
Notícia atualizada às 14:19
A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (16) uma operação em Alagoas que cumpriu 38 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares. A ação, denominada Estágio IV apura desvios de recursos públicos e lavagem de dinheiro na Secretaria de Saúde de Alagoas (Sesau). O secretário de Saúde, Gustavo Pontes de Miranda, foi afastado do cargo por 180 dias e o governo criou uma comissão especial para acompanhar o caso.
Segundo nota divulgada pela PF, a investigação contou com o apoio da Controladoria Geral da União, Receita Federal e Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde e cumpriu mandados em Alagoas, Pernambuco e no Distrito Federal.
No início da tarde, a Polícia Federal atualizou os valores apreendidos durante o cumprimento dos mandados. Uma pessoa foi presa em flagrante e levada para a sede da PF em Maceió por posse de arma de fogo de uso restrito. Além disso, os policiais apreenderam nos endereços alvo da operação R$ 300 mil em joias, R$ 616 mil em espécie, US$ 24 mil e 4 mil euros.
As investigações apontam indícios de favorecimento em contratos emergenciais firmados pela Secretaria de Saúde (Sesau), entre os anos de 2023 e 2025, com uma empresa fornecedora de material hospitalar e uma construtora. Estas contratações, segundo a Polícia Federal, teriam gerado pagamentos de vantagens indevidas aos investigados, que somam o montante de quase R$ 100 milhões. Boa parte do recurso ainda se encontra em execução.
A Polícia Federal apura ainda o desvio de recursos públicos do Sistema Único de Saúde (SUS), por meio de ressarcimento superdimensionado de consultas e procedimentos médicos que não teriam ocorrido, que totalizam mais de R$ 18 milhões.

Os valores indevidos foram repassados pela Secretaria de Saúde de Alagoas entre setembro de 2023 e agosto de 2025. Apenas em ressarcimento de procedimentos de fisioterapia, foram pagos valores incompatíveis com a capacidade operacional de uma clínica privada, que também foi alvo das buscas e apreensões realizadas pela Polícia Federal em Maceió nas primeiras horas do dia.
PF detectou pagamentos irregulares e aquisição de pousada
Apesar de não ter revelado nomes dos investigados, a Polícia Federal informou em nota que pediu a suspensão do exercício de função pública de investigados pelo prazo de 180 dias, todas expedidas pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5).
Além dos valores repassados de forma irregular entre a Sesau de Alagoas e os investigados, a PF detectou nas investigações realizadas que parte desses recursos foi destinada a integrantes do grupo criminoso por meio de transferências bancárias, saques em espécie e pagamentos indiretos, o que os investigadores classificaram como “sofisticado esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial”.

A PF ainda indica que pessoas agiram como intermediários para dissimular a origem ilícita dos valores, sobretudo na aquisição de bens imóveis, transferindo dinheiro público eu deveria ser investido no sistema de saúde alagoano para contas bancárias dos investigados e pessoas a eles ligadas.
“O Inquérito Policial identificou ainda que imóveis adquiridos pelo grupo criminoso foram registrados em nome de interpostas pessoas, familiares e terceiros, como uma Pousada em Porto de Pedras (AL), em 2023, adquirida pelo valor de R$5,7 milhões. O montante foi pago por empresários beneficiados pelo esquema criminoso. Os valores também eram usados para custear viagens internacionais e gastos pessoais dos investigados”, diz um trecho da nota da Polícia Federal.

Além da sede da Secretaria de Saúde e de uma clínica de fisioterapia localizada no bairro do Farol, em Maceió, os policiais federais foram em outros imóveis, onde apreenderam expressiva quantidade de dinheiro em espécie, tanto em moeda nacional quanto estrangeira, além de duas armas de fogo.
Governo cria comissão e acata afastamento de secretário após operação da PF
Em nota, o governo de Alagoas informou que o governador Paulo Dantas acatou a determinação da Polícia Federal e afastou do cargo o secretário de Saúde, Gustavo Pontes de Miranda, pelo prazo de 180 dias.
O governador determinou ainda a criação de uma comissão especial composta pelo secretário-chefe do Gabinete Civil, pela Controladoria-Geral do Estado e pela Procuradoria-Geral do Estado, com a finalidade de acompanhar, colaborar e prestar todas as informações necessárias aos órgãos de investigação.

“O Governo de Alagoas reafirma que não compactua com qualquer tipo de irregularidade, especialmente quando envolve recursos públicos destinados à saúde, e que sua orientação é de colaboração total, transparente e irrestrita com a Polícia Federal, o Ministério Público e demais órgãos de controle e fiscalização”, diz um trecho da nota.
O Executivo Estadual também afirmou que todas as atividades da Secretaria de Estado da Saúde seguem funcionando normalmente, sem qualquer interrupção na prestação dos serviços à população. “O atendimento à saúde pública, em todas as unidades e programas, está plenamente mantido e continuará sendo acompanhado de forma rigorosa”, garante o governo.
“O foco do Governo do Estado permanece, acima de tudo, no cidadão. A defesa do Sistema Único de Saúde, o uso responsável dos recursos públicos e a garantia de atendimento de qualidade, cuidado humanizado, prevenção de doenças e preservação de vidas são prioridades absolutas desta gestão e não serão relativizadas sob nenhuma hipótese”, finaliza a nota.
Leia mais: Setor produtivo reage a pacote fiscal e pede diálogo sobre ICMS em Alagoas











