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Subvenção alivia crise da cana, mas plantio de inverno segue ameaçado em Alagoas

Alagoas deve receber R$ 90 mi da MP, mas produtores de cana dizem não ter recursos para adubação e manutenção das socarias
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  1. Medida Provisória garante R$ 300 milhões em subvenção para produtores de cana-de-açúcar do Nordeste.
  2. Alagoas receberá R$ 90 milhões, mas falta de insumos compromete plantio de inverno no estado.
  3. Safra 2025/2026 registrou 20% de perdas devido à seca severa e queda de 40% no ATR.
  4. Liberação dos recursos pode demorar entre 30 e 60 dias após conclusão da tramitação no Congresso.
  5. Subvenção beneficiará oito em cada dez produtores de cana-de-açúcar do Nordeste, segundo presidente da Câmara.
Produtores de cana de açúcar em Alagoas
Enfrentando dificuldades financeiras desde a safra passada, produtores de cana-de-açúcar de Alagoas relatam dificuldades para adubar e manter socarias no plantio de inverno. Foto: Divulgação

A assinatura da Medida Provisória que garante R$ 300 milhões em subvenção para produtores de cana-de-açúcar do Nordeste deve amenizar, mas não resolve por completo a crise enfrentada pelos produtores em Alagoas. O estado deve receber R$ 90 milhões, mas a falta de insumos está comprometendo o plantio de inverno no estado, importante para garantir um canavial produtivo na próxima safra.

A safra 2025/2026 encerrou com 20% de perdas para os produtores, segundo estimativas da Associação dos Plantadores de Cana de Alagoas (Asplana). O clima severo, com baixa precipitação pluviométrica e a queda de 40% no valor do ATR do açúcar foram desafiadores para os produtores.

O presidente da entidade, Edgar Antunes, explicou ao Movimento Econômico que a subvenção aprovada pelo presidente Lula vai ajudar, mas não resolve a situação em Alagoas.

“O plantio de inverno está muito difícil. Ninguém [produtores] tem dinheiro para manter as socarias nem adubar suas plantações. Quanto mais demorar esse plantio, vai comprometer a safra que vem. Estamos buscando todas as formas de ajudar os produtores do estado”, disse.

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A subvenção vinha sendo pleiteada por diversas associações que representam os produtores de cana-de-açúcar no Nordeste. Em Alagoas, o pleito foi encaminhado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Alagoas (Faeal) ao governo federal, que buscava garantir um subsídio que amenizasse as altas taxas de juros, tarifas e os efeitos da seca durante a última safra.

Os produtores de Alagoas devem receber cerca de R$ 90 milhões e aguardam a conclusão da tramitação no Congresso para que os valores sejam liberados. “Isso pode demorar de 30 a 60 dias e já estamos mobilizados para entender como vai ser feito o pagamento. Estamos já em contato com o Ministério da Agricultura também”, afirmou.

Durante o lançamento do Plano Safra, o presidente da Câmara dos Deputados, deputado Hugo Mota, disse que a Medida Provisória foi um compromisso assumido pela casa com os produtores independentes de cana-de-açúcar do Nordeste. Ele afirmou que o valor garantido pela subvenção vai beneficiar oito em cada dez produtores da região.

“Essas famílias enfrentaram três choques ao mesmo tempo: o tarifaço norte-americano, que taxou as cotas de exportação do Nordeste, a queda do preço do açúcar no mercado interno e o aumento do custo dos insumos para produzir. Para o pequeno produtor, o resultado disso foi ver o seu canavial parado e a sua renda no vermelho. Mas a Câmara está atuando para mitigar esse problema e por isso, todo diálogo é fundamental”, afirmou.

Presidente da Asplana Alagoas, Edgar Filho, alerta que queda no preço do ATR pode afetar empregos e produtores de cana
Presidente da Asplana, Edgar Antunes, diz que entidade vai cobrar auxílio do governo de Alagoas para amenizar situação crítica de produtores do estado. Foto: Divulgação

Produtores de cana mantém pedido de ajuda a governo de Alagoas

Os produtores também seguem em diálogo para viabilizar auxílio por parte do Governo de Alagoas. A Asplana encabeçou reuniões com a Secretaria da Fazenda e buscava subvenção emergencial de R$ 12 por tonelada de cana produzida.

No início de maio, Edgar esteve reunido com a secretária da Fazenda de Alagoas, Renata Santos e com o secretário especial da Receita Estadual, Francisco Suruagy, e entregou um documento com demandas e solicitações para minimizar os impactos no setor canavieiro.

Na ocasião, a Sefaz informou que a condução do tema segue alinhada à responsabilidade fiscal e ao compromisso com o desenvolvimento econômico do estado.  

“A princípio, estávamos pleiteando auxílio com adubos fertilizantes, como ocorreu em Pernambuco, mas como houve demora por parte do governo, esse período da adubação já ficou tarde para os produtores. Mas a situação segue complicada e vamos cobrar o estado esse auxílio aos produtores”, completou.

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