcário e rochas ornamentais. “O setor mineral tende a se tornar um dos principais motores da economia do estado nos próximos anos, com aumento significativo da arrecadação e geração de empregos”, disse Fonseca.

Paralelamente, o estado também avança na exploração de petróleo e gás, com destaque para a Margem Equatorial. A expectativa é de que a perfuração de novos poços em águas profundas possa elevar significativamente a produção e gerar impactos relevantes sobre a economia estadual.

As estimativas indicam que a produção pode chegar a até 100 mil barris por dia, quase triplicando o volume atual. “Estamos falando de uma possibilidade de incremento de até 30% no PIB do estado com a consolidação dessa nova fronteira de petróleo e gás”, afirmou Hugo Fonseca.

Crescimento do PIB e efeito multiplicador

Secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do estado, Hugo Fonseca, afirma que o empreendimento pode mudar o posicionamento do estado no cenário nacional- Foto: Divulgação

Os efeitos combinados da mineração e da expansão do setor de petróleo e gás devem se refletir diretamente no crescimento econômico do estado nos próximos anos. A expectativa do governo é de um impacto significativo sobre o Produto Interno Bruto (PIB), especialmente com a consolidação da exploração na Margem Equatorial.

De acordo com o secretário Hugo Fonseca, apenas o avanço da produção offshore pode representar um salto expressivo na economia potiguar. “Estamos falando de uma possibilidade de incremento de até 30% no PIB do estado com a consolidação dessa nova fronteira de petróleo e gás”, afirmou.

O efeito tende a ser ainda mais amplo quando somado à entrada em operação do Projeto Ferro Potiguar e à expansão do setor mineral como um todo. Na avaliação do governo, esse novo ciclo posiciona o Rio Grande do Norte em um patamar diferenciado dentro do Nordeste, com capacidade de sustentar taxas mais elevadas de crescimento no médio e longo prazo, ancoradas em cadeias produtivas mais complexas e integradas ao mercado global.

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