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Hub Ceará do Pecém terá usina térmica de R$ 6 bi e 1.147 MW da Eneva e Diamante

Projeto integra geração termelétrica e terminal de GNL no Pecém. Obras criam mais de 2 mil empregos e terminal abastecerá também a Termoceará da Petrobras a partir de 2028
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  1. Eneva e Diamante lançam projeto Jandaia
  2. Investimento de R$ 6 bilhões previsto
  3. Capacidade de 1.147 MW contratada
  4. Prazo contratual de 15 anos definido
  5. Terminal de GNL terá 14 milhões de metros cúbicos diários
Hub Ceará de Pecém terá usina térmica de R$ 6 bi e 1.147 MW da Eneva e Diamante
A pedra fundamental do projeto Jandaia, que marca o início da construção de uma nova usina térmica movida a gás natural no Complexo do Pecém, foi lançada na manhã desta terça-feira (9), com a presença do governador Elmano de Freitas. Foto: Tiago Stille/Casa Civil CE

A Eneva e a Diamante Geração de Energia lançaram nesta terça-feira (9) a pedra fundamental do Projeto Jandaia no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), no Ceará, dando início às obras das usinas termelétricas a gás natural UTE Jandaia II e UTE Jandaia III, que integram o Hub Ceará, projeto de aproximadamente R$ 6 bilhões com 1.147 MW de capacidade contratada e terminal de Gás Natural Liquefeito (GNL) de 14 milhões de metros cúbicos por dia. O empreendimento tem prazo contratual de 15 anos e contou com a presença do governador Elmano de Freitas na cerimônia realizada no auditório do Complexo do Pecém.

O modelo integrado do Hub Ceará combina geração e suprimento de gás em uma única estrutura coordenada, diferente de uma termelétrica convencional que depende de fornecimento externo de combustível. A integração entre as usinas e o terminal de GNL permite controle sobre toda a cadeia de suprimento, traz maior eficiência operacional e reduz a exposição a oscilações no mercado de gás ao longo dos 15 anos de contrato. O terminal portuário tem previsão de entrada em funcionamento em 2028, com a conclusão das obras e testes da térmica prevista para o primeiro semestre de 2029.

O Hub Ceará inclui a construção do Píer Zero, terminal portuário com investimento de R$ 430 milhões que receberá uma unidade flutuante de regaseificação (FSRU), responsável por converter o GNL importado em gás para abastecimento das usinas. A infraestrutura também permitirá o fornecimento de gás para outras plantas industriais, incluindo a UTE Termoceará, da Petrobras, e futuros empreendimentos. A expectativa é que o Complexo do Pecém se consolide como polo de distribuição de gás natural para todo o Nordeste.

Parceria consolidada no Pecém e geração de empregos

A parceria com a Diamante foi estruturada em março de 2026, quando a Eneva vendeu à empresa a UTE Porto do Pecém II, usina a carvão de 365 MW, por R$ 872,3 milhões e, em troca, obteve o termo de cessão de área para instalação do terminal de GNL no Complexo. Com a operação, a Diamante passa a controlar três usinas no Pecém. Os principais equipamentos críticos do Hub Ceará já foram contratados, o que, segundo a Eneva, reduz riscos de implementação e dá consistência ao cronograma.

O projeto deve gerar mais de 2.000 empregos diretos e indiretos, com 83% de contratação de mão de obra local, percentual registrado pela Eneva em suas demais unidades no estado. A companhia é uma das maiores operadoras térmicas do Brasil, com 7,2 GW de capacidade instalada distribuída no Maranhão, Ceará, Sergipe, Amazonas, Espírito Santo e Bahia, incluindo o Complexo Parnaíba (1,9 GW, maior termelétrica a gás do país) e o Hub Sergipe. No LRCAP 2026, a companhia saiu do certame com 5,2 GW de capacidade contratada, o maior volume de uma única empresa no leilão, em um pacote de R$ 18,2 bilhões em investimentos entre renovações e novos projetos.

Eneva e Diamante vencem leilão de reserva de capacidade para nova usina térmica de gás natural no Complexo do Pecém
Para dar suporte ao projeto, o Porto do Pecém ganhará um novo píer, chamado Píer Zero, com investimento de R$ 430 milhões. A estrutura será destinada ao transporte de gás natural. Foto: Ascom/Complexo do Pecém

Termelétrica e escoadouro do agronegócio

O diretor-executivo de Marketing, Comercialização de Gás e Energia e Novos Negócios da Eneva, Marcelo Lopes, ressaltou o papel estratégico das termelétricas na matriz elétrica nacional. “O Brasil é um país extremamente rico em fontes de energia. A gente tem bastante hidrelétrica, fontes renováveis como solar e eólica, mas a termelétrica tem um papel fundamental que é a segurança. Quando o vento não venta, quando o sol não brilha, quando a chuva não cai, você precisa de fontes despacháveis. E o projeto que a gente vai implementar aqui no Ceará é um projeto que tem esse condão, tem essa natureza”, afirmou.

O governador Elmano de Freitas destacou a dimensão logística do empreendimento para além da geração de energia. “Aqui, teremos um dos escoadouros do agronegócio no País. Vamos ligar o Centro-Oeste à Transnordestina, que se ligará ao Porto do Pecém, ao de Suape, ao da Bahia. Vamos pensar a logística do País. Tenho absoluta convicção de que estamos construindo degraus muito sólidos de uma nova economia do Ceará, que tenha a energia como um de seus fatores determinantes”, discursou. O governador também citou projetos complementares que reforçam o papel do Pecém como hub: a Ferrovia Transnordestina, o Terminal de Granéis Líquidos e Tancagem e o Terminal de Gás do Nordeste.

O presidente do Complexo do Pecém, Max Quintino, ressaltou a velocidade de avanço dos projetos no complexo. “Quando cheguei aqui há um ano e meio, vi o quanto o desafio era grande. Hoje, podemos ver o quanto as coisas avançaram, o quanto a gente tirou do papel coisas que eram projeto e agora estão acontecendo”, afirmou. A Eneva classifica o Hub Ceará como um dos principais investimentos privados em andamento no Ceará, com potencial de impulsionar a atração de novos empreendimentos industriais e reforçar o papel do estado como polo logístico, industrial e energético do Nordeste.

Contexto regulatório

O Hub Ceará integra a carteira de projetos contratados no Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP 2026), realizado em março de 2026, que contratou R$ 515,7 bilhões em capacidade com geradoras termelétricas de todo o país. A Eneva saiu do certame com 5,2 GW contratados, o maior volume de uma única empresa, em um pacote que inclui renovações de usinas já em operação no Maranhão e Espírito Santo e três novos projetos, entre eles o Hub Ceará.

O leilão foi suspenso na segunda-feira (9) por liminar do juiz federal Luis Praxedes Vieira da Silva, da 1ª Vara Federal do Ceará, que determinou a paralisação dos resultados até que a Justiça Federal do Distrito Federal analise as contestações ao certame. A Aneel informou que aguardará posicionamento da Advocacia-Geral da União (AGU) antes de definir as próximas ações. O governador Elmano de Freitas afirmou que confia na homologação dos resultados do leilão.

*Com informações do Governo do Ceará e Eneva

Leia mais: “Transnordestina até Suape é prioridade”, diz presidente da Infra S.A.

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