
O turismo inclusivo vem ganhando força no Nordeste, com resorts e hotéis investindo em acessibilidade e serviços personalizados para receber hóspedes com deficiência física, mobilidade reduzida, autismo e outras condições. No litoral baiano, o Resort Jardim Atlântico, em Ilhéus, é um dos que se destacam nesse movimento, ao oferecer estruturas pioneiras como cadeira anfíbia que leva cadeirantes até o mar e elevador exclusivo na piscina, o primeiro instalado na região.
Nos últimos anos, importantes empreendimentos do Nordeste também têm seguido essa tendência. O Summerville All Inclusive Resort, em Porto de Galinhas (PE), mantém uma infraestrutura adaptada com quartos acessíveis, rampas e áreas comuns planejadas para pessoas com deficiência.
Na Bahia, o Cana Brava Resort, também em Ilhéus, investe em quartos adaptados e espaços de lazer acessíveis, enquanto o Grand Palladium Imbassaí Resort & Spa, no Litoral Norte baiano, aposta em rotas acessíveis dentro do complexo. Essas iniciativas, cada vez mais comuns, mostram que a inclusão já se tornou diferencial competitivo na hotelaria da região.
Durante a Travel Next Minas, realizada em Belo Horizonte, o Movimento Econômico conversou com Taís Castro, executiva comercial do Jardim Atlântico Beach Resort. Ela destacou os investimentos feitos pelo empreendimento em Ilhéus, que completou 20 anos recentemente, para garantir experiências personalizadas a hóspedes cadeirantes, autistas e com outras condições específicas.
“Temos cadeiras de rodas de passeio, de banho e anfíbias, banheiros adaptados nas áreas comuns e apartamentos preparados. Mas o nosso diferencial é garantir autonomia: somos o primeiro da região a instalar um elevador dentro da piscina, para que cadeirantes possam entrar e sair com independência”, explica.
A proposta não se limita à infraestrutura física. O resort também investiu na capacitação dos colaboradores para atendimento a pessoas autistas. “Não mudamos a brincadeira por causa da criança autista, nós a incluímos na atividade. Separamos apenas é exclusão, e o nosso foco é sempre a inclusão. Isso tem feito nosso público autista crescer bastante”, ressalta Taís.
A gastronomia é outro ponto pensado para acolher hóspedes com restrições alimentares. Um guest relation entrevista cada hóspede na chegada e identifica necessidades específicas. “Se alguém é celíaco, vegano ou tem intolerância, nossa equipe de cozinha adapta o cardápio. O chefe vai até a mesa conversar e garantir que a experiência seja personalizada. É esse cuidado que fideliza”, diz a executiva.

Com 129 apartamentos, o Jardim Atlântico aposta no atendimento próximo como diferencial em relação a grandes redes. Localizado à beira-mar e a poucos minutos do aeroporto e do centro de Ilhéus, o resort combina a estrutura urbana com a tranquilidade do litoral. Além das adaptações inclusivas, oferece opções de lazer como quadras de beach tennis, Kids Club, restaurante certificado pela ISO 9001 e até uma fazendinha de chocolate que remete à tradição regional.
Turismo inclusivo deve ganhar cada vez mais espaço
Para Taís, o turismo inclusivo já é uma realidade em crescimento no Brasil e deve ganhar cada vez mais espaço. “É um público que está crescendo e viajando bastante. A inclusão faz parte desde a educação infantil, e o turismo acompanha esse movimento. A gente precisa fazer a nossa parte e, ao servir de exemplo, estimular que outros hotéis também se adequem”, avalia.
O cenário em Ilhéus reforça esse caminho. A cidade, além das praias, tem apostado em roteiros culturais, ecológicos e náuticos — como a rota do chocolate, a observação de baleias e experiências em comunidades indígenas. Com a rede hoteleira atenta às necessidades de diferentes perfis de viajantes, a região tende a consolidar-se não apenas como destino turístico, mas também como referência em turismo acessível e inclusivo.
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