
O microempreendedor individual que vende pelo WhatsApp, canal adotado por 75% dos MEIs, fechou março de 2026 com faturamento 12% abaixo do mesmo mês do ano anterior e 59% dos custos mensais comprometidos com dívidas. Os dados integram a 12ª edição da Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae com 8.273 respondentes de todos os estados e o Distrito Federal entre 19 de fevereiro e 18 de março de 2026, com erro amostral de 1,1% e intervalo de confiança de 95%. O universo coberto é de 24,7 milhões de pequenos negócios, segundo dados da Receita Federal referentes a março de 2026. A amostra é composta por 53% de MEIs, 40% de microempresas e 7% de empresas de pequeno porte (EPP), ponderada por UF e por porte.
A pesquisa não apresenta recorte regional, mas o dado por porte tem peso direto para o Nordeste, região com 2,7 milhões de MEIs registrados em janeiro de 2026, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) com base em dados da Receita Federal. Os microempreendedores individuais foram o segmento com maior queda de faturamento na edição atual: -12% em março de 2026 na comparação com o mesmo mês de 2025, contra -8% das MPE. A média geral do segmento foi de -10%, mesmo patamar registrado nos piores momentos da série histórica iniciada em 2022.
WhatsApp sem concorrente, Facebook em queda
O WhatsApp é utilizado como canal de vendas por 82% dos respondentes, posição mantida desde 2021 sem concorrente próximo. O Instagram ocupa a segunda posição, com 57%, crescimento de 6 pontos em relação aos 51% registrados em novembro de 2021. O Facebook percorreu o caminho inverso: era adotado por 42% dos empreendedores em 2021 e recuou para 30% em março de 2026, queda de 12 pontos percentuais em cinco anos. As lojas virtuais próprias seguiram a mesma direção, saindo de 14% para 10% no mesmo intervalo.
Os marketplaces mantêm participação reduzida nesse segmento. O Mercado Livre lidera com 7%, seguido por OLX e Magalu (3% cada) e Amazon (1%). Aplicativos de entrega como iFood, Uber Eats e Rappi são utilizados por 7% dos respondentes, proporção estável. A proporção geral de pequenos negócios que vendem por canais digitais oscila entre 70% e 75% desde novembro de 2021. Na 12ª edição, o índice foi de 73%, com MEIs (75%) ligeiramente acima das MPE (71%).
Inadimplência no maior nível desde 2022
A estabilidade na adoção digital contrasta com a deterioração financeira registrada na mesma edição. A inadimplência atingiu 28% dos respondentes em março de 2026, ante 21% em agosto de 2025, crescimento de 7 pontos em sete meses. A proporção de empresas com 30% ou mais dos custos mensais comprometidos com pagamento de dívidas subiu para 54%, o maior nível da série. Entre os MEIs, esse indicador chegou a 59%. As dívidas avançaram também como dificuldade declarada: passaram de 18% na edição anterior para 21% na atual, maior patamar desde o início do monitoramento.
Leia mais: Governo propõe salário mínimo de R$ 1.717 em 2027










