
As indústrias de pequeno porte fecharam o primeiro trimestre de 2026 com o pior desempenho desde o segundo trimestre de 2020, quando o país enfrentava o auge da pandemia. O Índice de Desempenho medido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) no Panorama da Pequena Indústria registrou 43,7 pontos, queda de 1 ponto em relação ao mesmo período de 2025 e de 1,8 ponto frente ao trimestre anterior. O indicador acumula trajetória de queda desde o terceiro trimestre de 2025 e ficou acima apenas dos 34,1 pontos registrados no pior momento da pandemia.
O resultado reflete deterioração simultânea nos três componentes do índice: volume de produção, utilização da capacidade instalada e número de empregados. Segundo a analista Júlia Dias, da CNI, os juros elevados dificultam o financiamento para pequenas empresas, consideradas de maior risco pelos bancos, enquanto o aumento no custo de insumos e matérias-primas, pressionado pelo conflito no Oriente Médio, reduziu a margem de lucro do setor.
Situação financeira e confiança
A situação financeira das pequenas indústrias também piorou. O indicador caiu 2,5 pontos no primeiro trimestre e chegou a 39 pontos, o pior desempenho desde o primeiro trimestre de 2021, quando marcou 37,8 pontos. O índice reverte o avanço registrado nos dois trimestres anteriores e reflete deterioração simultânea na margem de lucro operacional, na satisfação com a situação financeira e na facilidade de acesso ao crédito.
A confiança do empresário industrial de pequeno porte segue o mesmo sentido. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) das pequenas empresas atingiu 44,6 pontos em abril de 2026, o menor nível desde junho de 2020, quando marcou 42 pontos em meio à pandemia. O indicador permanece abaixo da linha divisória de 50 pontos há 17 meses consecutivos, o que demonstra que a falta de confiança é intensa e disseminada no segmento. A média histórica do ICEI para pequenas empresas é de 52,2 pontos.
Problemas em destaque
A elevada carga tributária permanece como principal problema das pequenas indústrias, apontada por 39,6% das empresas de transformação e 42,2% das de construção, embora tenha perdido importância em relação ao trimestre anterior. A mudança mais significativa foi o avanço da preocupação com a falta ou alto custo da matéria-prima, que saltou da sexta para a segunda posição no ranking da transformação, com 34,1% das assinalações, alta de 14,1 pontos percentuais em um único trimestre. Na construção, o mesmo problema avançou da décima terceira para a quinta posição, atingindo 18,1% das respostas.
As taxas de juros elevadas ganharam destaque especialmente na indústria da construção, subindo da terceira para a segunda posição no ranking, com 37,1% das empresas apontando o problema — alta de 6,2 pontos percentuais frente ao quarto trimestre de 2025. Na transformação, os juros ocuparam a quarta posição, mencionados por 26,3% dos empresários.
Perspectivas da pequena indústria
O Índice de Perspectivas registrou 47,4 pontos em abril de 2026, em oscilação em torno de 47 pontos desde setembro de 2025, próximo à média histórica de 47,2 pontos. O resultado indica moderação nas expectativas das pequenas indústrias para os próximos seis meses, em linha com a deterioração da confiança no período. O documento foi concluído em 8 de maio de 2026 e é baseado na Sondagem Industrial, na Sondagem Indústria da Construção e no ICEI, publicações periódicas da CNI.
*Com informações da CNI e da Agência Brasil
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