
O desenvolvimento do turismo no Sertão alagoano, ancorado nas paisagens do Velho Chico e nos atrativos culturais que o cercam, tem exigido ações coordenadas do setor público em diferentes esferas. Para inserir essas cidades no mercado nacional, não basta ter belezas naturais: é preciso estrutura, planejamento e presença estratégica. Na última reportagem da série sobre a interiorização do turismo em Alagoas, o Movimento Econômico mostra como a gestão pública vem atuando para estruturar os destinos ribeirinhos do Baixo São Francisco, oferecendo desde apoio técnico e qualificação até visibilidade em grandes feiras e articulação com agentes e operadoras.
O primeiro passo para que um município possa ser estruturado como destino turístico em Alagoas começa por um critério técnico: estar inserido no Mapa do Turismo Brasileiro. A partir dessa base, a Secretaria de Estado do Turismo de Alagoas (Setur) inicia o mapeamento dos atrativos locais, identifica gargalos e elabora, junto às instâncias de governança regionais, planos de ação voltados para infraestrutura, capacitação e formatação de novos produtos turísticos.
No Baixo São Francisco, o trabalho de interiorização do turismo já se reflete em investimentos concretos. A Orla de Limoeiro, povoado de Pão de Açúcar, recebeu R$ 1 milhão em obras de requalificação. Já a Praça da Ilha do Ferro, um dos espaços centrais do reposicionamento turístico da cidade, foi contemplada com mais de R$ 3 milhões em recursos estaduais. Além disso, o Paço Imperial, equipamento cultural em construção, integra o conjunto de obras turísticas viabilizadas com apoio da Setur.

Outro eixo fundamental é a capacitação profissional da mão de obra local. Por meio da parceria com o Senac e a atuação da Carreta Escola, cursos gratuitos têm sido oferecidos nos municípios para preparar guias, atendentes, cozinheiros e pequenos empreendedores. A meta é alinhar a experiência do turista com a vocação cultural de cada cidade.
Essas ações são fortalecidas por meio de termos de fomento, que viabilizam o repasse de recursos diretamente às regiões turísticas. Esse apoio permite que associações locais atuem com mais autonomia, organizando feiras, criando materiais promocionais, participando de eventos e desenvolvendo ações próprias voltadas à consolidação do turismo regional.
A criação de rotas turísticas também faz parte do planejamento. A partir de diagnósticos locais, são traçadas estratégias que preparam os produtos para comercialização, integrando os destinos às prateleiras das operadoras nacionais.
“A estruturação dos destinos emergentes exige planejamento, mas também diálogo com o território. Trabalhamos com as instâncias de governança locais para preparar os municípios, identificar seus diferenciais e conectá-los com o mercado”, destacou a Setur, em nota enviada à reportagem.

Feira dos Municípios vira vitrine do turismo do interior
Enquanto a Setur atua na estruturação técnica e na promoção dos destinos alagoanos, a Associação dos Municípios Alagoanos (AMA) cumpre um papel essencial de articulação política e institucional, ajudando as prefeituras a se prepararem e se conectarem com as oportunidades do setor turístico. Com reuniões técnicas, orientação sobre editais e estímulo à troca de experiências entre os gestores, a entidade atua como ponte entre o poder público municipal e os órgãos estaduais e federais.
Um dos principais exemplos dessa atuação é a Feira dos Municípios Alagoanos, organizada pela AMA, que se consolidou como a maior vitrine do potencial turístico, cultural e gastronômico do interior do estado. Em sua 13ª edição, realizada em janeiro no Centro de Convenções, o evento reuniu mais de 140 estandes de cidades e empreendedores locais, além de uma ampla programação cultural e institucional. A feira movimentou mais de R$ 2 milhões em vendas diretas apenas entre artesãos e comerciantes.
Com apoio de parceiros como a Setur, a ABIH e o Sebrae, o evento passou a incluir não apenas exposições, mas também rodas de conversa, oficinas, congressos e apresentações artísticas — ampliando a capacidade de engajar gestores, atrair investimentos e posicionar o interior alagoano no cenário turístico.
“O turismo é uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento dos municípios. Quando os gestores compreendem isso, passam a enxergar o setor como política de longo prazo, e não como ação pontual”, destacou a entidade.

ABIH conecta destinos emergentes e fortalece a hotelaria no interior
Para além da estrutura e da articulação institucional, inserir os destinos turísticos do Sertão no mercado nacional exige também uma conexão direta com quem opera a engrenagem do setor: agentes de viagem, operadoras, redes hoteleiras e consumidores finais. É nesse campo que a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Alagoas (ABIH-AL) vem atuando de forma estratégica, especialmente para desenvolver a hotelaria no interior do estado.
Segundo Gabriel Cedrim, presidente da ABIH Alagoas, o fortalecimento desses destinos passa por três pilares: posicionamento, articulação e qualificação da oferta turística. Com esse foco, a ABIH desenvolve projetos de promoção segmentados para públicos diferentes. “Um deles é o Visite Alagoas, voltado ao consumidor final, com o objetivo de despertar o interesse do turista por novos roteiros além do litoral, evidenciando belezas naturais, experiências culturais e autenticidade dos municípios do Sertão e do Agreste”, explicou.
Outro projeto, o Vem com Agente para Alagoas, é voltado ao mercado intermediário, como agentes de viagem, operadoras e parceiros do trade. A proposta é qualificar a apresentação dos destinos emergentes, garantir que estejam prontos para comercialização e inseri-los de forma competitiva nos catálogos e pacotes turísticos trabalhados nacionalmente.
Esse conjunto de ações busca ampliar o olhar sobre o interior alagoano, promovendo a interiorização do turismo de forma planejada e integrada com as vocações locais. “Nosso compromisso é contribuir para que o desenvolvimento hoteleiro aconteça alinhado às características de cada região, valorizando os diferenciais dos municípios às margens do São Francisco e conectando-os ao mercado com consistência e estratégia”, completou Cedrim.
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