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Com expectativa de salto na produção, Aracaju sedia o 5º Sergipe Oil & Gas

Hoje o nono maior produtor do país, Sergipe aposta no Projeto Águas Profundas para multiplicar a produção, atrair indústrias e se tornar uma das principais fronteiras energéticas do Brasil
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  1. Sergipe encerra 2025 como nono maior produtor nacional com média de 12.447 barris de óleo equivalente por dia.
  2. Projeto Sergipe Águas Profundas deve elevar produção estadual para 300 mil barris, colocando estado entre três maiores produtores.
  3. Aracaju sedia quinta edição do Sergipe Oil & Gas com 90 expositores e foco no projeto de águas profundas.
  4. Presidente da ABPIP destaca que futuro de Sergipe já está contratado com projeto em construção avançada.
  5. Estado reúne tradição produtiva terrestre, retomada onshore e desenvolvimentos em águas profundas raramente combinados em outro polo.
Sergipe Oil & Gas é o principal encontro da cadeia produtiva de petróleo e gás. Foto: Ascom/Sergipe Oil&Gas

Embora responda atualmente por uma pequena parcela da produção brasileira de petróleo e gás natural, Sergipe reúne hoje os ingredientes que podem colocá-lo entre os maiores polos energéticos do país na próxima década. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o estado encerrou 2025 como o nono maior produtor nacional, com média de 12.447 barris de óleo equivalente por dia (boe/d). Além disso, mantém 17 campos produtores em operação e abriga Carmópolis, o maior campo terrestre produtor de petróleo do Brasil, responsável por 9,3% de toda a produção nacional em terra.

O cenário, porém, tende a mudar de escala. Com a entrada em operação do Projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), desenvolvido pela Petrobras, a expectativa do setor é que a produção estadual ultrapasse os 300 mil barris de óleo equivalente por dia, colocando Sergipe entre os três maiores produtores brasileiros de petróleo e gás natural.

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É nesse contexto que o presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (ABPIP), Márcio Félix, resume o momento vivido pelo estado com uma frase que traduz a expectativa da indústria: “A solução do Brasil sai de Sergipe.”

A partir desta quarta-feira (29), Aracaju recebe a quinta edição do Sergipe Oil & Gas, principal encontro da cadeia produtiva de petróleo e gás do estado. O evento reunirá cerca de 90 expositores, congresso técnico, feira de negócios, rodadas comerciais, arenas temáticas e visitas técnicas, tendo como principal vitrine justamente o Projeto Sergipe Águas Profundas, considerado um dos maiores investimentos da indústria brasileira de petróleo e gás da próxima década.

Futuro contratado

Para Márcio Félix, Sergipe vive uma transformação sem precedentes e reúne características que nenhum outro estado brasileiro possui atualmente. “O futuro já está contratado. Não é um futuro abstrato. O Projeto Sergipe Águas Profundas já tem contrato assinado e está sendo construído. Isso não existe em nenhum outro lugar do Brasil”, afirmou.

Márcio Félix, presidente da Abpip
Márcio Félix, presidente da ABPIP: “Sergipe virou uma espécie de Meca do setor de petróleo e gás” Foto: Acervo Pessoal

Criada em 2007, a Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (ABPIP) representa empresas independentes de exploração e produção de petróleo e gás natural. A entidade atua na defesa do aperfeiçoamento do ambiente regulatório, da ampliação dos investimentos e do fortalecimento da produção em terra, reunindo algumas das principais operadoras independentes em atividade no país.

Nova fronteira energética

Segundo Márcio Félix, Sergipe conseguiu reunir uma combinação rara: tradição na produção terrestre de petróleo, retomada da exploração onshore pelas empresas independentes e o desenvolvimento de um dos maiores projetos offshore do país. “Sergipe se tornou a terra e o mar do gás. Enquanto outras regiões falam apenas do petróleo, Sergipe está falando do gás natural, que será o grande diferencial para atrair novas indústrias e transformar a economia.”

Sergipe nova fronteira de energia
Crescimento na participação do público foi significativa Gráfico: IA

Na avaliação do dirigente da ABPIP, o gás natural será o principal fator de competitividade econômica nos próximos anos. “Com a reforma tributária, a disputa por incentivos fiscais tende a diminuir. O diferencial para atrair indústrias será a disponibilidade de gás a preço competitivo. Data centers, fertilizantes, termoelétricas, mineração de potássio… tudo passa pelo gás.”

Márcio Félix também destaca que Sergipe assumiu protagonismo nacional nas discussões sobre infraestrutura e abertura do mercado de gás natural. “O Estado está fazendo um dever de casa que é nacional. Sergipe passou a liderar discussões importantes sobre infraestrutura, distribuição de gás e atração de novos investimentos.”

Para ele, o Sergipe Oil & Gas tornou-se o principal ambiente para discutir esse novo ciclo econômico. “Sergipe virou uma espécie de Meca do setor. As pessoas não vêm apenas participar de um evento. Elas vêm porque o futuro está aqui.”

Mudar o mapa

O principal destaque da quinta edição do Sergipe Oil & Gas será o Projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), liderado pela Petrobras nas bacias de Sergipe-Alagoas.

O empreendimento prevê duas plataformas do tipo FPSO, com capacidade conjunta para produzir 240 mil barris de petróleo por dia e processar 22 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente, consolidando Sergipe como uma das principais fronteiras offshore do país. Segundo projeções do Governo de Sergipe e de representantes da indústria, quando os dois módulos estiverem em operação, a produção estadual poderá superar os 300 mil barris de óleo equivalente por dia, reposicionando o estado entre os maiores produtores brasileiros.

Para Márcio Félix, o impacto do SEAP ultrapassa as fronteiras sergipanas.”Não é apenas um projeto de Sergipe. É um projeto do Brasil. Toda a cadeia produtiva acompanha esse investimento porque ele já está contratado e vai impulsionar fornecedores, indústria naval, logística e novos negócios.”

Evolução da indústria

Criado em 2022, o Sergipe Oil & Gas nasceu com o objetivo de aproximar operadoras, fornecedores, universidades, investidores e instituições públicas, fortalecendo a cadeia produtiva de petróleo e gás no estado.

A primeira edição reuniu 468 participantes. Em 2023, o público passou para 722 inscritos. Em 2024, o evento registrou 2.650 participantes. Na quarta edição, realizada em 2025, o congresso alcançou 3.744 inscritos, crescimento de 24% em relação ao ano anterior. A feira reuniu 57 marcas, promoveu 26 painéis técnicos, contou com 90 palestrantes e realizou 204 reuniões de negócios entre 11 empresas compradoras e 114 fornecedoras, consolidando-se como um ambiente estratégico para geração de negócios.

Em 2026, a expectativa da organização é receber cerca de 5 mil participantes, ampliar a feira para aproximadamente 90 expositores e fortalecer ainda mais a presença de investidores, operadoras, fornecedores, universidades e startups.

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