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São Gonçalo do Amarante lança complexo pesqueiro mirando a Transnordestina

Área já delimitada nos distritos de Siupé, Taíba e Pecém abrigará indústrias de beneficiamento, logística e aquicultura. Robinson Crusoé, empresa âncora do projeto, planeja triplicar sua cadeia produtiva no município
Bruno Brandão
Bruno Brandão
De Fortaleza
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São Gonçalo do Amarante, município distante cerca de 65km de Fortaleza, no Ceará, tem um novo instrumento legal e uma parceria com o Governo do Ceará para transformar seu litoral em polo nacional da economia azul. Com a sanção da Lei Municipal 2.124/2026, em 30 de março, ficou delimitada a área do Complexo Industrial Pesqueiro e Logístico, que abrange os distritos de Siupé, Taíba e Pecém. A expectativa é atrair inicialmente cerca de 10 empresas e gerar mais de 2 mil empregos diretos.

No dia seguinte à aprovação da lei na Câmara Municipal, o prefeito Marcelo Teles (PT) assinou, na sede da Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE), um Memorando de Entendimentos (MoU). O documento formaliza o apoio do Governo do Estado na articulação de financiamentos e na atração de investimentos públicos e privados para o complexo.

O secretário estadual Domingos Filho e o prefeito Marcelo Teles assinaram memorando de entendimentos para estruturar o Complexo Industrial Pesqueiro e Logístico de São Gonçalo do Amarante - Foto: Divulgação
Registro da assinatura do memorando de entendimentos para estruturar o Complexo Industrial Pesqueiro e Logístico de São Gonçalo do Amarante. Foto: Divulgação

“Este é um momento histórico para o nosso município. A criação do Complexo Pesqueiro e Logístico garante mais desenvolvimento econômico e, o mais importante, empregabilidade para a nossa população”, disse Marcelo Teles, prefeito de São Gonçalo do Amarante, ao Movimento Econômico.

Entre as estruturas previstas no complexo estão um armazém frigorífico com capacidade superior a 3 mil toneladas, fábricas de farinha de pescado e novas unidades industriais. A proposta central do complexo é concentrar em um único perímetro toda a cadeia produtiva da pesca e da aquicultura: indústrias de beneficiamento de pescado, agroindústrias, operações logísticas, empresas de tecnologia, energia, comércio e serviços. A integração da infraestrutura, sistemas viários, hídricos e de conectividade, é parte essencial do projeto.

De acordo com a Lei Municipal 2.124/2026, o município poderá promover apoio institucional à integração do Complexo Industrial Pesqueiro e Logístico com o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) e com a Zona de Processamento de Exportação (ZPE). Tendo o Pecém como um dos seus distritos, o município também sinalizou uma perspectiva de futura conexão com a Ferrovia Transnordestina, o que ampliaria o alcance logístico do polo para o interior do Nordeste, conectando a produção industrial pesqueira diretamente ao porto, facilitando o transporte dos containers.

A expectativa é de que insumos como farinha de trigo, soja, milho e fertilizantes vindos do cerrado piauiense e do sertão nordestino poderão chegar por trilhos até a porta do complexo pesqueiro, reduzindo o custo logístico de toda a cadeia produtiva. No sentido inverso, produtos processados, como conservas de atum e sardinha, poderão ganhar acesso mais barato e eficiente ao porto de exportação.

Com 700 colaboradores diretos, a Robinson Crusoé é considerada uma das maiores produtoras e exportadoras de atum do Brasil - Foto: Divulgação
Com 700 colaboradores diretos, a Robinson Crusoé é considerada uma das maiores produtora e exportadora de atum do Brasil – Foto: Divulgação

Robinson Crusoé: a empresa-âncora

Instalada em São Gonçalo do Amarante desde 2014 e pertencente ao grupo espanhol Jealsa, uma das cinco maiores indústrias de conserva de pescado do mundo, a Robinson Crusoé é hoje uma das maiores produtora e exportadora de atum do Brasil. A empresa responde por 11% do mercado nacional de atum em conserva, abastece todas as regiões do país e exporta para mais de 10 países, com fluxo intenso pelo Porto do Pecém.

“Temos orgulho de ter em nosso município a maior indústria produtora e exportadora de atum do Brasil, que é a Robinson Crusoé. Com a implantação do Complexo Industrial Pesqueiro e Logístico, a expectativa é que a Robinson Crusoé amplie a sua indústria e avance com projetos de armazenamento e processamento, o que vai gerar mais empregos”, disse o prefeito de São Gonçalo do Amarante.

A empresa emprega atualmente 700 colaboradores diretos e gera mais de 2.500 empregos indiretos na pesca local. Com o complexo em operação, a projeção é ultrapassar 1.000 empregos diretos e envolver até 3.000 pessoas na cadeia produtiva.

“Fechamos as arestas para dar andamento ao financiamento estrutural. Nossa perspectiva é avançar com projetos de armazenamento e processamento que exigirão mão de obra muito especializada. Atualmente temos 700 colaboradores diretos, mas com o complexo a pleno vapor, pretendemos ultrapassar mil empregos diretos e envolver até 3 mil pessoas em nossa cadeia produtiva”, disse Fernando Botelho, diretor-geral da Robinson Crusoé.

Complexo Industrial Pesqueiro e Logístico abrangerá os distritos de Siupé, Taíba e Pecém e poderá operar de forma integrada ao Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) -  Foto: Divulgação
Complexo Industrial Pesqueiro e Logístico abrangerá os distritos de Siupé, Taíba e Pecém e poderá operar de forma integrada ao Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) – Foto: Divulgação

Sustentabilidade como requisito de entrada

O uso sustentável dos recursos marinhos não é uma diretriz opcional no modelo de governança do complexo: é condição para a instalação de qualquer empresa. Cada empreendimento deverá cumprir integralmente a legislação ambiental nos níveis federal, estadual e municipal, adotar tecnologias limpas, eficiência energética e fontes renováveis, além de valorizar comunidades tradicionais e fortalecer a atividade pesqueira local.

Arte: IA/ME

“Nosso objetivo é tornar São Gonçalo do Amarante referência na economia azul. O complexo vai atrair projetos voltados à sustentabilidade ambiental, uso sustentável dos recursos marinhos, eficiência energética e uso de energias renováveis”, disse Marcelo Teles, prefeito de São Gonçalo do Amarante.

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