
O governador de Alagoas, Paulo Dantas, afirmou nesta terça-feira (12) que está construindo alternativas para dar suporte ao setor sucroalcooleiro e a outros segmentos da economia local afetados pelas tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Responsável por cerca de 60 mil empregos no estado, o setor tem no açúcar seu principal produto exportado para o mercado norte-americano e está entre os mais atingidos pela medida.
Cumprindo agenda oficial em Londres, Paulo Dantas disse ao Movimento Econômico que o setor sucroalcooleiro constitui um dos pilares mais sólidos da economia alagoana, presente em diversos municípios.
“O setor sucroalcooleiro é um dos pilares mais sólidos da nossa economia, e cerca de 15% do que é produzido em Alagoas, derivado da cana-de-açúcar, tinha mercado certo de comercialização nos Estados Unidos. Com essa tarifação imposta aos produtos brasileiros, vamos ter que buscar novos mercados e já estamos trabalhando nisso, junto com o governo federal. O Governo de Alagoas está atento e construindo os meios de dar suporte não só ao setor sucroalcooleiro, como também aos demais setores da nossa economia impactados pelo tarifaço. Estamos somando esforços para evitar o fechamento de empresas e a queda na oferta de empregos”, declarou o governador.
Ele afirmou que tem mantido contato com representantes do setor e com o governo federal, buscando alternativas capazes de manter o equilíbrio do ciclo de produção sucroalcooleira, com escoamento dos produtos, competitividade de mercado e preservação da capacidade de gerar emprego e renda.
Sindaçúcar alerta para impacto econômico e social
Em ofício enviado ao governador, o Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Alagoas (Sindaçúcar) destacou que a exportação de açúcar para os EUA ocorre desde a década de 1960, por meio de cotas preferenciais destinadas apenas a produtores do Norte e Nordeste, conforme a Lei 9.362/1996. Essas cotas representam de 150 a 180 mil toneladas por safra, sendo que Alagoas responde por cerca de 75 a 80 mil toneladas anuais, aproximadamente 15% das exportações totais do estado e 20% da receita do setor, o que equivale a US$ 56 milhões.
O Sindaçúcar alerta que o “tarifaço”, imposto de forma unilateral, ameaça a sustentabilidade das usinas e produtores rurais, com riscos de fechamento de empresas e queda acentuada na geração de empregos. A entidade estima que a medida pode afetar significativamente os 85 mil postos diretos de trabalho no setor e comprometer a circulação de renda nos 54 municípios onde a cana-de-açúcar é cultivada.

No documento, o sindicato solicita que o governador interceda junto ao governo federal para negociar a reversão das tarifas e, paralelamente, adote medidas de apoio, como linhas de crédito emergenciais, incentivos fiscais e programas de diversificação de mercados. No âmbito estadual, pede a ampliação dos benefícios de ICMS já concedidos ao setor, como forma de compensar as perdas de receita.
“O setor sucroalcooleiro é peça-chave para o desenvolvimento sustentável de Alagoas, integrando tradição, tecnologia e geração de renda. A defesa do nosso açúcar é, acima de tudo, a defesa da dignidade e do futuro de milhares de famílias alagoanas”, afirma o presidente do Sindaçúcar, Pedro Robério de Melo Nogueira.
Governo federal busca soluções para tarifaço
As tarifas de 50% foram oficializadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 30 de julho e passaram a valer em 6 de agosto. A medida afeta cerca de 36% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano, o que representa aproximadamente US$ 14,5 bilhões. O governo brasileiro anunciou que recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC) e poderá adotar medidas de reciprocidade para proteger os setores afetados.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, adiantou nesta terça-feira (12) que o governo federal deve apresentar, nesta quarta-feira (13), um pacote de medidas para apoiar exportadores brasileiros afetados pelo tarifaço. A proposta é oferecer instrumentos que minimizem as perdas dos setores atingidos e garantam fôlego às empresas enquanto avançam as negociações diplomáticas para tentar reverter a medida adotada pelos Estados Unidos.
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