
De obras públicas regionais à participação em alguns dos maiores projetos de infraestrutura do país, a construtora alagoana Engemat vem ampliando sua atuação ao apostar em parcerias público-privadas (PPPs). A empresa venceu o leilão para a construção do Centro Administrativo de Maceió e integra o consórcio responsável pelo novo Centro Administrativo do Governo de São Paulo, estimado em cerca de R$ 6 bilhões.
Fundada em Alagoas há cerca de três décadas, a Engemat construiu sua trajetória atuando em diferentes segmentos da construção civil, principalmente em obras públicas. Em entrevista ao Movimento Econômico, o sócio da empresa, Virgílio Vilar, conta que a diversificação foi uma necessidade diante das limitações do mercado local. “Alagoas tem uma economia pequena. Então não dá para ser especialista em uma única área”, disse.
Ao longo desse período, a construtora participou de projetos de infraestrutura em diferentes estados do Nordeste e em outras regiões do país. Segundo Virgílio, entre os contratos recentes estão obras de unidades hospitalares em Pernambuco, projetos rodoviários no Paraná e empreendimentos de infraestrutura no Mato Grosso, além de intervenções em áreas como saneamento, habitação e equipamentos públicos.
“Nós somos uma empresa diversa. Fazemos habitação popular, hospitais, estrada, saneamento, fazemos de tudo, porque não dá para ser especialista numa economia pequena”, disse.
PPPs ganham força pelo país em contratos de longo prazo
Nos últimos anos, a empresa passou a direcionar parte da sua estratégia para projetos estruturados de parceria público-privada (PPP), modelo em que o setor privado participa da construção, operação e manutenção de equipamentos públicos por contratos de longo prazo.
Segundo Virgílio, esse formato tem ganhado espaço no país como alternativa para ampliar a capacidade de investimento do setor público em infraestrutura. “Esse modelo é um caminho sem volta. O poder público alonga a curva de investimento e consegue tirar projetos do papel sem precisar fazer todo o desembolso imediato”, afirmou.
A Engemat passou a disputar projetos desse tipo em diferentes estados e hoje integra consórcios responsáveis por iniciativas nas áreas de habitação, educação e infraestrutura administrativa.

Em Maceió, o projeto prevê investimento de R$ 197 milhões e tem como principal diferencial a proposta de retrofit. Três edifícios que estavam abandonados no Centro da capital serão revitalizados para receber órgãos da administração municipal, preservando a identidade histórica da cidade e evitando a demolição das estruturas.
O empreendimento prevê concessão de 30 anos para construção – que já foi iniciada – operação e manutenção do espaço. O modelo inclui fornecimento de serviços, materiais e mão de obra.
“Nós participamos também da PPP de escolas em São Paulo. Nesse modelo, a gente constrói, mantém e opera a escola por um período de 30 anos. A parte pedagógica continua com o Estado, mas toda a parte de manutenção, vigilância e serviços fica sob responsabilidade da concessionária”, contou.
“Nos últimos meses participamos de licitações em cidades como Caxias do Sul, Porto Alegre, Campo Grande e em estados como Mato Grosso. É um modelo que está crescendo muito no Brasil”, afirmou Virgílio.
PPP de R$ 6 bilhões vai transformar centro administrativo paulista
A expansão da Engemat no modelo de parcerias público-privadas também levou a empresa a participar de um dos maiores projetos de requalificação urbana em andamento no país. A construtora integra o consórcio MEZ-RZK Novo Centro, vencedor do leilão realizado na B3 para implantação do novo Centro Administrativo do Governo de São Paulo, empreendimento estimado em cerca de R$ 6 bilhões.
A concessão administrativa prevê a construção, reforma, manutenção, gestão e operação de 10 edifícios corporativos, além da restauração de 17 imóveis tombados na região de Campos Elíseos, no centro da capital paulista. O projeto também inclui ampliação do Parque Princesa Isabel e a implantação de auditórios, teatro, áreas comerciais e espaços de convivência.
A expectativa é que o complexo concentre cerca de 22 mil servidores públicos estaduais, reunindo secretarias e órgãos hoje distribuídos em diferentes pontos da cidade.
Segundo Virgílio Vilar, a proposta segue uma tendência observada em grandes centros urbanos de reocupação de áreas centrais com atividades administrativas, serviços e moradia. “A previsão é de trabalhar ali no centro com cerca de 22 mil pessoas. Naturalmente, uma parte dessa população vai querer morar próximo. Quando você leva esse contingente para uma região, começam a aparecer cafés, restaurantes e outros serviços”, afirmou.
Ele destaca que projetos desse tipo tendem a gerar um efeito de revitalização urbana ao atrair circulação de pessoas e investimentos privados para regiões degradadas. “Os centros urbanos só se recuperam quando voltam a ter vida. Quando ficam vazios à noite, acabam se deteriorando”, disse.

Financiamento e mão de obra estão entre os desafios do setor
Apesar da expansão das parcerias público-privadas no país, Virgílio afirma que o modelo ainda enfrenta desafios importantes para ganhar escala no Brasil. Entre os principais entraves está a necessidade de financiamento de longo prazo para viabilizar os investimentos iniciais exigidos pelos projetos.
“Qual é a grande dificuldade desses modelos? É o financiamento. Você precisa de capital para fazer o investimento inicial e depois recuperar isso ao longo do contrato”, explicou.
Outro desafio apontado pelo empresário é a escassez de trabalhadores qualificados na construção civil, problema que tem afetado obras em diferentes regiões do país.
“Hoje é um verdadeiro deserto de gente. Falta mão de obra em praticamente todas as funções da construção”, afirmou.
Segundo ele, a tendência é que o setor avance cada vez mais para processos construtivos industrializados, como estruturas pré-moldadas, como forma de reduzir a dependência de mão de obra intensiva nos canteiros de obras.
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