Alagoas Ambiental inicia operação de sua usina de biogás

Os investimentos na geração com biogás foram feitos através do FNE Verde, gerido pelo Banco do Nordeste

Compartilhe:

Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no facebook
Compartilhar no email
Alagoas Ambiental biogás
Usina de biogás do metano do lixo inaugurada em Alagoas/Foto: divulgação BNB

Entrou em funcionamento nesta quinta-feira (17), em Alagoas, a primeira usina no estado de geração de energia elétrica de biogás oriundo do metano – gás produzido no processo de decomposição do lixo.

O projeto da Alagoas Ambiental amplia a atuação do empreendimento, que já transforma o chorume em água limpa e a metralha em material nobre de construção civil.

A usina está implantada no Centro de Tratamento de Resíduos (CTR) Metropolitana, localizado no município de Pilar, e tem capacidade para gerar um megawatt/hora de energia, suficientes para suprir a rede elétrica de cinco mil unidades residenciais.

Alagoas Ambiental biogás
Tarcísio Neto à frente das tubulações que levam o gás metano ao gerador de energia/ Foto: Divulgação BNB

Os investimentos foram feitos através do FNE Verde, gerido pelo  Banco do Nordeste, uma linha do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste destinada a investimentos ambientalmente sustentáveis, para diversificar e modernizar negócios.

Biogás

De acordo com Tarcísio Neto, um dos administradores da Alagoas Ambiental, a energia elétrica produzida será lançada na rede de distribuição da Equatorial, permitindo descontos de até 12% na conta de quem utilizar a fonte do biogás. “Diferente do que ocorre com a energia solar, o usuário não precisa realizar nenhum investimento na aquisição de equipamentos. A energia será gerada na usina do CTR do Pilar e comercializada pelo sistema de compensação na rede da Equatorial. Para essa parte da comercialização, fizemos uma parceria com o Grupo Gera, que tem vasta experiência nessa área”, esclarece.

O gestor, que é neto do sócio presidente da empresa e idealizador do projeto, ressalta também o ganho ambiental que a usina proporcionará: são mais de 600 toneladas de CO² por ano que deixarão de ser lançadas no meio ambiente, colaborando para redução da emissão de gases responsáveis pelo efeito estufa e alterações climáticas. Em decorrência da diminuição desse poluente, a empresa pretende adquirir créditos de carbono, uma espécie de moeda de troca para quem reduz a emissão do gás carbônico na atmosfera, que pode ser comercializada com países que têm metas a cumprir, nessa seara ambiental. 

Sustentabilidade

A Alagoas Ambiental é pioneira também, no estado, na transformação do chorume produzido pela decomposição do lixo em água limpa. O processo ocorre nos CTRs de Craíbas (outra unidade da empresa) e de Pilar. As máquinas necessárias para isso são de tecnologia alemã e também foram adquiridas por meio do crédito verde do BNB.

Alagoas Ambiental biogás
Tarcísio Neto mostra a lagoa de água limpa oriunda do chorume/Foto: Divulgação BNB

“O Banco é nosso maior parceiro; a gente sonha junto e o Banco do Nordeste ajuda a realizar”, enfatiza Tarcísio. Ele fala, com orgulho, da história da empresa e do aspecto visionário do avô, que, quando teve a ideia de montar um empreendimento de tratamento de resíduos do lixo, nos idos de 2015, foi desacreditado por muitas pessoas. No entanto, a parir de 2018, com o fechamento dos lixões, seu projeto passou a ser uma das únicas opções de prefeituras e empresários para a destinação correta dos resíduos.

Atualmente, as duas unidades geram 160 empregos diretos e atendem 71 municípios alagoanos, além do setor produtivo privado, e recebem, juntas, cerca de 1.450 toneladas/dia de resíduos de todos os tipos, incluindo os oriundos da área de saúde, que precisam de especificidade maior de tratamento, como esterilização e incineração. Outro CTR está em construção na cidade de Delmiro Gouveia, com previsão de inauguração para esse ano ainda.

Ao mostrar a lagoa de água limpa, fruto da transformação do chorume, o neto do idealizador do projeto, repete uma frase inspirada no slogan da empresa: “transformamos lixo em vida”. E, de fato, são cerca de 200 m³/dia de chorume que, livre de impurezas, por meio de um processo chamado de osmose reversa, abastece uma lagoa de 9.000 m³ para criação de peixes.

O investimento em sustentabilidade não para por aí. Também com apoio do BNB, foi possível a construção de uma usina de reciclagem da construção civil, em que metralha se transforma em brita, de até sete granulações, areia, entre outros produtos que são reintroduzidos na cadeia produtiva.

A empresa possui ainda uma área destinada à educação ambiental, com horta, pomar, mudário, criação de pequenos animais e auditório para atendimento de escolas e cetros educacionais.

FNE Verde

Ano passado, no âmbito do FNE Verde, voltado para o desenvolvimento de empreendimentos e atividades econômicas que propiciem a preservação, conservação, controle e recuperação do meio ambiente, com foco na sustentabilidade e competitividade das empresas e cadeias produtivas, o Banco contratou, em Alagoas, R$ 36 milhões em 219 operações de crédito. Do total, R$ 6,4 milhões foram destinados à projetos de energia solar por pessoas físicas.

“Podemos considerar essa usina um marco para as ações empresariais que primam pela visão da sustentabilidade e responsabilidade socioambiental nos negócios. Produzir energia elétrica por meio do gás gerado pelo lixo estimula a cultura de uso da energia limpa, beneficia o meio ambiente, reduz custos de processos produtivos e mostra as vantagens da produção sustentável”, destaca o superintendente Estadual do BNB em Alagoas, Sidinei Reis.

Segundo Reis, tem crescido bastante os contratos realizados com o Banco, no Estado, para financiamentos com recursos do FNE Verde. Em 2021, o incremento foi de 78%, em relação a 2020. 

Leia também:

BNDES vai adquirir até R$ 10 milhões em créditos de carbono

Moedas locais se consolidam em AL e CE impulsionando economia circular

Alagoas renova isenção de ICMS sobre diesel para pescadores

Crédito do BNB para empreendimentos de saúde cresce 55% em Alagoas

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email

Mais Notícias

importação

Custo de armazenagem é o grande desafio dos portos

Atualmente, no Brasil, as cargas possuem um período de armazenagem sem custo, para trânsito destinado a outras áreas alfandegadas, justamente para suprir o tempo gasto com burocracias. Porém, esse tempo na maioria das vezes é ultrapassado, gerando um custo de armazenagem não previsto.

Leia mais »