
A Eneva e a Diamante Geração de Energia lançaram nesta terça-feira (9) a pedra fundamental do Projeto Jandaia no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), no Ceará, dando início às obras das usinas termelétricas a gás natural UTE Jandaia II e UTE Jandaia III, que integram o Hub Ceará, projeto de aproximadamente R$ 6 bilhões com 1.147 MW de capacidade contratada e terminal de Gás Natural Liquefeito (GNL) de 14 milhões de metros cúbicos por dia. O empreendimento tem prazo contratual de 15 anos e contou com a presença do governador Elmano de Freitas na cerimônia realizada no auditório do Complexo do Pecém.
O modelo integrado do Hub Ceará combina geração e suprimento de gás em uma única estrutura coordenada, diferente de uma termelétrica convencional que depende de fornecimento externo de combustível. A integração entre as usinas e o terminal de GNL permite controle sobre toda a cadeia de suprimento, traz maior eficiência operacional e reduz a exposição a oscilações no mercado de gás ao longo dos 15 anos de contrato. O terminal portuário tem previsão de entrada em funcionamento em 2028, com a conclusão das obras e testes da térmica prevista para o primeiro semestre de 2029.
O Hub Ceará inclui a construção do Píer Zero, terminal portuário com investimento de R$ 430 milhões que receberá uma unidade flutuante de regaseificação (FSRU), responsável por converter o GNL importado em gás para abastecimento das usinas. A infraestrutura também permitirá o fornecimento de gás para outras plantas industriais, incluindo a UTE Termoceará, da Petrobras, e futuros empreendimentos. A expectativa é que o Complexo do Pecém se consolide como polo de distribuição de gás natural para todo o Nordeste.
Parceria consolidada no Pecém e geração de empregos
A parceria com a Diamante foi estruturada em março de 2026, quando a Eneva vendeu à empresa a UTE Porto do Pecém II, usina a carvão de 365 MW, por R$ 872,3 milhões e, em troca, obteve o termo de cessão de área para instalação do terminal de GNL no Complexo. Com a operação, a Diamante passa a controlar três usinas no Pecém. Os principais equipamentos críticos do Hub Ceará já foram contratados, o que, segundo a Eneva, reduz riscos de implementação e dá consistência ao cronograma.
O projeto deve gerar mais de 2.000 empregos diretos e indiretos, com 83% de contratação de mão de obra local, percentual registrado pela Eneva em suas demais unidades no estado. A companhia é uma das maiores operadoras térmicas do Brasil, com 7,2 GW de capacidade instalada distribuída no Maranhão, Ceará, Sergipe, Amazonas, Espírito Santo e Bahia, incluindo o Complexo Parnaíba (1,9 GW, maior termelétrica a gás do país) e o Hub Sergipe. No LRCAP 2026, a companhia saiu do certame com 5,2 GW de capacidade contratada, o maior volume de uma única empresa no leilão, em um pacote de R$ 18,2 bilhões em investimentos entre renovações e novos projetos.

Termelétrica e escoadouro do agronegócio
O diretor-executivo de Marketing, Comercialização de Gás e Energia e Novos Negócios da Eneva, Marcelo Lopes, ressaltou o papel estratégico das termelétricas na matriz elétrica nacional. “O Brasil é um país extremamente rico em fontes de energia. A gente tem bastante hidrelétrica, fontes renováveis como solar e eólica, mas a termelétrica tem um papel fundamental que é a segurança. Quando o vento não venta, quando o sol não brilha, quando a chuva não cai, você precisa de fontes despacháveis. E o projeto que a gente vai implementar aqui no Ceará é um projeto que tem esse condão, tem essa natureza”, afirmou.
O governador Elmano de Freitas destacou a dimensão logística do empreendimento para além da geração de energia. “Aqui, teremos um dos escoadouros do agronegócio no País. Vamos ligar o Centro-Oeste à Transnordestina, que se ligará ao Porto do Pecém, ao de Suape, ao da Bahia. Vamos pensar a logística do País. Tenho absoluta convicção de que estamos construindo degraus muito sólidos de uma nova economia do Ceará, que tenha a energia como um de seus fatores determinantes”, discursou. O governador também citou projetos complementares que reforçam o papel do Pecém como hub: a Ferrovia Transnordestina, o Terminal de Granéis Líquidos e Tancagem e o Terminal de Gás do Nordeste.
O presidente do Complexo do Pecém, Max Quintino, ressaltou a velocidade de avanço dos projetos no complexo. “Quando cheguei aqui há um ano e meio, vi o quanto o desafio era grande. Hoje, podemos ver o quanto as coisas avançaram, o quanto a gente tirou do papel coisas que eram projeto e agora estão acontecendo”, afirmou. A Eneva classifica o Hub Ceará como um dos principais investimentos privados em andamento no Ceará, com potencial de impulsionar a atração de novos empreendimentos industriais e reforçar o papel do estado como polo logístico, industrial e energético do Nordeste.
Contexto regulatório
O Hub Ceará integra a carteira de projetos contratados no Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP 2026), realizado em março de 2026, que contratou R$ 515,7 bilhões em capacidade com geradoras termelétricas de todo o país. A Eneva saiu do certame com 5,2 GW contratados, o maior volume de uma única empresa, em um pacote que inclui renovações de usinas já em operação no Maranhão e Espírito Santo e três novos projetos, entre eles o Hub Ceará.
O leilão foi suspenso na segunda-feira (9) por liminar do juiz federal Luis Praxedes Vieira da Silva, da 1ª Vara Federal do Ceará, que determinou a paralisação dos resultados até que a Justiça Federal do Distrito Federal analise as contestações ao certame. A Aneel informou que aguardará posicionamento da Advocacia-Geral da União (AGU) antes de definir as próximas ações. O governador Elmano de Freitas afirmou que confia na homologação dos resultados do leilão.
*Com informações do Governo do Ceará e Eneva
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