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Frete 70% maior ameaça produção do Polo Gesseiro do Araripe

Sindusgesso pede ao Ministro dos Transportes redução para 40% do piso mínimo de frete e alerta para perda de competitividade do gesso do Araripe pernambucano
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O polo gesseiro do Araripe é prejudicado pelo alto custo de escoar a produção via caminhão. Foto: Fábio Monteiro.

O diretor regional da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Fábio Monteiro, afirma que o Polo Gesseiro do Araripe pode parar caso seja mantida a tabela do frete mínimo imposta pelas Resoluções da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em março último. Segundo ele, a medida elevou entre 70% e 80% o custo do frete para o Sudeste, principal mercado consumidor da produção regional, comprometendo severamente o escoamento da gipsita e do gesso.

O alerta foi formalizado em ofício encaminhado no dia 28 de abril de 2026 ao ministro dos Transportes, George Santoro, no dia 28 de abril de 2026, assinado pelo presidente do Sindicato da Indústria do Gesso de Pernambuco (Sindusgesso), Jorbeth Granja de Araújo. No documento, a entidade argumenta que a nova regulamentação agravou um cenário que já vinha sendo pressionado pela política de pisos mínimos de frete.

O frete é um dos vilões do setor que perde competividade, pois vende um produto de baixo valor agregado e sofre com a concorrência com produtos importados, como o gesso espanhol que chega mais barato em São Paulo do que o do Araripe por causa da logística.

O Araripe produz cerca de 80% da gipsita do Brasil e 95% do gesso em pó para a fabricação de pré-moldados e para a construção civil. O Araripe está localizado a cerca de 700 km do Recife. Uma das soluções logísticas que poderia deixar o gesso da região mais competitivo será a Ferrovia Transnordestina, cujo ramal que segue para o Porto de Pecém, no Ceará, deve estar funcionando em 2027.

O Sindusgesso enfatiza que a rigidez na contratação dos fretes desconsidera a dinâmica logística diferenciada do Araripe. “O frete que sai do Araripe chama-se de retorno. Geralmente, o caminhoneiro vem deixar alguma carga em Maceió, Fortaleza ou Recife. E depois, roda 700 km para pegar o gesso do Araripe posteriormente seguindo para os grandes capitais do Sudeste”, resume Fábio.

O Polo Gesseiro do Araripe tem uma população estimada em mais de 327 mil habitantes. O setor reúne centenas de empresas entre mineradoras, unidades de calcinação e indústrias de transformação.

Fábrica de gesso do Araripe que vai ser prejudicada com o aumento do preço do frete mínimo. Foto: Fábio Monteiro.

Frete pode contribuir para substituição do gesso do Araripe

Fábio diz que se esta regra do frete mínimo não for alterada o gesso vai ser substituído por cimento e argamassa estabilizada. “As grandes capitais têm fábricas destes produtos a, no máximo, 600 km de distância. E vai ficar mais barata a substituição”, comenta, acrescentando: não conseguimos ser competitivos com esta tabela.

Segundo o diretor, o frete de uma tonelada de gesso ou gipsita estava em, média, por R$ 330 antes da alteração do piso mínimo, saindo do Araripe para a área central de São Paulo. Com a modificação na tabela, a mesma quantidade passará a ser transportada por R$ 560, também na média, o que representa um aumento de 70%. “Ficou muito alto. Em algumas regiões este percentual chega a 80%”, atesta Fábio.

Diante desse cenário, o sindicato pediu ao Ministério dos Transportes apoio para construção, junto à ANTT, de um normativo específico e diferenciado que estabeleça a aplicação de percentual reduzido de 40% do piso mínimo de frete para os caminhoneiros ligados à cadeia produtiva do gesso quando o transporte tiver origem no Polo Gesseiro do Araripe.

A tabela do frete mínimo é reajustado, quando o diesel apresenta uma variação de preço superior a 5%. Entre 08 e 14 de março últimos, o preço médio do Diesel S10 ao consumidor apresentou uma variação de 13,32%, segundo informações da Agência Nacional do Petróleo (ANP). O combustível subiu como consequência da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

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