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Retomada da Fafen-BA em 2026 altera balança de insumos e foca em soberania regional

Petrobras reativa plantas na Bahia e em Sergipe para reduzir dependência externa de fertilizantes
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Além da ureia para fertilizantes e alimentação animal, a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia terá papel central
na produção de Arla 32. Foto: Divulgação/Petrobras

O polo industrial de Camaçari consolida, neste mês de janeiro, um movimento estratégico para a soberania do agronegócio com o comissionamento de partida da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA). Após a conclusão das manutenções corretivas em dezembro, a unidade da Petrobras entra em fase final para o início da produção de ureia, prevista para ocorrer até o fim do mês. O ativo é peça-chave no plano da companhia de retomar a fabricação de nitrogenados em território nacional, operando de forma integrada aos terminais marítimos no Porto de Aratu, em Candeias.

​A unidade baiana possui capacidade nominal de 1.300 toneladas por dia de ureia, o que representa uma fatia de 5% do mercado nacional. Somada à produção da planta de Laranjeiras, em Sergipe — que também acaba de retomar suas operações —, a Petrobras projeta responder por uma parcela significativa da demanda brasileira no curto prazo.

​O investimento de R$ 38 milhões na planta de Camaçari não altera apenas a balança comercial, mas também o mercado de trabalho regional. A retomada das operações na Bahia e em Sergipe já mobiliza 1.350 empregos diretos e mais de quatro mil indiretos, injetando liquidez nas economias locais.

Além da ureia para fertilizantes e alimentação animal, a unidade terá papel central na produção de arla 32, insumo crítico para a redução de emissões veiculares, alinhando a operação industrial às metas de descarbonização da estatal.

​Integração logística e o papel de Aratu

A eficiência da Fafen-BA está intrinsicamente ligada à sua infraestrutura de escoamento. A operação contempla os Terminais Marítimos de Amônia e Ureia no Porto de Aratu, que funcionam como o pulmão logístico da unidade.

Essa estrutura permite que a produção baiana atenda não apenas o mercado interno via modal rodoviário, mas também seja distribuída estrategicamente pelo litoral brasileiro, otimizando os custos de transporte que historicamente penalizam o setor de fertilizantes no país.

​Para o diretor de Processos Industriais e Produtos da Petrobras, William França, o uso do gás natural como principal matéria-prima nessas plantas é o que garante a viabilidade do negócio. Ele destaca que essa ação amplia as alternativas de alocação do gás produzido pela companhia, gerando valor para a indústria e para o setor agrícola.

A meta da estatal é ainda mais ambiciosa: elevar a produção nacional de ureia para 35% nos próximos anos, com a entrada em operação de novas unidades no Mato Grosso do Sul.

​Fator Sergipe e a segurança de suprimento

Embora a Bahia lidere o volume de investimento imediato em Camaçari, a unidade de Sergipe desempenha um papel complementar indispensável na estratégia de fertilizantes do Nordeste. A planta sergipana, localizada em Laranjeiras, atua como um reforço na produção de amônia e ureia, garantindo que o suprimento para o agronegócio não dependa de uma única fonte.

A operação conjunta entre Bahia e Sergipe cria um cinturão de insumos nitrogenados que protege o produtor nordestino contra as oscilações de preços internacionais.

​A estratégia da Petrobras, ao retomar o controle desses ativos que haviam sido arrendados, sinaliza um retorno ao setor de fertilizantes como pilar de crescimento. Para a Bahia e para Sergipe, o reinício das unidades significa o retorno de uma receita operacional relevante e a reafirmação da região como um hub de insumos estratégicos.

O comissionamento atual é o último degrau técnico antes que as primeiras sacas de ureia voltem a abastecer o mercado nacional, reduzindo drasticamente a exposição externa do país.

Com informações da Agência Petrobras

Leia também: Fafen Sergipe já produz amônia e reativa cadeia de
fertilizantes no Nordeste

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