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CE tem 100% das obras da Transnordestina autorizadas: PI fica para 2026

A assinatura abre 2 mil novos empregos e amplia o potencial logístico e econômico da Transnordestina, enquanto a operação entre Piauí e Ceará aguarda licença para iniciar em 2026
Bruno Brandão
Bruno Brandão
De Fortaleza
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Governador Elmano de Freitas durante assinatura dos novos trechos da Transnordestina no Ceará - Foto: Governo CE
Governador Elmano de Freitas durante assinatura dos novos trechos da Transnordestina no Ceará – Foto: Governo CE

Enquanto o trecho entre Bela Vista, no Piauí, e Iguatu, no Ceará, segue aguardando a licença de operação por parte do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o governador do Ceará, Elmano de Freitas, participou, nesta quinta-feira, 11, da assinatura das autorizações que garantem o avanço das fases da Transnordestina em território cearense. O complemento, no valor de R$ 942 milhões, é referente à construção dos 97 km necessários para completar o percurso no Ceará. A Transnordestina Logística S/A (TLSA) e o Governo do Estado oficializaram a autorização para as obras dos lotes 9 e 10, ligando Baturité a Caucaia e passando por Aracoiaba, Redenção, Acarape, Guaiúba, Palmácia e Maranguape. 

A assinatura representa a mobilização de 100% das obras no território cearense, desde Acopiara até o Porto do Pecém, com todos os trechos em construção. Segundo a empresa, o intervalo entre Salgueiro (PE) e Acopiara já está completamente executado. A autorização também prevê a geração de até 2 mil empregos diretos.

Para o governador Elmano de Freitas, trata-se de um marco transformador para a economia do Ceará. “Estamos falando de uma obra que, quando concluída, passa de R$ 15 bilhões, algo que vai transformar a economia do estado, colaborar com a logística do país e pode dobrar a movimentação de carga do Porto do Pecém”, destacou.

Elmano também ressaltou os impactos logísticos positivos para diversos setores produtivos. “Tenho certeza de que estamos em um momento histórico e que, efetivamente, começamos a vislumbrar a conclusão da Transnordestina. Isso representa um ganho imenso para o Brasil e para áreas como calçados, agronegócio e hidrogênio verde”, afirmou.

O avanço se soma ao andamento da Fase I do projeto, que liga Paes Landim (PI) ao Porto do Pecém (CE) e já atingiu 79% de execução física. O diretor de Relações Governamentais da Transnordestina, Ismael Trinks, classificou o dia como “feliz”, marcando mais um capítulo da história do Nordeste. “Estamos possibilitando a criação de empregos e oferecendo uma opção logística extremamente eficiente e barata para o Nordeste, especialmente para o Ceará”, disse.

Atualmente, 676 quilômetros da linha principal estão concluídos, enquanto outros 280 km seguem em obras entre os lotes 4 e 8 e no lote 11, que corresponde à chegada ao terminal portuário. A previsão é de que a Fase I seja entregue até 2027, garantindo a conexão plena com o Porto do Pecém. A construtora Agis será responsável pela execução, com mobilização iniciada nos próximos dias.

O superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, também ressaltou o impacto regional da ferrovia. “Quando falamos em desenvolvimento regional, estamos falando em geração de emprego e da necessidade dessa ligação, que integrará o Nordeste ao Centro-Sul por meio da Ferrovia Norte-Sul. Isso dará ao Porto do Pecém o que é essencial: uma linha férrea capaz de transportar produção e carga”, pontuou.

Trecho da Transnordestina entre Piauí e Ceará
Trecho da Transnordestina entre Piauí e Ceará inicia testes com cargas de milho – Foto: TLSA/Divulgação

Trecho entre Piauí e Ceara fica para 2026

Com previsão de início em outubro deste ano, o Ibama travou a licença operacional por conta de uma série de impedimentos citados pelo órgão ambiental, entre eles: ausência de aprovação do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), ausência de manifestação favorável do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), considerando que o traçado da ferrovia afeta diretamente comunidades quilombolas e a análise das informações complementares apresentadas pela empresa relativas ao Plano Ambiental de Operação (PAO). Todos os pontos já estão sendo ajustados pela TLSA. 

O empresário Eugério Queiroz, um dos primeiros compradores dos grãos transportados pela Transnordestina no Ceará e sócio do terminal de Iguatu, afirmou que a nova carga para o início da operação entre Piauí e Ceará também deverá ser milho e tem início previsto para janeiro de 2026. O momento inclusive deve ser acompanhado pelo presidente Lula, que irá do Piauí ao Ceará. “Essa semana devemos resolver o impasse. A expectativa é iniciar o envio em janeiro de 2026. A carga anterior, que teve o início cancelado, já demos destino. A nova carga deve sair do Piauí e também deverá ser milho, como da vez anterior”, disse.

Em nota, o Ibama informou que recebeu, no fim de novembro, a documentação complementar apresentada pela Transnordestina Logística S.A. referente à licença de operação da ferrovia. A análise técnica segue em andamento.

Terminais cearenses

No Ceará, estão previstos três terminais de carga: Missão Velha, Iguatu e Quixeramobim. Este último abrigará o Porto Seco José Dias de Macêdo, um dos empreendimentos mais robustos do novo corredor logístico, conduzido pela Value Global Group. Com mais de 362 hectares e investimento estimado em R$ 1 bilhão, ele será construído em duas fases. A primeira, de R$ 350 milhões, deve ser concluída até agosto de 2026 e gerar 1.300 empregos. A segunda, que contempla o processo de alfandegamento, está prevista para 2027.

O Porto Seco irá permitir armazenagem, movimentação e, futuramente, despacho aduaneiro, reduzindo custos e ampliando a eficiência logística no interior do estado. A Value Global também projeta instalar um distrito industrial no local, reforçando o papel do Ceará como hub logístico e industrial do Nordeste.

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