
A disputa entre legislativo e Executivo em Pernambuco parece não ter fim. Dez dias depois de um duro discurso, o presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), deputado Álvaro Porto, fez um novo ataque ao publicar em seu perfil no Instagram uma sequência de sete cards com crítica direta à gestão da governadora Raquel Lyra. Na postagem, usa a estética inspirada na série norte-americana Stranger Things, que teve a sua quinta temporada lançada nesta semana, o que tem inspirado postagens nas redes sociais usando o programa como mote. Os materiais usam tons pretos e vermelhos e a trilha sonora da abertura da produção, associando a situação de Pernambuco ao “mundo invertido”, dimensão paralela que simboliza caos e deterioração na narrativa criada pelos irmãos Duffer.
Stranger Things se passa na cidade fictícia de Hawkins, no estado de Indiana, em 1983, e combina suspense, terror, drama e ficção científica. A série é inspirada no RPG Dungeons & Dragons e explora o surgimento de criaturas e anomalias após a abertura de uma fenda entre o mundo real e o “mundo invertido”. A quinta e última temporada estreou na última quarta-feira (28) na Netflix, com cenas marcadas por confrontos entre humanos e monstros que atravessam as fronteiras entre as duas dimensões.
No primeiro card, Porto questiona: “E se Pernambuco tiver caído no mundo invertido?”. A frase faz referência ao universo paralelo da série, um ambiente sombrio e desestabilizado, que representa a ruptura da normalidade. Na narrativa da franquia, o “mundo invertido” funciona como metáfora para ameaças que avançam quando estruturas de proteção falham – base da comparação construída pelo parlamentar.
Ataque à violência
Em seguida, Álvaro Porto afirma: “A violência saiu do controle, parece até Hawkins quando o Demogorgon escapou”. Hawkins é a cidade onde se passa a série, um município pequeno que enfrenta situações extremas após a abertura da fenda entre os dois mundos. Já Demogorgon, citado por ele, é o vilão central da primeira temporada: uma criatura que atravessa a barreira dimensional e dá início à escalada de ataques, simbolizando a perda de segurança que atinge os moradores da cidade.







O terceiro card amplia a crítica para a rede hospitalar estadual: “Hospitais sem remédio e sem estrutura, o Vecna faria menos estrago”. Vecna é o principal antagonista das temporadas mais recentes — um vilão com capacidade de manipular mentes e causar danos físicos e psicológicos severos, tanto no mundo real quanto no invertido. Ao mencioná-lo, Porto reforça a ideia de que o sistema de saúde estaria enfrentando problemas estruturais profundos.
Os ataques do presidente da Alepe não param por aí. No card seguinte, dispara: “SASSEPE abandonado; até o mundo invertido tem mais organização; servidores, aposentados e famílias inteiras desamparadas”. A menção ao “mundo invertido” novamente evoca a dimensão caótica da série, usada aqui para simbolizar, na visão do parlamentar, a desorganização administrativa.
O quinto card a crítica vai para a educação, com crítica à infraestrutura das escolas.: “Escolas estaduais com estruturas precárias; até os meninos de Hawkins estudavam em condição melhor”. Os “meninos de Hawkins” são os personagens centrais da série — um grupo de adolescentes cujas vidas escolares e familiares são constantemente atravessadas pelos eventos ligados ao mundo invertido.
Porto critica a educação
O sexto card aborda a transparência na gestão pública, um ponto que a oposição na Alepe tem batido muito, principalmente em relação aos empréstimos autorizadas pela Casa: “Sem transparência nos gastos, o pernambucano fica perdido no escuro, literalmente”. A metáfora remete à estética da série, que usa a escuridão como elemento visual associado ao desconhecido e ao risco, simbolizando aqui a dificuldade de acompanhar a execução dos recursos públicos.
O último card encerra a sequência com um recado político, deixando implícito que a oposição pode vir a assumir o governo. “Pernambuco não nasceu para viver no caos, e tem gente trabalhando para trazer a verdade à tona; o compromisso da Alepe é tirar Pernambuco desse episódio de terror e trazer nosso Estado de volta para o lado certo da história.”
A sequência de cards publicada por Porto aprofunda o embate político entre Executivo e Legislativo e utiliza elementos centrais de Stranger Things para representar, de forma metafórica, o que ele descreve como um Estado envolvido em instabilidade, desorganização e falta de resultados concretos.
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