
A Associação dos Produtores de Crédito de Carbono Social do Bioma Caatinga (APCCSBC) se uniu a produtores e pesquisadores de diversas universidades do Nordeste e desenvolveu uma metodologia para medir quantas toneladas de carbono é armazenada por hectare de mata da Caatinga preservada. A ferramenta poderá ser acionada por pequenos produtores e, para isso, eles precisam ter apenas um celular. O projeto será apresentado em pelo menos cinco ocasiões da COP30, que está ocorrendo em Belém, no Pará.
Com a ferramenta, os pequenos produtores que preservam a caatinga poderão gerar crédito de carbono para vender. Isso vai fazer com que a caatinga preservada também se transforme numa fonte de renda, o que pode estimular os agricultores a continuarem preservando e até restaurar as suas áreas de caatinga.
“A ideia é dar protagonismo ao pequeno produtor rural que vai poder gerar o crédito de carbono sem precisar vir um técnico de fora para implementar a tecnologia”, comenta o presidente da APCCSBC, Haroldo Almeida. Para usar a tecnologia desenvolvida, o produtor terá que entregar os dados da sua área com as coordenadas geográficas. “Com essas informações, vamos saber o quanto aquela área de caatinga armazena de carbono por hectare”, explica Haroldo, acrescentando que o produtor não vai pagar nada pelo uso da tecnologia.
Ainda de acordo com Haroldo, o bioma caatinga tem potencial anual estimado de armazenar entre 2 toneladas a 7 toneladas de carbono por hectare, variando conforme a sazonalidade: em anos mais chuvosos, a absorção aumenta; em anos mais secos, diminui. A vegetação responde rápido às chuvas, voltando a brotar após poucos dias.
A tecnologia desenvolvida permitirá que o produtor rural acompanhe a operação pelo aplicativo de celular. O processo de validação será participativo parecido com o que é feito pelos produtores de orgânicos, segundo Haroldo.
A metodologia desenvolvida foi inscrita no site Brasil Participativo do Governo Federal para ser submetida ao voto popular. Na categoria que concorreu, o projeto ficou em segundo lugar e daí surgiu o convite para apresentar a proposta na COP30 já que o projeto passou a fazer parte do Relatório Final da Sociedade Civil para ser impulsionado durante a COP30 em Belém. A APCCSBC tem sua sede em Delmiro Gouveia, em Alagoas.

Buscando parceiros para o projeto
A implementação do projeto terá um custo estimado entre R$ 400 mil e R$ 500 mil. “Estamos buscando parceiros para implementar o projeto”, diz Haroldo. O custo citado é para criar um aplicativo, fazer um painel integrado do aplicativo que faça o monitoramento das ações por um ano. “A gente acredita que depois de um ano o projeto se retroalimente sozinho”, afirma Haroldo.
A entidade também pensa em apresentar os projetos em editais lançados por órgãos oficiais para captar recursos. A COP30 também é uma oportunidade de costurar uma governança que será necessária a sua implementação. Segundo Haroldo, essa governança inclui legislação e estrutura de monitoramento que envolvam estados e municípios, pois o processo precisa de aval público para garantir rastreabilidade, confiabilidade e evitar dupla contagem.”É necessário o Estado ter uma lei que regulamente a questão do carbono”, diz Haroldo.
Ainda de acordo com Haroldo, o bioma caatinga tem potencial anual estimado entre 2 toneladas a 7 toneladas de CO₂ por hectare, variando conforme a sazonalidade: em anos mais chuvosos, a absorção aumenta; em anos mais secos, diminui. A vegetação responde rápido às chuvas, voltando a brotar após poucos dias.
A entidade já tem conversas mais avançadas no sentido de implantar uma governança para o projeto com o Consórcio Nordeste e os governos estaduais de Alagoas, Bahia, Sergipe e Pernambuco.
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