
Depois do Tribunal de Contas da União (TCU) determinar o não repasse de recursos federais para as obras da ferrovia Transnordestina em Pernambuco, na semana passada, a governadora Raquel Lyra anunciou, na tarde desta segunda-feira (18), que será assinado nesta quarta (19) o contrato de retomada das obras do trecho Salgueiro-Suape, que está há mais de 10 anos abandonado.
“Acabei de sair de uma reunião com a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, aqui em Brasília, onde confirmamos que amanhã o governo de Pernambuco vai assinar o contrato para a retomada das obras da Transnordestina. Neste primeiro lote serão 73 km”, contou a governadora na sua conta do Instagram.
A licitação é para fazer os estudos executivo do trecho de 73 km entre Custódia e Arcoverde, além da implantação da infraestrutura – os serviços realizados antes de colocar os trilhos -.
A justificativa do TCU para determinar o não repasse de recursos federais foi a ausência de estudos de viabilidade técnica e econômica atualizados. Raquel Lyra não se pronunciou após a decisão da corte de contas.
Um pouco da história da licitação da Transnordestina em PE
A empresa que venceu a licitação foi a Alberto Couto Alves Ltda (ACA) que vai fazer o serviço por R$ 312,8 milhões. A homologação da licitação ocorreu na manhã desta segunda-feira. O edital da concorrência foi lançado no dia 31 de outubro do ano passado. Inicialmente, a abertura das propostas seria em janeiro, mas foi postergada para março.
Depois da abertura das propostas, ocorreram recursos contestando o resultado. E foram dados todos os prazos estabelecidos no edital. A esstatal Infra S.A. assumiu o trecho pernambucano depois que o mesmo foi devolvido ao governo federal pela TLSA, o que ocorreu em 2022.
O trecho Salgueiro-Suape é fundamental para dar competitiviade a vários polos econômicos de Pernambuco e estados vizinhos, como o polo de avicultura do Agreste, o polo gesseiro do Araripe, a avicultura do Agreste pernambucano, entre outros.
O trecho da Transnordestina em Pernambuco possui cerca de 540 quilômetros e foi devolvido pela então concessionária Transnordestina Logística S.A. (TLSA) porque a empresa entendeu que esta parte da ferrovia não tinha viabilidade econômica. Desse total, 179 km foram concluídos.
Subsidiária da Companhia Siderúrgica Nacional, a TLSA deu prioridade ao trecho da ferrovia que começa na cidade de Eliseu Martins, passa por Salgueiro e segue para o Porto de Pecém porque a empresa tem negócios no Ceará.
As obras da Transnordestina foram iniciadas em 2006. Na época, o traçado começava na cidade de Eliseu Martins, no Sul do Piauí, seguia até Salgueiro e depois disso se dividia em dois ramais: Salgueiro-Suape e Salgueiro-Pecém.
O trecho cearense que liga Eliseu Martins, no Sul do Piauí, ao Porto de Pecém segue recebendo aportes bilionários do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e com previsão de ter o seu primeiro trecho concluído em 2027. Já estão sendo feitos testes de cargas entre o Piauí e o Ceará e neste trecho a ferrovia já contribuiu para atrair uma fábrica de autopeças de magnésio e um grande frigorífico da Masterboi, ambos no interior do Ceará, entre outros empreendimentos.
*Com informações da Folha de Pernambuco
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