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Ataque dos EUA e julgamento de Maduro: o legado controverso de um líder que dividiu a Venezuela

Os EUA confirmaram que Maduro e sua esposa devem enfrentar julgamentos na corte de Nova York,
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Presidente da Venezuela Nícolás Maduro
Em 2024, Maduro foi novamente declarado vencedor das eleições, resultado que foi amplamente questionado por adversários internos e por mandatários estrangeiros/Foto: Divulgação

A ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, anunciada na madrugada desta sexta-feira (3) pelo ex‑presidente Donald Trump, deixou a América Latina em alerta e colocou no centro das atenções o presidente Nicolás Maduro, agora alvo de processos jurídicos internacionais.

Desde agosto de 2025, Maduro e membros de seu círculo próximo figuram como alvos de acusações nos Estados Unidos. A fiscal geral americana, Pam Bondi, anunciou uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro, acusado de narcotráfico e de liderar o chamado “Cartel dos Sóis” — uma acusação que Maduro e seu governo rejeitam veementemente.

Os EUA confirmaram que Maduro e sua esposa devem enfrentar julgamentos na corte de Nova York, típico centro de processos relacionados a crimes de narcotráfico e lavagem de dinheiro, segundo o secretário de Estado dos EUaA Marco Rubio. As acusações, se formalizadas, podem resultar em penas longas de prisão e apreensão de bens, além de complicar ainda mais as relações diplomáticas entre Caracas e Washington. O governo venezuelano denunciou a ação como “violação da soberania” e exigiu provas de vida do casal presidencial.

Perfil de Maduro

O jornal venezuelano El Nacional publicou que Maduro é uma “das figuras mais controversas da política latino‑americana recente”. Nascido em 23 de novembro de 1962, em Caracas, Maduro iniciou sua trajetória como motorista de ônibus em Caracas e, nos anos 1990, se tornou um líder sindical de destaque. Sua carreira política cresceu ao lado de Hugo Chávez, a quem conheceu quando este estava preso após o golpe de 1992 — graças à atuação de sua esposa Cilia Flores, que defendia Chávez como advogada.

Foi um dos fundadores do Movimento Quinta República, antecessor do Partido Socialista Unido da Venezuela, e participou da campanha presidencial de 1998, que levou Hugo Chávez à vitória.

Integrante da Assembleia Nacional Constituinte que redigiu a nova Constituição em 1999, foi eleito deputado à Assembleia Nacional nos pleitos de 2000 e 2005.

Em janeiro de 2006, assumiu a presidência do Parlamento venezuelano e, em agosto do mesmo ano, foi nomeado ministro das Relações Exteriores

Chávez o nomeou como seu sucessor pouco antes de morrer, e Maduro assumiu a liderança política da Venezuela em 2013. Desde então, governou em meio a crises econômicas profundas, protestos massivos, eleições altamente contestadas e forte isolamento internacional, enfrentando constantes confrontos com a oposição e com setores da comunidade global.

Uma carreira entre crises e acusações

Nas eleições de 14 de abril de 2013, venceu por uma margem estreita de apenas 272.000 votos sobre o candidato opositor Henrique Capriles. Foi empossado presidente em 19 de abril daquele ano e, em 19 de novembro, o Parlamento da Venezuela lhe concedeu poderes especiais para governar por decreto durante um ano.

Durante sua gestão, Maduro passou por momentos intensos de tensão política. Em 2014, uma onda de protestos durou quase quatro meses e, segundo balanços oficiais, deixou dezenas de mortos, centenas de feridos e dezenas de opositores presos. Problemas econômicos — como hiperinflação, escassez de produtos básicos e queda brutal nos preços do petróleo — corroeram seu apoio interno.

Em 2015, o partido de Maduro foi derrotado nas eleições legislativas, dando lugar a uma Assembleia Nacional de maioria oposicionista. A disputa entre os poderes se intensificou e, em 2017, Maduro convocou uma Assembleia Constituyente dominada por aliados, considerada antidemocrática por vários países.

Nas eleições presidenciais antecipadas de 2018, Maduro foi declarado vencedor em um pleito marcado por alta abstenção e denúncias de fraude. A oposição e parte da comunidade internacional questionaram a legitimidade de seu mandato, e seu rival interno, Juan Guaidó, chegou a se autoproclamar presidente interino em 2019, recebendo apoio de mais de 50 países — sem, no entanto, efetivar a mudança no poder.

Em 2024, Maduro foi novamente declarado vencedor das eleições, com 51,2% dos votos, frente a 44,2% de Edmundo González Urrutia, candidato da oposição — resultados que foram amplamente questionados por adversários internos e por mandatários estrangeiros.

Sua esposa, Cilia Flores, também figura central da elite chavista, ocupou cargos importantes, incluindo a presidência da Assembleia Nacional.

A operação norte‑americana representa uma ruptura significativa no padrão de estabilidade regional, especialmente por ter sido realizada sem aval da ONU ou de organismos multilaterais. A ação reabre o debate sobre soberania, intervenção e o papel de potências externas no continente.

O episódio também reacende o temor de reações de aliados da Venezuela, como Cuba e Nicarágua, além do risco de escaladas assimétricas envolvendo milícias e grupos armados, tornando ainda mais delicado o panorama da paz regional.

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