
O Irã declarou nesta segunda-feira (13) que nenhum porto do Golfo Pérsico e do Mar de Omã estará seguro caso os Estados Unidos executem o bloqueio naval imposto pelo presidente Donald Trump — enquanto o Reino Unido recusou participar da operação e articula uma coalizão alternativa pela liberdade de navegação na via.
O centro de comando das Forças Armadas iranianas, Khatam Al-Anbiya, divulgou nota lida na televisão estatal classificando as restrições norte-americanas ao tráfego marítimo em águas internacionais como “ilegais” e como “um exemplo de pirataria”. “A segurança no Golfo Pérsico e no Mar de Omã é ou para todos ou para ninguém”, afirma o comunicado. A nota acrescenta que, se a segurança dos portos iranianos nessas águas for ameaçada, “nenhum porto na região estará seguro”.
O bloqueio foi anunciado por Trump no domingo (12) e entrou em vigor nesta segunda a partir das 11h (horário de Brasília), conforme confirmado pelo Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom). A medida determina a interceptação de embarcações de todas as nações que entrem ou saiam de portos e áreas costeiras iranianas — incluindo instalações no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã — e autoriza a Marinha norte-americana a abordar navios que tenham pago taxas ao governo iraniano para navegar na região.
A decisão sucedeu o fracasso de negociações de paz realizadas entre sábado (11) e domingo (12) em Islamabã, no Paquistão, que duraram cerca de 20 horas sem entendimento. Washington apontou a recusa iraniana de abrir mão de ambições nucleares como causa do impasse. Teerã responsabilizou o que chamou de “exigências descabidas” do lado americano. O cessar-fogo de 14 dias, firmado em 7 de abril, permanece vigente até 22 de abril.
A Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC) alertou que qualquer embarcação militar que se aproxime do Estreito de Ormuz será tratada como violação da trégua. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, sintetizou a postura do regime: “Se você lutar, nós lutaremos.”
O impacto nos mercados foi imediato. O petróleo tipo Brent ultrapassou US$ 102 o barril em menos de uma hora após a publicação do Centcom, alta de 7,7%. O Estreito de Ormuz responde por cerca de 20% do petróleo transportado por navios no planeta, conectando o Golfo Pérsico ao Oceano Índico.

Reino Unido quer formar coalizão internacional para Ormuz
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, rejeitou publicamente a operação americana. “Não apoiamos o bloqueio”, declarou à BBC Radio 5 Live. “É vital que consigamos abrir o Estreito completamente.” Um porta-voz do governo havia antecipado a posição no domingo: “O Estreito de Ormuz não deve estar sujeito a pedágio.” A mesma nota informou que o Reino Unido trabalha com a França e outros parceiros para formar uma coalizão pela proteção da liberdade de navegação.
A recusa contrariou diretamente uma declaração de Trump, que afirmou que o Reino Unido enviaria navios de guerra para apoiar a operação. O governo britânico desmentiu a afirmação e disse que suas embarcações anti-minas na região operam em caráter exclusivamente defensivo. Starmer admitiu estar “muito preocupado” com o impacto da guerra sobre os consumidores britânicos: “Enquanto o estreito permanecer fechado, o petróleo e o gás não chegarão ao mercado. Os preços subirão.”
Trump comparou Starmer a Neville Chamberlain — referência ao primeiro-ministro britânico cujo governo foi marcado pelo apaziguamento da Alemanha nazista nos anos 1930 — após o aliado recusar envolvimento em operações ofensivas contra o Irã. O cessar-fogo expira em 22 de abril. Nenhum dos lados indicou o que ocorrerá caso não seja renovado.
*Com informações da Agência Brasil
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