
A Stellantis está comemorando dez anos do início da sua produção da fábrica da Jeep em Goiana, em Pernambuco, com o lançamento de uma edição especial do Renegade 10 anos. Serão 1010 unidades exclusivas inspirada no tradicional Jeep Willys. E há muito o que comemorar, mesmo com o grande “desafio” de produzir carros numa região em que o custo de produção é maior.
“A planta de Goiana é uma das poucas do mundo onde o custo logístico é maior do que o custo de transformação”, disse, em coletiva, o presidente da Stellantis América do Sul, Emanuele Cappellano.
Este custo alto ocorre por vários motivos, segundo Emanuele Cappellano. Um deles é a logística – há uma distância de 3 mil quilômetros entre a fábrica de Goiana e do principal mercado consumidor, o do Sudeste. O outro é a ausência de alguns fornecedores. Mesmo com o desafio logístico, a Jeep vendeu 1,3 milhão de unidades dos SUVs da marca entre 2015 e 2025.
O Jeep Renegade foi o escolhido para ser símbolo da celebração dos 10 anos por vários motivos, inclusive por ser o mais vendido no segmento de SUVs, entre 2015 e 2025, no Brasil com mais de 532 mil unidades comercializadas. O Renegade também foi o primeiro modelo produzido na fábrica de Goiana e trouxe impacto a todo o segmento de SUVs no País, de acordo com as informações da Stellantis.
Em 2015, a Jeep comercializava apenas modelos importados no Brasil. O volume de vendas dos veículos da marca saiu de pouco mais de 3 mil unidades em 2014 para mais de 120 mil veículos por ano em 2024, quando a Jeep atingiu a marca de mais de um milhão de unidades vendidas no país, se tornando a marca que mais comercializou SUVs na última década.
Com os veículos produzidos da unidade pernambucana, a Jeep foi ascendendo na participação do mercado de SUVs no Brasil, alcançando mais de 30% neste segmento. Além do Renegade, a fábrica de Goiana passou a produzir o Compass em 2016, modelo que já emplacou mais de 475 mil unidades no Brasil. E, por último, em 2021, a unidade local começou a fabricar o Commander, que vendeu mais de 63 mil unidades.
“Celebrar esses 10 anos de produção e de conquistas no Brasil é motivo de grande orgulho. Em uma década, a Jeep protagonizou uma mudança no mercado nacional com SUVs que não só conquistaram as ruas e trilhas do país, como também o coração dos brasileiros. Seguimos olhando para o futuro, com boas novidades para os próximos anos”, afirma o vice-presidente da Marca Jeep para a América do Sul, Hugo Domingues.
A fábrica da Stellantis contribuiu para aumentar o Produto Interno Bruto (PIB) de Goiana e para melhorias nos índices de educação, impacto no emprego, e consequentemente, da renda naquela região. Cerca de 13 mil pessoas trabalham no polo automotivo de Goiana, sendo 5 mil empregadas diretamente na fábrica da Stellantis e cerca de 8 mil nos 38 fornecedores diretos da montadora instalados em Pernambuco.
Por causa da fábrica, também foi implantado o Software Center da Stellantis na América do Sul que produz softwares, no Bairro do Recife, usados para fazer a calibração de motores de várias das 14 marcas do grupo.

O futuro da fábrica da Stellantis em Goiana
A reforma tributária prevê o fim dos incentivos fiscais – que vão diminuir, gradativamente até 2032. O setor automotivo recebe muitos incentivos fiscais e, ao ser questionado como isso pode afetar a operação da fábrica, Emanuele Cappellano respondeu que a Stellantis está se preparando, realizando investimentos, contribuindo para trazer mais fornecedores, tecnologia e automação, fatores que diminuem o nível de custo da produção local e aumentam a competitividade da planta pernambucana.
A Stellantis anunciou, no ano passado, que vai fazer um investimento de R$ 13 bilhões na fábrica de Goiana entre 2025 e 2030. Segundo Cappellano, o investimento também vai contribuir para aumentar a competitividade da planta local. “Então, até 2032, nós devemos garantir de ter competitividade. É um processo que começou, há dez anos atrás, e está continuando. São investimentos de longos prazos”, resume Emanuele Cappellano.
Ainda na coletiva, Cappellano argumentou também que, entre as várias iniciativas para aumentar a sua competitividade local, a montadora tenta criar condições melhores para atrair mais fornecedores a se instalarem próximos da fábrica. Ele, porém, ressaltou que é importante ter mais infraestrutura em Pernambuco, a exemplo do Arco Metropolitano. Esta rodovia é uma alça viária que ligaria o Porto de Suape a Igarassu, sem ter que passar pelos constantes engarrafamentos da BR-101. A construção da parte sul do Arco Metropolitano está sendo licitada pelo governo de Pernambuco.
A fábrica de Goiana compra entre 30% e 35% dos fornecedores da região, entre 35% e 40% em São Paulo e outra grande parte vem de Minas Gerais. A unidade pernambucana opera seis dias da semana em três turnos.
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