
O decreto assinado na tarde desta quarta-feira (30) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que impõe uma tarifa de 50% sobre exportações de diversos produtos brasileiros ao país norte-americano, com vigência a partir de 6 de agosto de 2025, marca uma nova escalada nas tensões comerciais e políticas entre Washington e Brasília, mas veio acompanhada de uma ampla lista de cerca de 700 exceções que preserva setores-chave da economia brasileira e de interesse bilateral.
Apesar da tarifa generalizada, o decreto isenta da sobretaxa centenas de produtos considerados estratégicos, tanto para os EUA quanto para o Brasil. Entre os principais itens excluídos estão:
- Castanha-do-brasil (castanha-do-pará)
- Suco e polpa de laranja, concentrados ou não
- Fertilizantes amplamente utilizados na agricultura brasileira
- Aeronaves civis, incluindo seus motores, peças e componentes; setor relevante para a Embraer
- Produtos de ferro, aço, alumínio e cobre, incluindo minerais, ligas metálicas e produtos semiacabados
- Madeira tropical serrada ou lascada, polpa de madeira e fios de sisal ou fibras do gênero Agave
- Metais e minerais como silício, ferro-gusa, alumina, estanho, ouro, prata, ferroníquel e ferronióbio
- Diversos combustíveis e derivados, como carvão, gás natural, petróleo, querosene, parafina e coque de petróleo
- Celulose química, branqueada ou não, de coníferas e não-coníferas
Confira lista completa em decreto publicado pelo governo norte-americano.
Além disso, produtos que já estiverem em trânsito para os EUA até a data da entrada em vigor da medida — ou seja, desde que desembarquem até 5 de outubro de 2025 — também serão isentos da tarifa.

Alívio parcial, impactos reais
A lista de isenções demonstra uma tentativa da Casa Branca de dosar os efeitos econômicos da medida, atingindo alvos políticos e comerciais específicos do Brasil sem comprometer setores que têm forte integração produtiva ou importância estratégica para os próprios EUA.
No entanto, produtos de peso, como café, frutas, cacau e carnes, continuam sujeitos à tarifa e devem sentir os efeitos diretos da nova política.
Cautela e pragmatismo
Analistas avaliam que, ao excluir segmentos como o agronegócio industrializado, a aviação, a produção de celulose e o setor mineral, o governo dos EUA indica que há um cálculo pragmático na aplicação do tarifaço. A decisão evita comprometer cadeias produtivas integradas, empresas americanas que operam no Brasil e fluxos de matérias-primas essenciais para a indústria dos EUA.
A medida também mostra que, apesar das tensões políticas — acirradas por acusações do governo Trump contra o STF e o presidente Lula —, os laços econômicos bilaterais continuam influenciando a formulação de sanções e tarifas com certo grau de seletividade.

Trump mantém ameaça
No documento, Trump diz que a lista de exceções pode ser alterada caso o Brasil “tome medidas significativas para lidar com a emergência nacional e se alinhe suficientemente com os Estados Unidos em questões de segurança nacional, economia e política externa”.
O presidente americano também não descarta aumentar as alíquotas se o governo brasileiro tomar medidas de retaliação ou reciprocidade contra os Estados Unidos. “Por exemplo, se o governo do Brasil retaliar aumentando as tarifas sobre as exportações dos Estados Unidos, aumentarei a alíquota ad valorem estabelecida nesta ordem em um montante correspondente”.
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