
O Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios brasileiros em 2023, divulgado nesta sexta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou a amplitude das desigualdades dentro do Nordeste, onde convivem centros urbanos de alta atividade econômica e municípios com baixíssima renda per capita. Os dados são do PIB dos Municípios 2022-2023. A pesquisa apresenta informações do PIB a preços de mercado e PIB per capita, para os 5.570 municípios.
No topo do ranking regional está Fortaleza (CE), que registrou o maior PIB municipal do Nordeste, com R$ 86,9 bilhões, representando 5,75% do total regional. A capital cearense superou Salvador (BA) e Recife (PE) e consolidou sua posição como principal centro econômico da região. Por outro lado, a cidade de Manari (PE) apareceu como o município com o menor PIB per capita do Brasil, com apenas R$ 7.201,70 por habitante.
A distância econômica entre Fortaleza e Manari ilustra a desigualdade interna no Nordeste. Grandes centros urbanos e polos industriais concentram a maior parte da produção regional, enquanto municípios menores, especialmente no interior do semiárido, enfrentam baixa diversificação econômica, escassez de investimentos e forte dependência de transferências públicas.
Além de Fortaleza, outros municípios com PIB expressivo são Salvador (BA), Recife (PE), São Luís (MA) e Maceió (AL). A Bahia se destaca com várias cidades entre as 30 maiores economias da região, como Camaçari, São Francisco do Conde e Luís Eduardo Magalhães, impulsionadas pelos setores de refino de petróleo, petroquímica e agricultura de exportação.

Dez municípios concentram 25% do PIB nacional
No recorte nacional, os dez maiores municípios por valor absoluto do PIB concentraram 24,5% da economia brasileira, liderados por São Paulo (SP), com R$ 1,06 trilhão, equivalente a 9,7% do PIB nacional. Em seguida aparecem Rio de Janeiro (RJ) e Brasília (DF), com R$ 418,4 bilhões e R$ 365,6 bilhões, respectivamente.
No indicador de densidade econômica, que considera o PIB por quilômetro quadrado, o município de Osasco (SP) lidera com R$ 1,8 milhão/km², seguido por São Caetano do Sul (SP) e Barueri (SP). As dez maiores densidades estão integralmente localizadas nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro.
No recorte dos menores PIBs nominais, Santo Antônio dos Milagres (PI) teve o menor valor do país, com R$ 25,2 milhões. Outros municípios do Piauí e da Paraíba, como Areia de Baraúnas, Parari e São Luís do Piauí, também figuram entre os 30 menores. A baixa atividade econômica, aliada à pequena população, explica a fragilidade econômica desses territórios.

Concentrações urbanas e capitais regionais concentram o PIB
As dez maiores concentrações urbanas do país, segundo o IBGE, responderam por 40,7% do PIB nacional, somando R$ 4,45 trilhões. A concentração urbana de São Paulo foi responsável por 16,2% do total, seguida pelo Rio de Janeiro (8,0%) e por Brasília (3,5%). No Nordeste, Salvador (BA) e Recife (PE) foram as únicas concentrações urbanas a figurar entre as dez maiores do país, com participações de 1,5% e 1,4%, respectivamente. Nenhuma delas aparece entre as dez com maior densidade econômica, dominadas por regiões metropolitanas mais compactas do Sudeste e Sul.
No Nordeste, Fortaleza (CE) registrou o maior PIB municipal da região em 2023, com R$ 86,9 bilhões, equivalente a 5,75% do total regional. Em seguida aparecem Salvador (BA), Recife (PE), São Luís (MA) e Maceió (AL). A Bahia concentrou o maior número de municípios entre os 30 maiores PIBs do Nordeste, incluindo centros industriais como Camaçari, São Francisco do Conde e Luís Eduardo Magalhães. Pernambuco também teve destaque com municípios como Ipojuca, Jaboatão dos Guararapes e Cabo de Santo Agostinho.
![Menores PIBs per capita do Brasil em 2023 ] (Tabla)](https://datawrapper.dwcdn.net/FYDvw/full.png)
Nordeste tem os menores PIBs per capita do Brasil
Na outra ponta, o município de Manari (PE) registrou o menor PIB per capita do país, com R$ 7.201,70. Quatro dos cinco menores PIBs per capita estão no Maranhão: Nina Rodrigues, com R$ 7.701,32; Matões do Norte, com R$ 7.722,89; Cajapió, com R$ 8.079,74; e São João Batista, com R$ 8.246,12. Todos apresentam baixa densidade populacional, economia pouco diversificada e forte dependência de transferências públicas.
Apesar das desigualdades, o Nordeste também possui municípios com alta renda por habitante. São Francisco do Conde (BA), por exemplo, teve o segundo maior PIB per capita do Brasil em 2023, com R$ 684,3 mil, impulsionado pelo setor de refino de petróleo. Outros municípios nordestinos presentes entre os 100 maiores PIBs per capita são Santo Antônio dos Lopes (MA), Tasso Fragoso (MA), Formosa do Rio Preto (BA), Baixa Grande do Ribeiro (PI), Ipojuca (PE), Goiana (PE), Guamaré (RN), Uruçuí (PI), Jaborandi (BA) e Sebastião Leal (PI), com forte presença da indústria e do agronegócio.

Setor do petróleo impulsiona os maiores PIBs per capita
As seis cidades com maior PIB per capita do país em 2023 estão vinculadas à cadeia do petróleo, com destaque para municípios especializados na extração e refino da commodity. São Francisco do Conde (BA), por exemplo, teve o segundo maior valor per capita do país, reflexo direto da atuação do setor de refino. Também figuram entre os primeiros colocados municípios como Santo Antônio dos Lopes (MA), Guamaré (RN) e Ipojuca (PE), todos com presença relevante de operações ligadas ao petróleo ou gás natural.
“É curioso observar que os municípios no topo dessa lista estão ligados ao petróleo mesmo num contexto desfavorável a essa commodity. Mas alguns campos de petróleo entraram em produção. Embora nacionalmente essa atividade extrativa tenha perdido participação, alguns campos começaram a operação em 2023 beneficiando algumas cidades”, afirmou o analista do IBGE, Luiz Antonio do Nascimento de Sá.
Segundo o IBGE, as capitais São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília seguem entre os maiores PIBs do país desde o início da série histórica, em 2002. No entanto, a participação relativa dessas cidades vem diminuindo ao longo do tempo, em razão do crescimento de outras regiões e do dinamismo de setores produtivos descentralizados.
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