
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, anunciou nesta terça-feira (26) a contenção oficial do foco de gripe aviária (H5N1) registrado em uma granja comercial no município de São José do Norte, no Rio Grande do Sul. O caso, confirmado em abril, foi o primeiro foco em produção avícola no país e levou à adoção imediata de medidas sanitárias rigorosas.
A contenção foi alcançada com a execução do plano nacional de contingência para influenza aviária, que determinou o abate sanitário de cerca de 15 mil aves na propriedade, o bloqueio da movimentação de animais em um raio de 10 km e a intensificação da vigilância em estabelecimentos avícolas da região. De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), não foram detectados novos casos na área de risco após as ações implementadas.
“Estamos com o foco oficialmente contido. Isso demonstra a eficiência do nosso serviço sanitário e a responsabilidade com o setor produtivo. Seguimos vigilantes, pois o vírus continua circulando entre aves silvestres”, afirmou o ministro Carlos Fávaro durante o anúncio da contenção feito durante uma audiência pública na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado.
Ceará investiga dois casos suspeitos em Icapuí e Quixadá
Apesar da contenção nacional, o Ceará investiga dois novos casos suspeitos de gripe aviária, com notificações registradas na última quinta-feira (22). Os casos envolvem duas localidades distintas: Icapuí, no litoral leste, e Quixadá, no sertão central. A Agência de Defesa Agropecuária do Estado (Adagri) coordena as investigações, com apoio do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em São Paulo.
Em Icapuí, uma ave migratória foi encontrada entre as praias de Manibu e Tremembé, apresentando sintomas respiratórios e sinais de imobilidade. O animal foi encaminhado à ONG Aquasis, especializada no monitoramento de aves silvestres, e, após a necropsia realizada por auditores fiscais da Adagri, amostras foram enviadas para diagnóstico de Síndrome Respiratória e Nervosa das Aves (SRN), que pode indicar a presença do vírus H5N1.
Em Quixadá, no distrito de Bom Fim, uma galinha de criação de subsistência apresentou sinais clínicos compatíveis com a gripe aviária, como dificuldade respiratória e secreção nasal. Diante da suspeita fundamentada, foi realizada a necropsia do animal, com envio de amostras ao LFDA. A Adagri reforçou a vigilância ativa, ampliando a coleta de amostras em 134 granjas do estado, comerciais e não comerciais, como medida preventiva.
O estado do Ceará possui um plantel de aproximadamente 14 milhões de aves, de acordo com dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) do IBGE de 2023, sendo responsável por cerca de 2% da produção nacional de carne de frango. A região Nordeste responde por aproximadamente 10% da produção brasileira, com destaque para a Bahia, Pernambuco e o próprio Ceará.
Minas Gerais decreta emergência sanitária após detecção de H5N1
Minas Gerais decretou nesta terça-feira (26) estado de emergência sanitária animal após a confirmação da presença do vírus H5N1 em um cisne negro encontrado morto no Parque Ecológico da Pampulha, em Belo Horizonte. A medida foi adotada pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa-MG) com o objetivo de agilizar a mobilização de recursos e reforçar a capacidade de resposta frente a potenciais novos focos.
O decreto estadual autoriza ações como bloqueio sanitário, restrições à movimentação de aves, intensificação da fiscalização em propriedades rurais e campanhas de conscientização junto a criadores e consumidores. A emergência sanitária segue os protocolos internacionais da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), visando proteger a avicultura mineira, responsável por cerca de 10% da produção nacional de carne de frango.
Minas Gerais concentra um dos maiores polos avícolas do país, com destaque para as regiões do Triângulo Mineiro e Sul de Minas. A produção estadual é estimada em mais de 250 milhões de aves, segundo o IBGE, gerando milhares de empregos e receitas expressivas com exportações. As autoridades locais reforçam que não há risco no consumo de carne de frango e ovos inspecionados, mantendo a segurança alimentar como prioridade.
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