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Cooperativa de Compras reduz custos de construtoras em Pernambuco

Iniciativa da Ademi-PE, a cooperativa reúne 54 empresas e negocia desde cimento até elevadores em condições mais vantajosas
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  1. Cooperativa da Ademi-PE centraliza negociações com fornecedores para reduzir custos das construtoras pernambucanas.
  2. Reunindo 54 construtoras e 247 canteiros de obras, entidade homologa fornecedores e negocia preços diferenciados.
  3. Redução média de oito por cento nos custos de insumos utilizados pelas empresas associadas à cooperativa.
  4. Concentração de demanda permite condições comerciais competitivas em aquisições de alto valor agregado como elevadores.
  5. Negociação coletiva amortece impactos de reajustes de materiais básicos como cimento em cenário inflacionário.
Cooperativa da Ademi-PE centraliza negociações com fornecedores de insumos para o setor da construção civil – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Criada para aumentar o poder de barganha das construtoras pernambucanas e reduzir custos em um dos setores mais sensíveis da economia, a Cooperativa de Compras da Construção Civil de Pernambuco (CCPE), vinculada à Ademi-PE, consolidou-se como uma ferramenta estratégica para o mercado imobiliário do Estado.

Reunindo atualmente 54 construtoras ativas e 247 canteiros de obras, a cooperativa centraliza negociações com fornecedores de insumos e equipamentos, garantindo melhores condições comerciais, maior previsibilidade e segurança no abastecimento dos empreendimentos.

O modelo funciona de forma relativamente simples, mas com grande impacto econômico. A cooperativa homologa fornecedores, negocia preços em nome do grupo e estabelece contratos que asseguram às associadas condições diferenciadas em relação ao mercado.

Os fornecedores firmam um termo de responsabilidade comprometendo-se a manter, exclusivamente para as empresas participantes da cooperativa, os preços negociados, evitando que os mesmos valores sejam oferecidos diretamente fora da entidade.

Segundo a gestora da CCPE, Luciana Cavalcanti, essa atuação permite uma redução média de cerca de 8% no custo de diversos insumos utilizados pelas construtoras. “Isso tem impacto no valor final da obra e, consequentemente, do imóvel, com a construtora conseguindo ofertar o valor mais em conta para o consumidor final”, cita.

Essa economia ganha ainda mais relevância em um cenário de sucessivos reajustes de materiais básicos, como o cimento. De acordo com Luciana, enquanto o mercado registrou diversos aumentos ao longo de 2025, a negociação coletiva permitiu amortecer parte desses impactos.

“No cimento, por exemplo, tivemos vários aumentos das cimenteiras. Em parceria com nossos fornecedores, conseguimos reduzir esse impacto para as construtoras que atuam dentro da cooperativa”, afirma.

Além do cimento, a cooperativa negocia concreto, aço, areia, brita, tintas, materiais elétricos, esquadrias e diversos outros itens presentes na curva de custos das obras.

Cooperativa amplia poder de negociação

Um dos principais diferenciais da cooperativa está justamente na concentração de demanda. Em vez de cada construtora negociar isoladamente pequenos volumes, a entidade reúne pedidos de diversas empresas, permitindo condições comerciais mais competitivas.

Esse modelo é especialmente importante para aquisições de maior valor agregado, como elevadores. Na rodada mais recente de negociação realizada com a Otis, foram adquiridos 47 elevadores destinados a nove construtoras pernambucanas.

A ACLF Empreendimentos liderou a compra, com nove equipamentos, seguida pela VL Construtora, com oito. Também participaram Lplan e Tenório Simões, com seis unidades cada; Maxplural, com cinco; LM Saraiva, com quatro; Fama, com três; CM Engenharia, com duas; e AF Construtora, com um elevador.

Para a Otis, a parceria vai além da negociação comercial. Segundo Gilvan Oliveira, gerente sênior de Vendas da empresa, o relacionamento permite oferecer soluções técnicas personalizadas desde a fase de concepção dos empreendimentos.

“Partimos de um entendimento profundo das necessidades de cada projeto para oferecer soluções personalizadas que combinam inovação, eficiência e segurança. Nossas equipes atuam de forma consultiva desde as fases iniciais, contribuindo para a definição dos equipamentos mais adequados e estruturando condições comerciais customizadas para cada cliente”, afirma.

Ele destaca ainda que iniciativas como essa fortalecem todo o ecossistema da construção civil. “Cooperativas como a CCPE desempenham papel relevante como formadoras de opinião na construção civil, contribuindo para práticas mais eficientes, seguras e inovadoras”, analisa.

Previsibilidade e segurança

A ACLF lidera o ranking de volume negociado através da CCPE. “Participamos desde o momento inicial desse novo momento da cooperativa. Hoje ela possui uma gama bastante interessante de fornecedores, com itens que têm peso relevante na curva de custos das obras”, afirma o diretor de Engenharia da empresa, Fernando Fink.

Ele explica que, no caso da ACLF, uma das negociações mais importantes envolve o fornecimento de cimento a granel para abastecer a usina própria de concreto da empresa.

“Essa negociação trouxe ganho não apenas do ponto de vista econômico, mas também de previsibilidade, confiabilidade e segurança na operação. A cooperativa também presta um serviço importante ao intermediar a relação entre cliente e fornecedor quando surgem situações que precisam ser tratadas”, ressalta.

Fink destaca ainda que as compras coletivas tornam possíveis negociações que dificilmente seriam alcançadas individualmente. “Uma coisa é comprar dois elevadores para um prédio; outra completamente diferente é negociar 50 equipamentos de uma única vez. Isso muda totalmente a condição de negociação, não apenas no preço, mas também em garantias, prazos e condições de fornecimento”, explica.

Ganhos financeiros

Outra empresa entre as que mais utilizam a cooperativa é a Viana e Moura, que integra a cooperativa desde sua criação e considera que ela se tornou um braço estratégico da área de compras. “Ela não serve apenas para conseguir um preço melhor. Também nos ajuda na resolução de problemas operacionais com fornecedores e fortalece nossa posição nas negociações”, afirma Leonardo de Melo, gerente de Suprimentos e Produção.

Em 2025, as negociações realizadas pela empresa por meio da cooperativa movimentaram cerca de R$ 6 milhões. Segundo a construtora, a economia média obtida varia entre 5% e 7%. “Pode parecer um percentual pequeno, mas quando aplicado sobre um volume de R$ 6 milhões faz bastante diferença no resultado final de um empreendimento”, destaca Leonardo.

Hoje, aproximadamente entre 7% e 10% de todas as compras da empresa passam pela cooperativa. No caso da Viana e Moura, o aço lidera o volume de negociações, seguido por argamassa, rejunte, cimento, tintas, materiais elétricos e agregados como areia.

Para o gerente de Suprimentos e Infraestrutura da empresa, Hygor Figueiredo, o benefício não se resume aos ganhos financeiros, mudando a relação entre empresas tradicionalmente concorrentes.

“Hoje fazemos benchmark com outras construtoras, trocamos experiências e conhecimento. Isso enriquece muito o setor como um todo. Em um cenário de oscilações cambiais e aumento dos custos, ter uma cooperativa atuando na linha de frente das negociações virou uma ferramenta estratégica para todas as empresas”, explica.

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