
Lançado em abril de 2025, o marketplace Made in Piauí entra na reta final para o seu primeiro ano de operação com números que atestam a viabilidade da digitalização econômica no estado. O que nasceu como uma vitrine para a identidade regional se transformou, em menos de 12 meses, em uma operação logística que conecta 230 vendedores ativos e um catálogo de 700 produtos a consumidores de 21 estados brasileiros e do Distrito Federal.
O programa, que completa seu primeiro ciclo anual em abril, foca agora em converter a visibilidade alcançada em centros como São Paulo e Rio de Janeiro em faturamento real para as cadeias produtivas de base, como o artesanato, a moda autoral e os alimentos artesanais.
Cajuína: o salto do patrimônio para o e-commerce
Um dos setores que mais aposta na plataforma para este segundo ano é o de bebidas típicas. A União das Associações Cooperativas e Produtores de Cajuína do Estado do Piauí (Procajuína), detentora do selo de indicação geográfica, utiliza o marketplace para nacionalizar o acesso ao produto que é patrimônio histórico-cultural do estado.
Das 15 marcas registradas na associação, dez já estão cadastradas no Made in Piauí. Para Firmino Pires, presidente da Procajuína, a plataforma é o caminho para o pequeno produtor atingir mercados antes inacessíveis.
“O e-commerce criado pelo governo do estado contribui para que os produtos piauienses cheguem em todo o Brasil, e a cajuína em especial. O Made in Piauí está oportunizando pequenos produtores e colocando seus produtos para vender no Brasil”, afirma.
Pires projeta um crescimento agressivo nas vendas diretas via plataforma até o fim de 2026. “A nível de crescimento de vendas ainda representa apenas 2% do faturamento, mas acreditamos que chegaremos a 10% até o fim deste ano. Estamos com a tendência forte de crescer”, ressalta.
“O governo está investindo em mídia e os produtos passam a ser conhecidos. Estamos na fase de investimento em melhoramento da logística para que a gente consiga atingir o mercado de forma mais eficiente”, acrescenta.

Internacionalização e presença de mercado
A proximidade do primeiro aniversário também marca o início de uma nova fase estratégica: a saída para o mercado externo. Segundo o coordenador do programa, Gustavo Dias, o impacto do Made in Piauí é estrutural para a economia piauiense.
“Ele transforma o potencial produtivo do estado em presença real de mercado. Gera renda, amplia visibilidade e fortalece cadeias produtivas locais, criando um ciclo sustentável”, destaca.
O programa já iniciou articulações comerciais para levar os produtos aos Estados Unidos, oferecendo suporte em marketing digital e gestão de vendas para que os produtores locais alcancem competitividade global.
Digitalização como política pública
Para a gestão do projeto, o sucesso do primeiro ano é o alicerce para posicionar o estado em um novo patamar de comércio eletrônico. Isabelle Aguiar, product owner da plataforma, reforça que a iniciativa profissionaliza o produtor.
“O Made in Piauí conecta o estado ao mundo. Ele cria uma vitrine profissional para nossos produtores e leva a ‘piauiensidade’ para consumidores de outras regiões e de outros países”, explica.
Aguiar classifica o marketplace como uma política pública essencial de expansão de mercados. “É estruturante, de digitalização econômica e expansão de mercados, que valoriza a produção local e ajuda a posicionar o estado no comércio eletrônico”, conclui. O programa é uma plataforma do governo do estado, executado pela Investe Piauí.
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