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CNI destaca CE em relatório sobre grandes obras de investimentos privados

Empreendimentos no Ceará concentram os principais aportes privados previstos para 2025 pela CNI, além de projetos de energia renovável na região
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O trecho contemplado com recursos do FDNE começa em Eliseu Martins, no Sul do Piauí, e vai até o Porto de Pecém, na Grande Fortaleza.  Transnordestina do Ceará CNI
Com investimento projetado de R$ 2 bilhões adicionais em 2025, a Transnordestina foi apontada em relatório do CNI como um principais eixos estruturantes da região. Foto: João Lavor/TLSA

O estudo “Pilares da Infraestrutura Brasileira“, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), estima que a iniciativa privada será responsável por 72,2% dos investimentos em infraestrutura no Brasil em 2025, alcançando R$ 277,9 bilhões. Embora o relatório não traga uma desagregação regional dos valores, destaca três frentes no Nordeste com previsão relevante de investimentos: a Ferrovia Transnordestina, o Porto do Pecém e o potencial da região para se consolidar como um hub de hidrogênio verde.

O levantamento detalha que os setores de energia elétrica, transportes e saneamento concentram a maior parte dos investimentos projetados, com destaque para os avanços regulatórios e a atuação do setor privado em concessões, autorizações e parcerias público-privadas. O estudo aponta que, apesar da elevação do nível de investimento para cerca de 2,2% do PIB, o país ainda está distante da meta de 4% considerada necessária para a modernização do setor.

Em termos setoriais, os investimentos previstos para 2025 são liderados pela energia elétrica, com R$ 113,2 bilhões estimados, dos quais R$ 98,6 bilhões devem ser oriundos da iniciativa privada. Em seguida, o setor de transportes deve receber R$ 89,9 bilhões, com R$ 42,4 bilhões de origem privada.

O saneamento básico também aparece como destaque, com investimentos totais de R$ 46 bilhões, sendo R$ 31,2 bilhões privados. O segmento de telecomunicações prevê um total de R$ 28,7 bilhões, praticamente integralmente da esfera privada. Por fim, a mobilidade urbana terá R$ 12,1 bilhões em investimentos, com a maior parte vindo do setor público, mas com R$ 2,5 bilhões programados de iniciativa privada.

CNI defende governança dos investimentos públicos

Para o diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, o principal desafio é mobilizar mais recursos privados e melhorar a governança dos investimentos públicos, que devem ser direcionados para onde houver maior retorno social.

Segundo Muniz, “o crescimento da participação privada precisa estar ancorado num ambiente de negócios que ofereça um horizonte de estabilidade macroeconômica no médio e longo prazo, baixos custos de transação e menores barreiras setoriais à entrada, garantindo maior competição e mobilidade no mercado de infraestrutura”.

No campo regulatório, a CNI defende o fortalecimento das agências, maior previsibilidade jurídica e uso de instrumentos como arbitragem e comitês de resolução de conflitos. O fortalecimento do BNDES como estruturador de projetos sustentáveis e a ampliação do financiamento via mercado de capitais também são apontados como fundamentais.

Investimentos em destaque no Nordeste

A Ferrovia Transnordestina, ligando o interior do Piauí ao Porto do Pecém (CE), é um dos principais eixos estruturantes da região. Com investimento projetado de R$ 2 bilhões adicionais em 2025, o empreendimento conta com financiamento do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Banco do Nordeste, com destaque para o trecho Salgueiro–Pecém, considerado estratégico para a logística regional.

Paralelamente, o Porto do Pecém está recebendo investimentos de R$ 430 milhões para a instalação de um parque de tancagem de combustíveis, sendo R$ 343 milhões previstos até agosto de 2027. Esse aporte está inserido em uma estratégia de consolidação da infraestrutura portuária cearense.

Outro destaque é o potencial do Nordeste para se tornar um polo de produção de hidrogênio verde. Graças à alta capacidade instalada de geração solar e eólica, a região é vista como prioritária para a transição energética e atração de investidores internacionais, segundo o estudo da CNI.

Leia mais: NE lidera em chamada pública do BNDES para minerais estratégicos

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