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Gás Verde avança com biometano e já negocia 60% da produção em PE

Planta será a primeira da Gás Verde no Nordeste e já tem mais de 60% da produção negociada para duas indústrias
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Planta da biometano que a empresa Gás Verde está construindo em Igarassu. Foto: Ecoparque Pernambuco/ Divulgação

A Gás Verde vai investir R$ 90,2 milhões na primeira planta de biometano da empresa no Nordeste, prevista para ser inaugurada no segundo semestre de 2026, em Igarassu, a 27 km do Recife (PE). A unidade está em construção. E a empresa pretende entregar o biometano por caminhões – também movidos a biometano – aos seus futuros clientes com emissão zero de carbono. A companhia ja faz isso em outras unidades nas quais produz este tipo de gás.

A unidade de Igarassu terá a capacidade de produzir 45.600 mil metros cúbicos de biometano por dia e já tem mais de 60% da futura produção comercializada, o que mostra a procura crescente de energia renovável por parte da indústria local. É a primeira fábrica da Gás Verde no Nordeste.

O biometano é um gás totalmente limpo e pode ser injetado na rede de gasodutos das distribuidoras, como por exemplo a da Copergás -, quando apresenta as mesmas propriedades do gás natural, exigidas pela Agência Nacional de Petróleo (ANP). Nas outras unidades em que fabrica o biometano, os grandes clientes da Gás Verde são empresas que desejam reduzir a emissão de carbono, como a L’Oreal, Ambev, entre outros.

“O biometano está focado nas empresas que têm meta de descarbonização”, diz a diretora de Comunicação da Gás Verde, Daniela Teixeira. O biometano que vai sair da fábrica de Igarassu poderá atender polos industriais num raio de 150 km, beneficiando empresas do Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca, Recife, Jaboatão dos Guararapes, Vitória, Paulista, Goiana e Belo Jardim. A entrega será feita em carretas movidas ao próprio biocombustível.

A vantagem de adquirir o gás diretamente ao fabricante é que as compradoras podem garantir que só estão usando combustível limpo. No Brasil, o biogás distribuído pela rede de gasodutos se mistura com o gás natural de origem fóssil e depois disso não pode ser considerado um gás verde.

Gás Verde-  no Rio de Janeiro
Planta da Gás Verde em Seropedica, no Rio de Janeiro, onde a empresa produz biometano e vai fabricar também o CO2 biogênico. Foto: Gás Verde/Divulgação

A planta da Gás Verde em Igarassu

A unidade da Gás Verde em Igarassu é financiada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), sendo R$ 72,2 milhões saíram do Fundo do Clima. No futuro, a planta de Igarassu também poderá fabricar o CO2 biogênico, que é usado pela indústria de gases ou como insumo para a fabricação de combustíveis verdes, como o e-metanol. O potencial de produção do CO2 biogênico é da unidade local é de 15 mil toneladas por ano ou 40 a 50 toneladas diárias.

A planta local da Gás Verde fica no Ecoparque Pernambuco, aterro sanitário que recebe entre 1.700 e 1.800 toneladas de resíduo por dia de 30 municípios pernambucanos. A matéria prima para a produção do biometano ou CO2 biogênico é o biogás gerado pela decomposição dos resíduos que contém: metano, CO2 e outras substâncias.

A Gás Verde comprou, há cerca de três anos, oito térmicas a biogás da empresa portuguesa ENC, incluindo a instalada em Igarassu. Todas as oito serão transformadas em fábricas de biometano.

A Gás Verde é a maior produtora de biometano da América Latina e opera duas plantas, uma em Seropédica, no Rio de Janeiro, e outra, em São Paulo. Juntas produzem cerca de 160 mil metros cúbicos por dia e abastecem indústrias como Ternium, Saint-Gobain, Haleon, Henkel, Vesuvius, Nestlé, Grupo L’Oréal no Brasil e Ambev.

Com o mercado em expansão, a Gás Verde planeja ampliar sua produção para 650 mil m³ por dia de biometano nos próximos 3 anos, com novas plantas em seis estados. Segundo Daniela, o biometano hoje já tem uma demanda maior do que a oferta e o consumoo deste gás tende a aumentar com a entrada em vigor das metas estabelecidas na Lei Combustível do Futuro em janeiro de 2026.

Para cumprir esta legislação, as produtoras, distribuidoras e importadoras de gás natural fóssil vão ter obrigação de acrescentar um percentual de biometano – que é totalmente verde – nos seus dutos. “Temos uma expectativa muito positiva, a lei vai criar uma demanda extra por biometano”, afirmou a executiva.

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