
A prefeitura de Traipu, no Agreste alagoano, anunciou que vai reduzir temporariamente alguns serviços públicos no município. O motivo decorre da dificuldade em adquirir combustível no mercado local para abastecer a frota de veículos municipais A diesel.
Em comunicado, o município argumenta que a situação “é consequência do aumento global dos preços do petróleo, agravado pelo cenário internacional, com o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que tem impactado diretamente o fornecimento”.
Por conta disso, vem enfrentando dificuldades para realizar o abastecimento de veículos a diesel e irá, temporariamente, priorizar serviços essenciais, especialmente o transporte de pacientes por ambulâncias e atendimentos de urgência na área da saúde.
Na nota, Traipu informa que “outros serviços poderão sofrer redução temporária até a normalização do abastecimento. A gestão municipal segue acompanhando a situação e adotando medidas para reduzir os impactos à população”.
Apesar do cenário de incertezas que ronda diversas economias pelo mundo por conta dos efeitos diretos e indiretos que o conflito no Oriente Médio pode causar, nenhuma outra prefeitura do estado comunicou que adotará medida semelhante ao município de Traipu.
A Associação dos Municípios Alagoanos (AMA) informou que até o momento não recebeu informações sobre desabastecimento no interior do estado ou alterações no funcionamento municipal em decorrência da dificuldade de acesso a diesel ou outro combustível.
Já o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Alagoas (Sindicombustíveis) informou que também não recebeu relatos de desabastecimento em postos de combustíveis em Alagoas.

Nordeste não registra desabastecimento de diesel, diz ANP
Nos últimos dias, motoristas em todo o país têm estado às voltas com os abruptos aumentos no preço dos combustíveis, mesmo que ainda não haja risco de desabastecimento.
Em Alagoas, o preço médio do diesel, por exemplo, está custando R$ 6,81, mas há postos de combustíveis onde o valor supera R$ 7,50. O mesmo ocorre com a gasolina e o etanol, que tem valores próximos ou superiores a R$ 7.
O Procon Alagoas iniciou na última semana uma operação de fiscalização nos postos de combustíveis com o objetivo de verificar se o aumento no valor da gasolina é justificável. A ação ocorre com o aval do Ministério da Justiça e integra uma mobilização nacional que reúne Procons de todos os estados.
Já a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou ao Movimento Econômico que, até o momento, não identifica restrições à manutenção das atividades nem à disponibilidade de combustíveis no mercado doméstico, considerando as fontes usuais de suprimento do país e as importações. Ainda assim, diante do cenário internacional, a agência decidiu intensificar o monitoramento de estoques e importações como medida preventiva para evitar possíveis problemas futuros de abastecimento.
Entre as ações adotadas, a ANP declarou sobreaviso no abastecimento de combustíveis no Brasil, o que obriga produtores, importadores e distribuidoras a enviar informações adicionais sobre estoques e movimentações de gasolina A, óleo diesel A S10 e óleo diesel A S500.
A Agência também flexibilizou, em caráter excepcional e até 30 de abril de 2026, as regras de estoques mínimos de diesel e gasolina para aproximar os volumes da ponta de consumo e ampliar a fluidez do suprimento ao mercado.
Além disso, determinou que a Petrobras oferte imediatamente os volumes de combustíveis referentes aos leilões de diesel e gasolina A de março que haviam sido cancelados e alertou agentes do setor sobre a possibilidade de responsabilização em casos de recusa injustificada de fornecimento ou prática abusiva de preços.
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