
A Equatorial Alagoas vai investir R$ 4,29 milhões na implantação de um sandbox regulatório, um ambiente controlado de testes autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), nas cidades de Maceió e Marechal Deodoro. O projeto “Integração Eficiente de Recursos Energéticos Distribuídos” permitirá testar, em condições reais, a integração entre geração solar distribuída, sistemas de armazenamento de energia, veículos elétricos e novas dinâmicas de consumo na rede de baixa tensão.
A iniciativa do sandbox regulatório foi aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica no último dia 3 e será implantada nos municípios de Maceió e Marechal Deodoro e envolverá 400 unidades consumidoras, divididas igualmente entre grupo de aplicação e grupo de controle.
Os participantes serão selecionados por sorteio, o que permitirá uma avaliação técnica precisa dos impactos do projeto, incluindo ganhos de eficiência, qualidade do fornecimento e comportamento do consumo de energia ao longo do período de testes.
A amostra inclui consumidores residenciais, comerciais e de serviços públicos, com e sem participação no Sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE), além de diferentes perfis de consumo e padrões de recarga de veículos elétricos. O objetivo é garantir diversidade estatística e permitir comparações robustas entre os grupos.
O investimento total previsto é de R$ 4.291.540,00 e inclui a contratação de equipe especializada, serviços técnicos e a infraestrutura necessária para o monitoramento do experimento. A metodologia adotada permitirá gerar dados inéditos sobre a integração desses recursos ao sistema elétrico, com potencial de subsidiar futuras decisões regulatórias em âmbito nacional.
O prazo total de execução do sandbox regulatório é de 22 meses, sendo 14 meses dedicados à fase de campo, com início previsto para fevereiro de 2026 e conclusão em novembro de 2027.
O sandbox permitirá coordenar, de forma inédita no país, o uso simultâneo de diferentes recursos energéticos distribuídos na rede de baixa tensão. Na prática, o experimento vai avaliar como a geração fotovoltaica, os sistemas de armazenamento de energia e os veículos elétricos podem operar de maneira integrada, alinhando consumo, eficiência e estabilidade do sistema elétrico.
O modelo de sandbox segue tendências globais ligadas à descarbonização, à digitalização das redes e à transição para uma matriz energética mais sustentável.

Sandbox tem foco em tarifas dinâmicas e mobilidade elétrica
Em nota, a Equatorial Alagoas informou que o projeto tem como um de seus principais objetivos testar um modelo de tarifas dinâmicas, voltado especialmente para proprietários de veículos elétricos. A proposta é incentivar o carregamento fora dos horários de maior custo de energia, estimulando hábitos de consumo mais eficientes e contribuindo para o equilíbrio da rede.
A distribuidora destacou ainda que o sandbox não tem como finalidade conter o avanço da geração distribuída no estado. “A Equatorial reforça que não possui nenhuma ação ou projeto para restringir a geração de energia solar ou outras fontes renováveis em Alagoas”, afirmou a empresa, ao esclarecer que a iniciativa busca organizar e tornar mais eficiente a integração dessas tecnologias ao sistema elétrico.
Estado vê projeto como marco para inovação energética
Para o governo de Alagoas, a aprovação do sandbox representa um avanço estratégico na inserção do estado no cenário nacional da inovação energética. A secretária de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Alice Beltrão, avalia que a iniciativa amplia a capacidade de Alagoas de atrair investimentos em novas tecnologias e de liderar debates sobre a modernização do setor elétrico.
“Estamos diante de uma iniciativa que integra geração distribuída, armazenamento e mobilidade elétrica, com potencial real de tornar o sistema mais eficiente, sustentável e inteligente. Ao sediar esse tipo de experimento, Alagoas demonstra que está preparado para receber investimentos e liderar o futuro da energia no Brasil”, afirmou.
Na avaliação do superintendente de Políticas Energéticas da Sedics, Bruno Macêdo, o projeto inaugura uma nova etapa na gestão da energia no estado. “Este é o primeiro experimento no país a envolver a tecnologia V2G, além de enfrentar de forma estruturada os desafios da mobilidade elétrica e da gestão moderna da distribuição. É um marco técnico e regulatório que coloca Alagoas em posição de destaque no debate sobre o futuro energético nacional”, destacou.
A Sedics informou que seguirá acompanhando a execução do sandbox para assegurar que os avanços tecnológicos se traduzam em desenvolvimento econômico, melhoria dos serviços e mais qualidade de vida para a população alagoana.
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