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Com R$ 2 bi e 1.061 km, Morro do Chapéu reforça escoamento renovável do NE

Linha de transmissão com 500 kV de 283 km entre Bahia e Espírito Santo entra em operação e fecha corredor do Morro do Chapéu para escoamento da energia renovável produzida no Nordeste
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A conclusão do empreendimento Morro do Chapéu amplia a segurança energética no Nordeste, criando condições para a expansão sustentável da matriz elétrica brasileira. Foto: Divulgação
A conclusão do empreendimento Morro do Chapéu amplia a segurança energética no Nordeste, criando condições para a expansão sustentável da matriz elétrica brasileira. Foto: Divulgação

Com a entrada em operação da Linha de Transmissão 500 kV Medeiros Neto II – João Neiva 2 C1, o extremo sul da Bahia deixou de ser ponto crítico de restrição no escoamento de energia renovável do Nordeste para o Sudeste. O trecho de 283 km e R$ 480 milhões conclui o Projeto Morro do Chapéu — R$ 2 bilhões em 1.061 km de linhas construídas pela Neoenergia sob concessão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), no âmbito do Leilão de Transmissão nº 1/2020, e integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).

A autorização para início da operação comercial foi emitida pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) em fevereiro deste ano, formalizando a entrada do ativo na malha do Sistema Interligado Nacional (SIN) após a série de testes realizados em março. O anúncio oficial foi feito pela Casa Civil do governo federal nesta segunda-feira (6).

O trecho interliga a subestação Medeiros Neto II, no extremo sul da Bahia, à subestação João Neiva 2, no Espírito Santo, completando o corredor que transporta energia produzida majoritariamente por fontes renováveis no interior baiano até os centros de carga do Sudeste. A obra adiciona capacidade de 300 MVA ao SIN, viabilizada pela nova subestação Medeiros Neto II (500/230 kV) e pelo compensador síncrono de -180/300 MVAr instalado na mesma unidade.

Estrutura do projeto e execução por etapas

O Projeto Morro do Chapéu foi arrematado pela Neoenergia em dezembro de 2020, no único leilão de transmissão realizado naquele ano pela Aneel, com deságio de 42,6% sobre a Receita Anual Permitida (RAP) máxima de R$ 278,2 milhões. A RAP contratada foi fixada em R$ 159,7 milhões. O certame reuniu 13 proponentes habilitados, com três chegando à fase de lances a viva voz: State Grid, Consórcio Saturno e Neoenergia.

O lote foi executado em cinco componentes. Os dois primeiros trechos, concluídos ao longo de 2024, cobrem o eixo baiano do corredor: a LT 500 kV Morro do Chapéu II – Poções III C1, com 359 km e 677 torres instaladas, e a LT 500 kV Poções III – Medeiros Neto II C1, com 329 km. Os trechos percorrem o interior da Bahia, cruzando zonas de alta densidade de geração eólica e solar.

Um quarto componente é a LT 230 kV Medeiros Neto II – Teixeira de Freitas II, com 59 km, que reforça o sistema de distribuição no sul do estado. Apenas no primeiro semestre de 2025, a Neoenergia investiu cerca de R$ 1,9 bilhão nas obras de todos os lotes de transmissão adquiridos em leilões.

Função estratégica para o escoamento renovável nordestino

O corredor estruturado pelo Projeto Morro do Chapéu responde a uma limitação operacional identificada pelo ONS: o crescimento acelerado da capacidade instalada de geração eólica e solar no interior baiano sem a correspondente expansão da malha de escoamento. Sem infraestrutura de transmissão adequada, a energia gerada fica sujeita a corte operacional — o chamado curtailment — quando a rede não suporta o fluxo produzido.

O Lote 2 do Leilão nº 1/2020 foi estruturado para ampliar esse fluxo de potência, reduzir riscos de instabilidade de tensão e eliminar rejeições de carga no extremo sul da Bahia em situações de contingência, segundo a nota técnica que fundamentou o edital da Aneel.

A entrada em operação do último trecho cria condição técnica para a conexão de novos projetos renováveis ao SIN na região — tanto usinas eólicas no semiárido baiano quanto complexos solares em expansão no oeste do estado. A subestação Medeiros Neto II, equipada com compensador síncrono, cumpre função adicional de estabilização de tensão em um ponto crítico da rede, onde o fluxo de potência proveniente do interior encontra o eixo de transmissão em direção ao Espírito Santo.

Concessão de 30 anos e contexto societário

O contrato de concessão assinado em março de 2021 tem prazo de 30 anos. A Neoenergia, cujo controle pertence ao grupo espanhol Iberdrola — que detém 83,8% do capital após adquirir a participação da Previ (Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil) por R$ 11,95 bilhões em setembro de 2025 e protocolou Oferta Pública de Aquisição (OPA) para os 16,2% remanescentes em março de 2026 —, opera distribuição em Pernambuco (Neoenergia Pernambuco), Bahia (Neoenergia Coelba), Rio Grande do Norte (Neoenergia Cosern) e Brasília (Neoenergia Brasília), além de ativos de geração e transmissão distribuídos pelo país.

A conclusão do Projeto Morro do Chapéu encerra o ciclo de investimentos em transmissão anunciado pela empresa, que incluía também os projetos Vale do Itajaí e Guanabara.

*Com informações da Agência Gov

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