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Gilmar Mendes reage a relatório da CPI e nega base legal para indiciamentos

​Ministro do STF classifica como "arbitrariedade" o pedido de indiciamento de magistrados por crime de responsabilidade feito pelo senador Alessandro Vieira
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Gilmar Mendes STF decisão impeachment ministros
Em manifestação nas redes sociais, Gilmar Mendes criticou duramente a postura do relator, sugerindo que o pedido ignora princípios básicos do ordenamento jurídico brasileiro. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

​O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rebateu publicamente nesta terça-feira (14) as conclusões do relatório final da CPI do Crime Organizado. O documento, elaborado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), sugere o indiciamento de três ministros da Corte e do procurador-geral da República por supostos crimes de responsabilidade. Para o decano do Supremo, a iniciativa carece de sustentação jurídica e extrapola as competências do colegiado.

​A reação ocorreu após a divulgação do texto de 221 páginas, que foca no caso do Banco Master para justificar os pedidos de indiciamento contra Mendes, Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Paulo Gonet.

O relator alega condutas como proferir julgamentos em casos de suspeição e agir de modo incompatível com o decoro das funções. No entanto, o ministro sustenta que uma CPI não possui prerrogativa para realizar tais atos contra membros do Judiciário.

Questionamentos sobre o papel das CPIs

Em manifestação nas redes sociais, Gilmar Mendes criticou duramente a postura do relator, sugerindo que o pedido ignora princípios básicos do ordenamento jurídico brasileiro. “O pedido do relator da CPI do Crime Organizado, voltado ao indiciamento de ministros do STF sem base legal, nos leva a uma reflexão sobre o papel e os poderes das CPIs”, afirmou o ministro, questionando a legitimidade do procedimento adotado pela comissão.

​Mendes argumentou que o relatório “flerta com a arbitrariedade” ao tentar transformar decisões jurisdicionais, como a concessão de habeas corpus, em atos criminosos. Segundo ele, o uso de instrumentos legais para conter abusos de poder não pode ser criminalizado por uma comissão parlamentar, sob risco de ferir a independência entre os Poderes.

Competência jurídica e Lei de Impeachment

Do ponto de vista técnico, o ministro explicou que o indiciamento é um ato que não se aplica ao contexto de crimes de responsabilidade. Gilmar Mendes destacou que esse tipo de infração é regido por uma legislação específica.

“É elementar, até mesmo para um estudante de Direito, que o indiciamento constitui ato privativo de delegado de polícia e não se aplica a crimes de responsabilidade”, ressaltou.

​Ele reforçou que a Lei de Impeachment (Lei 1.079/1950) define ritos próprios, que envolvem a Mesa Diretora do Senado, comissões especiais e o Plenário da Casa. Para o magistrado, o texto da lei não prevê, em momento algum, a atuação de uma CPI como etapa do processo de responsabilização de ministros do Supremo, o que tornaria o pedido do relator juridicamente nulo.

Acusação de “cortina de fumaça” política

​Além das questões técnicas, o decano do STF fez uma análise política sobre o desfecho da comissão. Ele avalia que o foco nos ministros do Supremo serve para desviar a atenção de falhas na investigação principal da CPI. Segundo Mendes, o colegiado teria se omitido em apurar a relação de agentes públicos com as milícias, objetivo central da instalação do inquérito parlamentar.

​“O relatório revela verdadeira cortina de fumaça, ao deixar de enfrentar o grave problema a que se propôs e ao dedicar-se a engrossar a espuma midiática contra o STF, na expectativa de produzir dividendos eleitorais para certos atores políticos”, escreveu o ministro. A declaração sugere que o movimento do senador Alessandro Vieira possui motivações voltadas para o cenário eleitoral, em detrimento da apuração técnica sobre o crime organizado.

Flávio Dino defende a atuação do Supremo

O ministro Flávio Dino, que não foi alvo dos pedidos da CPI, também se manifestou em defesa da instituição e de seus colegas de toga. Para Dino, existe um “imenso erro” na estratégia de eleger o Supremo Tribunal Federal como o principal entrave do país. Ele ressaltou que a Corte tem sido atuante em decisões que combatem diretamente as estruturas criminosas no território nacional.

​Dino criticou o fato de o relatório final não apresentar nomes que tenham ligação comprovada com facções e grandes esquemas de criminalidade. “É uma irresponsabilidade investigar o crime organizado e não tratar sobre milicianos, traficantes de drogas, vendedores de armas ilegais, garimpos ilegais, facções que controlam territórios, matadores e pistoleiros etc.”, disparou o ministro em suas redes sociais.

​Próximos passos no Senado

O relatório de Alessandro Vieira ainda aguarda votação no âmbito da CPI do Crime Organizado. A sessão para a análise do texto está prevista para a tarde desta terça-feira, podendo haver pedidos de vista que adiem a decisão final do colegiado. Caso aprovado, o documento segue para as autoridades competentes, embora os ministros do STF já sinalizem que a peça não terá validade para gerar processos formais de indiciamento.

Com informações da Agência Brasil.

Leia também: CPI do Crime revela como facções usam mercado financeiro para lavar bilhões

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