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Maceió usará tecnologia japonesa para reativar trem em área da mineração

Trilhos de Maceió serão equipados com tecnologia usada no Japão em locais que sofreram desastres ambientais e abalos sísmicos
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Linha férrea reativada em área afetada por mineração em Maceió
Interditado em 2020, trecho entre bairros do Mutange e Bebedouro será reativado para circulação de trens em Maceió. Foto: Secom Maceió

Seis anos após ter a circulação de trens interrompida por conta dos efeitos da extração de salgema em cinco bairros de Maceió, a prefeitura do município deu início a mais uma etapa das obras de reconstrução da linha férrea nos bairros de Bebedouro e Mutange. A volta da circulação de trens pelo local, prevista para 2027, será possível com o uso de tecnologia japonesa para mitigar impactos em áreas que sofreram com desastres naturais.

Segundo informou a Prefeitura de Maceió ao Movimento Econômico, já foram executadas obras de terraplanagem no local que receberá os trilhos, mantendo o traçado original, que liga o bairro do Jaraguá à estação Lourenço de Albuquerque, na cidade de Rio Largo. Até junho, a previsão é realizar a aposição dos trilhos, que vai contar com uma tecnologia usada no Japão em locais que sofreram com desastres ambientais e abalos sísmicos.

A prefeitura explicou que os trilhos que ficarão situados na Avenida Major Cícero de Góes, em Bebedouro, serão equipados com tecnologias de mitigação de riscos operacionais e monitoramento em tempo real, permitindo a detecção de alterações em sua geometria e deformações na região dos dormentes, a fim de garantir uma operação segura para os usuários do Veículo Leve sobre Trilho (VLT).

Paralelo às obras nos trilhos, estão sendo realizadas etapas finais de obras de contenção de encostas, o que vai permitir a estabilização do solo e mitigar o risco de movimentos de massa na região.

Comitiva foi ao Japão conhecer tecnologia para usar em Maceió

Em novembro de 2024 uma comitiva com técnicos da Defesa Civil de Maceió e da Companhia Brasileira de Trans Urbanos (CBTU) foi até o Japão conhecer o Railroad Technical Research Institute e ver boas práticas internacionais no gerenciamento de emergência sísmico ferroviária. O país asiático é referência no uso de tecnologias avançadas contra eventos sísmicos.

Segundo o coordenador da Defesa Civil de Maceió, Abelardo Nobre, a visita foi importante para a elaboração de recomendações que devem ser seguidas no uso do solo onde o trem voltará a circular.

Defesa Civil de Maceió vistoria obras de reconstrução de linha férrea em bairros afetados pela mineração
Defesa Civil de Maceió vistoria obras de reconstrução de linha férrea em bairros afetados pela mineração. Foto: Secom Maceió

Além dos equipamentos nos trilhos, dados de monitoramento e os estudos realizados, indicam a correlação positiva entre a redução da velocidade de deslocamento e as atividades de preenchimento das cavidades com areia (backfilling), o que torna evidente a necessidade de continuidade no enchimento das cavidades 20/21, 27, 15 e demais cavidades necessárias para dar segurança à passagem do trem. Apesar do retorno da circulação, o um trecho localizado na Av. Major Cícero de Góes Monteiro, entre o antigo Colégio Bom Conselho e a ladeira da Gruta do Padre Cícero Romão Batista deverá permanecer sob monitoramento contínuo realizado pela Defesa Civil de Maceió e demais órgãos competentes.

Essas tecnologias já são utilizadas no Japão e trouxeram resultados satisfatórios para o país. E queremos utilizá-las aqui em Maceió para que os impactos desse desastre possam, na medida do possível, serem minimizados”, disse.

Nobre também destacou que utilização da região para o retorno da passagem do trem segue critérios de segurança e monitoramento. O trem só poderá voltar a circular na região após todas as recomendações serem realizadas pela CBTU com anuência da Defesa Civil de Maceió.

“O uso do local será momentâneo, somente por um curto espaço de tempo, que é o tempo de passagem do trem pela região. Não serão construídas paradas de trem em todo o trecho dentro dos bairros afetados. A política do desastre não nos permite viabilizar o retorno de construções que ocupem a região de forma permanente”, afirmou.

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