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​Chamada climática deve destravar R$ 16 bi para transição ecológica no Brasil

​Sete fundos de investimento foram selecionados na chamada climática para ancorar recursos em descarbonização e restauração florestal
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Fundos buscam reduzir o risco percebido em tecnologias emergentes e em ativos ambientais, permitindo que investidores institucionais entrem em áreas antes consideradas de alta complexidade, como o bioma amazônico. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O mercado de capitais voltado à agenda verde no Brasil ganha um novo fôlego com a estruturação de sete veículos de investimento que devem mobilizar cerca de R$ 20,5 bilhões para projetos de baixo carbono. Desse total, R$ 16,2 bilhões virão diretamente da iniciativa privada, atraídos por um aporte âncora de R$ 4,3 bilhões da BNDES Participações S.A. (BNDESPAR). Os projetos reunidos na chamada climática sinalizam uma mudança de patamar para setores como o de hidrogênio verde, aço sustentável e restauração florestal, que passam a contar com liquidez para projetos de larga escala.

​A seleção, que envolveu 45 propostas de gestores nacionais e internacionais, filtrou ativos em duas frentes principais: Transformação Ecológica e Soluções Baseadas na Natureza.

Na prática, os fundos selecionados na chamada climática atuarão como braços executores de uma estratégia que busca reduzir o risco percebido em tecnologias emergentes e em ativos ambientais, permitindo que investidores institucionais entrem em áreas antes consideradas de alta complexidade, como o bioma amazônico e a descarbonização industrial pesada.

​Foco em indústria verde e minerais críticos

Na frente de Transformação Ecológica, a estratégia foca em ativos de participação (equity) e crédito para setores que exigem alta densidade de capital. Entre os veículos selecionados estão o Catalytic Transition Fund Brazil (R$ 1 bilhão), o EB Clima II (R$ 500 milhões) e o Generation Just Climate Brasil (R$ 800 milhões).

Esses fundos buscarão empresas envolvidas em bioinsumos, minerais críticos para baterias e infraestrutura para biocombustíveis. ​No segmento de crédito, o foco será o suporte financeiro para a modernização de plantas fabris tradicionais.

Os fundos Vinci Crédito Soluções Climáticas e FIDC Clima Riza Farma (com R$ 500 milhões cada) foram escolhidos para oferecer linhas de financiamento que viabilizem a transição de processos poluentes para modelos de economia circular e eficiência energética.

Restauração de 90 mil hectares nos biomas brasileiros

​A vertical de Soluções Baseadas na Natureza (SBN) foca na recuperação do capital natural, visando rentabilidade por meio de ativos florestais. Foram selecionados os fundos Patria Latam Reforest Fund I e The Amazon Reforestation Fund II (Mombak), ambos com reserva de aporte de até R$ 500 milhões.

​A meta conjunta da chamada climática é a restauração produtiva de mais de 90 mil hectares nos biomas Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. O diferencial desses veículos é a integração da silvicultura sustentável com sistemas de lavoura e pecuária, transformando áreas degradadas em ativos geradores de crédito de carbono e produtos de bioeconomia com valor de mercado internacional.

​Barreiras para o capital privado e metas nacionais

​A governança do banco público entende que sua entrada como investidor inicial é o que permite a captação do restante dos R$ 16,2 bilhões no mercado livre. Segundo Aloizio Mercadante, o objetivo é atuar em áreas onde o setor privado ainda vê obstáculos operacionais ou financeiros.

“O BNDES assume papel estratégico ao ancorar fundos voltados a áreas em que o capital privado ainda enfrenta barreiras”, pontua o executivo, reforçando que os aportes devem ser realizados exclusivamente em projetos dentro do território nacional.

​Com essa estrutura, os fundos agora entram em fase de diligência final. O mercado aguarda a definição das condições de investimento para o início da alocação de recursos, que deve acelerar a maturidade da “indústria verde” brasileira e posicionar o país como um dos principais receptores de investimentos de impacto global.

Com informações da Agência BNDES.

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