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Nordeste já soma R$ 66 bi em projetos aprovados na Nova Indústria Brasil

Nordeste concentra 14% dos recursos nacionais da política de neoindustrialização, puxado pela Bahia e Ceará
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Ceará é um dos estados com maior número de projetos no Nordeste no Nova Indústria Brasil
Ceará é um dos estados com maior número de projetos no Nordeste no Nova Indústria Brasil. Foto: Governo do Ceará

A política de neoindustrialização implementada pelo governo federal por meio da Nova Indústria Brasil (NIB) vem tendo forte adesão no Nordeste. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a região soma R$ 66,3 bilhões em projetos já aprovados desde 2023, abrangendo 96 mil iniciativas nos nove estados.

Esse volume representa 14% do total de recursos destinados nacionalmente até o momento e consolida o Nordeste como região estratégica para a reindustrialização do país. A maioria das propostas está concentrada em agroindústria, que lidera com 76,9 mil projetos e mais de R$ 9,2 bilhões aprovados. Em seguida aparecem os segmentos de descarbonização e bioeconomia, com 10,6 mil projetos e R$ 12,4 bilhões, e infraestrutura, com R$ 33,9 bilhões para 3,6 mil projetos.

A adesão massiva à política federal ficou ainda mais evidente com o encerramento da chamada pública de setembro voltada exclusivamente para o Nordeste. Segundo o Consórcio Nordeste, foram apresentadas 246 propostas, totalizando uma demanda de R$ 127,8 bilhões em crédito, 13 vezes acima da estimativa inicial. O resultado foi anunciado no último dia 17, durante a 3ª ICID, em Fortaleza.

As propostas apresentadas vieram dos nove estados do Nordeste e contemplaram as cinco áreas estratégicas: transição energética (54 projetos, R$ 15,3 bi), bioeconomia (44, R$ 5,4 bi), hidrogênio verde (32, R$ 54,3 bi), data centers verdes (35, R$ 16,9 bi) e setor automotivo e máquinas agrícolas (40, R$ 25,2 bi). Outras 41 se dividiram em mais de um tema (R$ 10,4 bi).

Ainda segundo o Consórcio Nordeste, desse total, 88% das propostas tiveram participação de Pequenas e Médias Empresas (PMEs), 73% envolveram cooperação com instituições de ciência e tecnologia e cerca de 30% foram projetos em consórcio. As propostas passarão por análise até 28 de novembro. A partir daí, os projetos selecionados receberão suporte conjunto das instituições financeiras, que irão estruturar os instrumentos de apoio mais adequados.

Bioeconomia na Bahia é uma das áreas com maior projetos do nordeste
Bioeconomia na Bahia é uma das áreas com mais projetos aprovados na Bahia. Foto: Wenderson Araújo

Bahia e Ceará lideram projetos no Nordeste

Além de Alagoas, que já soma R$ 4,28 bilhões em projetos aprovados, com destaque para a infraestrutura e a agroindústria, outros estados nordestinos também se destacam no avanço da política de neoindustrialização. A Bahia lidera em volume financeiro e número de propostas, com R$ 17,42 bilhões aprovados em 27 mil projetos, tendo a infraestrutura e a bioeconomia como principais eixos. O Ceará aparece em seguida, com R$ 12,43 bilhões distribuídos em 18 mil propostas, puxadas sobretudo por projetos de infraestrutura e transformação digital.

Pernambuco acumula R$ 8,2 bilhões em 10 mil propostas, com investimentos expressivos em infraestrutura, bioeconomia e digitalização. O Maranhão já conta com R$ 6,26 bilhões aprovados em 12 mil iniciativas, sendo a agroindústria e a infraestrutura os principais destinos dos recursos. O Piauí soma R$ 4,31 bilhões em 10 mil projetos, com destaque para os segmentos agroindustriais e de descarbonização.

O Rio Grande do Norte registrou a aprovação de 6 mil propostas que totalizam R$ 4,48 bilhões, impulsionadas pelas áreas de infraestrutura e bioeconomia. A Paraíba conta com R$ 3,63 bilhões em 7 mil propostas aprovadas, majoritariamente voltadas à infraestrutura e descarbonização. Já Sergipe, embora com menor número de projetos, alcançou R$ 2,34 bilhões em 3 mil propostas, concentradas em infraestrutura e na agroindústria.

A agroindústria aparece como o setor mais popular em todos os estados, refletindo a vocação produtiva da região. Já os investimentos mais robustos em valores se concentram em infraestrutura, bioeconomia e digitalização, mostrando o alinhamento com as missões estratégicas da NIB.

Em nota, o Ministério da Indústria e Comércio disse ao Movimento Econômico que vê de forma positiva a integração dos estados do Nordeste ao Nova Indústria Brasil, sobretudo nas áreas de energias enováveis e descarbonização. “Um dos objetivos da NIB é promover a desconcentração regional da indústria, alavancando as áreas de maior potencial de cada região; e o Nordeste, com sol e ventos em abundância, deve ter papel central nas políticas de transição energética, entre outras áreas”, disse.

Instituições financeiras ampliam crédito para industrialização regional

O avanço da Nova Indústria Brasil no Nordeste tem sido viabilizado pelo engajamento de diferentes instituições financeiras públicas. O Banco do Nordeste (BNB) lidera em número de projetos na região, com 81 mil propostas aprovadas que somam R$ 26,11 bilhões. O BNDES também tem forte presença no território nordestino, com 13 mil projetos e R$ 16,34 bilhões em financiamentos.

A Caixa Econômica Federal aparece com R$ 19,38 bilhões destinados a 2 mil propostas na região. Já a Finep aprovou 164 projetos voltados ao Nordeste, totalizando R$ 1,49 bilhão em aportes. O Banco da Amazônia, com atuação mais concentrada nos estados do Maranhão e do Piauí, aprovou 90 projetos que somam R$ 13,29 milhões.

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