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CNI: juros e insumos derrubam pequena indústria ao nível da pandemia

Índice de Desempenho caiu para 43,7 pontos no primeiro trimestre. Falta de confiança da pequena indústria acumula 17 meses consecutivos e situação financeira atinge pior nível desde 2021, aponta CNI
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  1. Pequena indústria atinge pior desempenho desde pandemia com índice de 43,7 pontos em 2026.
  2. Juros elevados e custos de insumos pressionados por conflito no Oriente Médio reduzem margens de lucro.
  3. Situação financeira piora com índice em 39 pontos, pior resultado desde primeiro trimestre de 2021.
  4. Confiança empresarial cai para 44,6 pontos em abril, menor nível desde junho de 2020.
  5. Carga tributária, custos de matéria-prima e juros elevados emergem como principais desafios competitivos.
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Juros elevados dificultam o financiamento para a pequena indústria, que é considerada de maior risco pelos bancos. Foto: Gabriel Pinheiro/CNI

As indústrias de pequeno porte fecharam o primeiro trimestre de 2026 com o pior desempenho desde o segundo trimestre de 2020, quando o país enfrentava o auge da pandemia. O Índice de Desempenho medido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) no Panorama da Pequena Indústria registrou 43,7 pontos, queda de 1 ponto em relação ao mesmo período de 2025 e de 1,8 ponto frente ao trimestre anterior. O indicador acumula trajetória de queda desde o terceiro trimestre de 2025 e ficou acima apenas dos 34,1 pontos registrados no pior momento da pandemia.

O resultado reflete deterioração simultânea nos três componentes do índice: volume de produção, utilização da capacidade instalada e número de empregados. Segundo a analista Júlia Dias, da CNI, os juros elevados dificultam o financiamento para pequenas empresas, consideradas de maior risco pelos bancos, enquanto o aumento no custo de insumos e matérias-primas, pressionado pelo conflito no Oriente Médio, reduziu a margem de lucro do setor.

Situação financeira e confiança

A situação financeira das pequenas indústrias também piorou. O indicador caiu 2,5 pontos no primeiro trimestre e chegou a 39 pontos, o pior desempenho desde o primeiro trimestre de 2021, quando marcou 37,8 pontos. O índice reverte o avanço registrado nos dois trimestres anteriores e reflete deterioração simultânea na margem de lucro operacional, na satisfação com a situação financeira e na facilidade de acesso ao crédito.

A confiança do empresário industrial de pequeno porte segue o mesmo sentido. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) das pequenas empresas atingiu 44,6 pontos em abril de 2026, o menor nível desde junho de 2020, quando marcou 42 pontos em meio à pandemia. O indicador permanece abaixo da linha divisória de 50 pontos17 meses consecutivos, o que demonstra que a falta de confiança é intensa e disseminada no segmento. A média histórica do ICEI para pequenas empresas é de 52,2 pontos.

Problemas em destaque

A elevada carga tributária permanece como principal problema das pequenas indústrias, apontada por 39,6% das empresas de transformação e 42,2% das de construção, embora tenha perdido importância em relação ao trimestre anterior. A mudança mais significativa foi o avanço da preocupação com a falta ou alto custo da matéria-prima, que saltou da sexta para a segunda posição no ranking da transformação, com 34,1% das assinalações, alta de 14,1 pontos percentuais em um único trimestre. Na construção, o mesmo problema avançou da décima terceira para a quinta posição, atingindo 18,1% das respostas.

As taxas de juros elevadas ganharam destaque especialmente na indústria da construção, subindo da terceira para a segunda posição no ranking, com 37,1% das empresas apontando o problema — alta de 6,2 pontos percentuais frente ao quarto trimestre de 2025. Na transformação, os juros ocuparam a quarta posição, mencionados por 26,3% dos empresários.

Perspectivas da pequena indústria

O Índice de Perspectivas registrou 47,4 pontos em abril de 2026, em oscilação em torno de 47 pontos desde setembro de 2025, próximo à média histórica de 47,2 pontos. O resultado indica moderação nas expectativas das pequenas indústrias para os próximos seis meses, em linha com a deterioração da confiança no período. O documento foi concluído em 8 de maio de 2026 e é baseado na Sondagem Industrial, na Sondagem Indústria da Construção e no ICEI, publicações periódicas da CNI.

*Com informações da CNI e da Agência Brasil

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