
Embora responda atualmente por uma pequena parcela da produção brasileira de petróleo e gás natural, Sergipe reúne hoje os ingredientes que podem colocá-lo entre os maiores polos energéticos do país na próxima década. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o estado encerrou 2025 como o nono maior produtor nacional, com média de 12.447 barris de óleo equivalente por dia (boe/d). Além disso, mantém 17 campos produtores em operação e abriga Carmópolis, o maior campo terrestre produtor de petróleo do Brasil, responsável por 9,3% de toda a produção nacional em terra.
O cenário, porém, tende a mudar de escala. Com a entrada em operação do Projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), desenvolvido pela Petrobras, a expectativa do setor é que a produção estadual ultrapasse os 300 mil barris de óleo equivalente por dia, colocando Sergipe entre os três maiores produtores brasileiros de petróleo e gás natural.
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É nesse contexto que o presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (ABPIP), Márcio Félix, resume o momento vivido pelo estado com uma frase que traduz a expectativa da indústria: “A solução do Brasil sai de Sergipe.”
A partir desta quarta-feira (29), Aracaju recebe a quinta edição do Sergipe Oil & Gas, principal encontro da cadeia produtiva de petróleo e gás do estado. O evento reunirá cerca de 90 expositores, congresso técnico, feira de negócios, rodadas comerciais, arenas temáticas e visitas técnicas, tendo como principal vitrine justamente o Projeto Sergipe Águas Profundas, considerado um dos maiores investimentos da indústria brasileira de petróleo e gás da próxima década.
Futuro contratado
Para Márcio Félix, Sergipe vive uma transformação sem precedentes e reúne características que nenhum outro estado brasileiro possui atualmente. “O futuro já está contratado. Não é um futuro abstrato. O Projeto Sergipe Águas Profundas já tem contrato assinado e está sendo construído. Isso não existe em nenhum outro lugar do Brasil”, afirmou.

Criada em 2007, a Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (ABPIP) representa empresas independentes de exploração e produção de petróleo e gás natural. A entidade atua na defesa do aperfeiçoamento do ambiente regulatório, da ampliação dos investimentos e do fortalecimento da produção em terra, reunindo algumas das principais operadoras independentes em atividade no país.
Nova fronteira energética
Segundo Márcio Félix, Sergipe conseguiu reunir uma combinação rara: tradição na produção terrestre de petróleo, retomada da exploração onshore pelas empresas independentes e o desenvolvimento de um dos maiores projetos offshore do país. “Sergipe se tornou a terra e o mar do gás. Enquanto outras regiões falam apenas do petróleo, Sergipe está falando do gás natural, que será o grande diferencial para atrair novas indústrias e transformar a economia.”

Na avaliação do dirigente da ABPIP, o gás natural será o principal fator de competitividade econômica nos próximos anos. “Com a reforma tributária, a disputa por incentivos fiscais tende a diminuir. O diferencial para atrair indústrias será a disponibilidade de gás a preço competitivo. Data centers, fertilizantes, termoelétricas, mineração de potássio… tudo passa pelo gás.”
Márcio Félix também destaca que Sergipe assumiu protagonismo nacional nas discussões sobre infraestrutura e abertura do mercado de gás natural. “O Estado está fazendo um dever de casa que é nacional. Sergipe passou a liderar discussões importantes sobre infraestrutura, distribuição de gás e atração de novos investimentos.”
Para ele, o Sergipe Oil & Gas tornou-se o principal ambiente para discutir esse novo ciclo econômico. “Sergipe virou uma espécie de Meca do setor. As pessoas não vêm apenas participar de um evento. Elas vêm porque o futuro está aqui.”
Mudar o mapa
O principal destaque da quinta edição do Sergipe Oil & Gas será o Projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), liderado pela Petrobras nas bacias de Sergipe-Alagoas.
O empreendimento prevê duas plataformas do tipo FPSO, com capacidade conjunta para produzir 240 mil barris de petróleo por dia e processar 22 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente, consolidando Sergipe como uma das principais fronteiras offshore do país. Segundo projeções do Governo de Sergipe e de representantes da indústria, quando os dois módulos estiverem em operação, a produção estadual poderá superar os 300 mil barris de óleo equivalente por dia, reposicionando o estado entre os maiores produtores brasileiros.
Para Márcio Félix, o impacto do SEAP ultrapassa as fronteiras sergipanas.”Não é apenas um projeto de Sergipe. É um projeto do Brasil. Toda a cadeia produtiva acompanha esse investimento porque ele já está contratado e vai impulsionar fornecedores, indústria naval, logística e novos negócios.”
Evolução da indústria
Criado em 2022, o Sergipe Oil & Gas nasceu com o objetivo de aproximar operadoras, fornecedores, universidades, investidores e instituições públicas, fortalecendo a cadeia produtiva de petróleo e gás no estado.
A primeira edição reuniu 468 participantes. Em 2023, o público passou para 722 inscritos. Em 2024, o evento registrou 2.650 participantes. Na quarta edição, realizada em 2025, o congresso alcançou 3.744 inscritos, crescimento de 24% em relação ao ano anterior. A feira reuniu 57 marcas, promoveu 26 painéis técnicos, contou com 90 palestrantes e realizou 204 reuniões de negócios entre 11 empresas compradoras e 114 fornecedoras, consolidando-se como um ambiente estratégico para geração de negócios.
Em 2026, a expectativa da organização é receber cerca de 5 mil participantes, ampliar a feira para aproximadamente 90 expositores e fortalecer ainda mais a presença de investidores, operadoras, fornecedores, universidades e startups.
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