
A Sugar Shoes anunciou a expansão de suas operações no Ceará com a implantação de uma nova fábrica em Pedra Branca, no Sertão Central. O investimento deverá gerar cerca de 100 empregos diretos até o final de 2025, fortalecendo o processo de interiorização industrial no estado.
O anúncio foi feito na quarta-feira (18), no Palácio da Abolição, em Fortaleza, com a presença do governador Elmano de Freitas, que destacou o papel estratégico da empresa na geração de empregos e desenvolvimento regional. A nova unidade se somará à operação já existente em Solonópole, onde a Sugar Shoes emprega atualmente 495 trabalhadores.
Fundada em 1998, no município de Picada Café, no Rio Grande do Sul, a Sugar Shoes iniciou suas atividades com a produção de calçados vulcanizados em um prédio alugado, anteriormente utilizado como aviário. Dois anos depois, o grupo construiu sua primeira sede própria e iniciou operações no Ceará. Hoje, a empresa emprega cerca de 2 mil pessoas diretamente e produz cerca de 15 mil pares de calçados por dia.
A expansão contará com apoio do Governo do Estado, por meio da Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE), da Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece) e da Prefeitura de Pedra Branca. A prefeita Ivoneth Braga declarou que o município está preparado para receber a nova operação, que deverá aquecer a economia local e estimular o comércio e os serviços da região. Segundo o empresário José Luiz Diel, diretor da Sugar Shoes, o processo de seleção e capacitação da mão de obra será iniciado nas próximas semanas, com previsão de funcionamento da nova planta industrial ainda no segundo semestre deste ano.
Sugar Shoes: investimento em sustentabilidade
A empresa opera com produção verticalizada, fabricando internamente componentes como sola, borracha e tira, o que garante maior controle da cadeia produtiva. Adota ainda práticas sustentáveis, com foco na redução de resíduos e reaproveitamento de materiais ao longo do processo de manufatura. O grupo é submetido a auditorias anuais da The Coca-Cola Company, assegurando o cumprimento de padrões internacionais de responsabilidade social e ambiental.
A Sugar Shoes mantém vínculo com a Neorubber, empresa considerada “coirmã”, fundada em 2010 em Capela de Santana, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Inicialmente voltada à produção de placas de borracha para solados de calçados femininos, a Neorubber passou em 2011 a fabricar sandálias de dedo. Possui unidades no Rio Grande do Sul e no Ceará, com 300 e 180 funcionários respectivamente. Juntas, produzem cerca de 20 mil pares por dia.
Ceará se destaca na produção de calçados
O Ceará é o segundo maior polo calçadista do país, atrás apenas do Rio Grande do Sul, com cerca de 70.026 empregos formais no setor. Em 2024, o estado produziu 224,9 milhões de pares de calçados, o que representa cerca de 25% da produção nacional. As exportações iniciaram 2025 em alta, com 5 milhões de pares enviados para China e EUA em janeiro, movimentando US$ 27,4 milhões, alta de 34,8% em relação ao mesmo período de 2024.
O setor conta com incentivos como o Fundo de Desenvolvimento Industrial (FDI), operado pela Adece, e programas como o Proade e o Provin, que oferecem diferimento de ICMS de até 75%, com devolução de até 25%, conforme a geração de empregos e localização da unidade. Quanto mais distante de Fortaleza, maior é o incentivo fiscal. Em fevereiro de 2025, o governo destacou a fábrica da Dilly Nordeste, em Brejo Santo, como exemplo de aproveitamento desses benefícios, com 4.468 empregos gerados.
Em 2024, o setor industrial cearense registrou o maior saldo de empregos dos últimos cinco anos, com 15.195 postos, sendo 4.687 apenas na indústria de calçados. A produção industrial cresceu 22,4% entre janeiro e novembro de 2024, segundo o IBGE, colocando o estado entre os de maior dinamismo econômico no país.
Com a nova unidade em Pedra Branca, a Sugar Shoes reforça a tendência de descentralização industrial e contribui para a dinamização da economia local. A estimativa é de que o grupo ultrapasse a marca de 1.700 empregos no estado até o fim de 2025, consolidando o Ceará como um dos principais polos calçadistas do Brasil.
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