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Porto do Recife busca consolidar-se como hub estratégico de fertilizantes

Estratégia inclui construção de novos armazéns, roadshow na Europa e diversificação de fornecedores de fertilizantes
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Descarga de fertilizantes no Porto do Recife
Parceria entre atracadouro e Fertine poderá transformar Recife em hub de distribuição de fertilizantes para Norte e Nordeste. Foto: divulgação – Porto do Recife

O Porto do Recife vem se preparando para transformar-se num polo logístico estratégico a partir da consolidação do terminal como hub regional de fertilizantes, com distribuição voltada para os mercados do Norte e Nordeste do Brasil.

“A Fertine está fazendo um investimento na ordem de R$ 100 milhões de reais para construção de armazéns”, revelou Paulo Nery, presidente do Porto do Recife. A empresa, que integra o grupo Fertipar, já atua em Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte e terá sua capacidade logística ampliada a partir de agosto deste ano. A estrutura permitirá armazenar inicialmente 25 mil toneladas de fertilizantes, com previsão de expansão para 40 mil toneladas na segunda fase.

Segundo Nery, o projeto vem avançando há cerca de dois meses. “Esse era um contrato que estava pendente e conseguimos dar viabilidade a isso graças a esse trabalho de transparência e segurança jurídica”, disse.

Paulo Nery, presidente do Porto do Recife quer que Recife seja Hub de distribuição de fertilizantes
Segundo Paulo Nery, presidente do Porto do Recife, terminal vem buscando parcerias com novos mercados no continente europeu. Foto: divulgação

Diante do cenário internacional instável, marcado pelo tarifaço dos Estados Unidos e pela continuidade da guerra na Ucrânia, o Porto do Recife aposta na busca por novos parceiros comerciais, sobretudo na Europa.

Diversificação de fornecedores de fertilizantes

“Estamos planejando fazer um roadshow por pelo menos 4 portos da Europa. A ideia é mostrar para as autoridades portuárias e câmaras de comércio o que é o Porto do Recife e a posição geograficamente privilegiada em que ele está localizado”, afirmou o presidente.

A iniciativa mira na diversificação de mercados no setor de fertilizantes. Isto porque, a importação do produto vem caindo desde 2022, a partir do início da guerra entre Rússia e Ucrânia – sendo a Rússia um dos principais fornecedores dos insumos para o Brasil.

Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) indicam que, entre janeiro e maio de 2025, o Porto do Recife descarregou 92 mil toneladas de adubos, número que representa uma retração de 27,71% em comparação ao mesmo período de 2024. A maior parte (88 mil toneladas) foi movimentada na forma de granel sólido, com queda de 29,33%, impactando diretamente as operações de longo curso.

Impacto Ucrânia x Rússia

Mesmo enfrentando desafios logísticos e geopolíticos, nos últimos quatro anos, o Porto do Recife tem desempenhado um papel estratégico no abastecimento da indústria agropecuária nordestina. Dados também da ANTAQ apontam que, em 2021, o terminal movimentou 201.509 toneladas de fertilizantes, com destaque para importações provenientes da Bélgica (79.543 t) e Rússia (38.870 t).

O início do conflito entre Rússia e Ucrânia, em fevereiro de 2022, gerou incertezas no mercado global de insumos. Apesar de o Porto do Recife ter mantido seu ritmo operacional, houve uma queda de aproximadamente 15% em relação ao ano anterior, totalizando 170.000 toneladas movimentadas.

A partir de 2023, os efeitos prolongados da crise passaram a impactar mais intensamente a cadeia logística internacional — e o Recife não foi exceção. Nesse ano, as importações de fertilizantes caíram outros 15%, chegando a 143.000 toneladas. E em 2024, a retração foi menor (cerca de 11%), com 127.000 toneladas movimentadas.

Porto do Recife como elo estratégico para o agro

O terminal é responsável pela entrada de insumos como ureia, nitrato de amônio, superfosfato, cloreto de potássio e misturas NPK — todos essenciais para o cultivo de cana-de-açúcar, milho e frutas tropicais. Países como Rússia, China, Canadá, Marrocos, Bélgica, Bielorrússia, Catar, Estados Unidos, Alemanha e Holanda figuram entre os principais exportadores.

A demanda por fertilizantes no Brasil deve crescer significativamente até 2030, com destaque para potássio (38%), fósforo (33%) e nitrogênio (29%), segundo o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF). No entanto, a produção nacional segue em queda — de 7,4 milhões de toneladas em 1998 para 6,4 milhões em 2020 — enquanto as importações dispararam 445% no período.

O PNF aponta que esse cenário é resultado da escassez de matérias-primas viáveis no país, da desindustrialização do setor, da alta competitividade dos produtos importados, da crescente demanda agrícola e de entraves logísticos e ambientais.

O Brasil depende de reservas difíceis de explorar e enfrenta custos altos, sobretudo para a produção de nitrogenados, que usa gás natural. Ao mesmo tempo, fábricas fecharam diante de falta de incentivos, carga tributária elevada e barreiras regulatórias, enquanto grandes players internacionais ofertam fertilizantes mais baratos e em escala.

Esse desequilíbrio reforça o papel de portos como o do Recife na segurança do abastecimento de fertilizantes, especialmente no segundo semestre, quando o Brasil concentra a maior parte de suas importações, ao contrário de EUA e China, que consomem mais no início do ano.

A dragagem do Porto do Recife foi concluída
Porto do Recife é responsável pela entrada de fertilizantes essenciais para o cultivo de cana-de-açúcar, milho e frutas tropicais. Foto: divulgação

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