
A 27ª edição da Agenda TGI | Painel 2026, realizada em 25 de novembro no Teatro RioMar, em Recife, trouxe à tona reflexões estratégicas sobre os rumos do mundo, do Brasil, de Pernambuco e da capital pernambucana diante do avanço de uma era definida como de “conexão fragmentada”. Sob o título “O novo mundo híbrido – um mergulho na era da conexão fragmentada”, os consultores Francisco Cunha e Fábio Menezes analisaram um cenário em que opostos antes claros — como real e virtual, público e privado — agora se sobrepõem e se confundem.
No plano global, a Agenda aponta para uma transição acelerada rumo a um mundo “figital”, que mistura físico e digital, inclusive em conflitos — com guerras híbridas se somando às tradicionais. A desglobalização, o impacto das mudanças climáticas e o avanço da inteligência artificial (IA) compõem um cenário de alta complexidade.
A desglobalização surge como reverso da interdependência econômica, impulsionada por crises como a de 2008, a pandemia e tensões geopolíticas. A nova Guerra Fria e a ascensão de políticas nacionalistas — como o Projeto 2025 do think tank Heritage Foundation, nos EUA — agravam esse panorama, com possíveis rupturas institucionais e comerciais, explicou o consultor Francisco Cunha.
A IA, por sua vez, desponta como fator de disrupção, ao mesmo tempo que aprofunda desafios. Ferramentas como deepfakes e mecanismos de desinformação já colocam em xeque a integridade da informação no debate público.
No Brasil, dois alertas centrais se destacam na análise da TGI para 2026: Fechamento da janela demográfica e o Avanço do crime organizado e risco de narcoestado.
No aspecto demográfico, o consultor disse que o país envelhece rapidamente sem ter alcançado a riqueza média de nações desenvolvidas. O risco é se tornar um país velho antes de ser rico, o que exigirá políticas públicas urgentes voltadas à produtividade, previdência e qualificação da força de trabalho.
Já o crescimento de facções e a infiltração do crime em setores legais da economia acendem o alerta para uma possível “colombianização” do Brasil. Segundo Francisco Cunha, o combate a essa ameaça requer ação coordenada entre os entes federativos e enfrentamento imediato.
A nível estadual, a Agenda propõe uma revisão do modelo de desenvolvimento de Pernambuco, historicamente centrado em um eixo industrial-portuário. Segundo Cunha, mesmo com Suape, esse modelo concebido nos anos 1950 mostra esgotamento. O projeto “Pernambuco em Perspectiva”, promovido pela TGI, reforça a necessidade de articulação entre sociedade civil, academia e governos para pensar novas estratégias sustentáveis e inclusivas.
Na capital, o destaque vai para iniciativas de requalificação do centro e adaptação urbana às mudanças climáticas. Entre os projetos mencionados estão:
- Centro do Recife na Rota do Futuro
- Distrito Guararapes, estruturado para revitalizar a região central
- Plano Recife 500 Anos
- Parque Capibaribe e Recife Cidade Parque, com objetivo de transformar Recife em uma cidade-parque até 2037
Essas iniciativas apontam para um futuro urbano mais resiliente, diante de riscos como elevação do nível do mar e enchentes. Apesar dos desafios, a visão para Recife é de otimismo moderado, desde que haja execução consistente.










