
A empresa Axia, antiga Eletrobras, vai investir R$ 11 bilhões no Nordeste até 2030, segundo o diretor de Implantação da companhia, Marcelo Calvet. Os recursos serão empregados em iniciativas, que incluem melhorias na transmissão, implantação de novas linhas de transmissão, equipamentos que vão permitir escoar mais energia e a modernização de três hidrelétricas que são a: de Paulo Afonso, a de Luiz Gonzaga e a de Sobradinho, todas movidas pelas águas do São Francisco e que pertencem a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), marca substituída pelo nome Axia.
Dentro desse total, a construção de uma nova linha de transmissão com uma extensão de 1961 km que vai passar por Piauí, Ceará, Pernambuco, Alagoas e Bahia será o maior investimento no qual serão empregados R$ 5,8 bilhões. “A parte de engenharia já começou e a nossa expectativa é de que uma das licenças de instalação seja aprovada este mês”, conta Marcelo. Neste trecho, a obra deve começar em janeiro do próximo ano.
A linha de transmissão é um projeto grande e foi divido em pelo menos três grandes lotes. A parte da obra que começa em janeiro deve ser concluída no final de 2027. Tem uma parte que começa em junho de 2026. Toda as linhas de transmissão que fazem parte deste pacote devem ser concluídas até 2029.
No pico das obras, devem ser gerados, diretamente, 11.935 postos de trabalho. Estas linhas de transmissão foram leiloadas em 2024. Também faz parte do investimento a instalação de novas subestações de energia.
A implantação de novas linhas de transmissão e subestações vão ajudar a diminuir os cortes de geração que têm trazido prejuízo às geradoras de energia renovável, como eólicas e usinas solares. Os cortes determinam que as usinas renováveis gerem menos energia do que o planejado e isso diminui as receitas destas empresas.
O segundo maior investimento é a modernização das três hidrelétricas do São Francisco citadas acima (Paulo Afonso, Sobradinho e Luiz Gonzaga) no qual serão empregados R$ 3 bilhões. “Este é um investimento com projetos mais longos. Estes ativos vão ter uma melhor taxa de disponibilidade. Isso significa que eles vão gerar por mais tempo e ter uma vida mais longa”, resume Marcelo.
A modernização também envolve a instalação de grandes equipamentos. A modernização das usinas de Sobradinho e Paulo Afonso já começaram e estão do meio para o final. Já a atualização da hidrelétrica de Luiz Gonzaga vai começar este mês.

Investimentos em equipamentos síncronos
No leilão realizado em outubro deste ano, a Axia foi a vencedora para implantar três compensadores síncronos no Nordeste, sendo que dois deles serão instalados no Açu e um no município de João Câmara. Ambos ficam no Rio Grande do Norte e são locais com muitas eólicas instaladas no entorno. O investimento será de R$ 804 milhões.
A mobilização para a implantação dos equipamentos deve começar no final de 2026 e a obra de ve ser concluída até 2027. “Os três compensadores síncronos vão dar mais estabilidade ao sistema e melhorar o escoamento da energia produzida pelas eólicas e solares”, explica Marcelo.
A Axia também vem investindo em reforços e melhorias nas linhas de transmissão. “A finalidade é perpetuar estes ativos por mais tempo. A cada ano, vamos avaliando e protocolando novos investimentos”, comenta Marcelo. Em 2025, foi empregado quase R$ 1 bilhão nestas melhorias. Em 2026, serão R$ 800 milhões, em 2027, R$ 700 milhões e em 2028, R$ 745 milhões e R$ 12 milhões em 2029. Segundo Marcelo, estes investimentos vão permitir que estas linhas de transmissão sejam utilizadas por mais tempo.

Investimentos entre 2022 e 2025
A Axia divulgou, na semana passada, que investiu R$ 4,8 bilhões no Nordeste desde que ocorreu a privatização da empresa, em 2022. O Maranhão, Pernambuco e Bahia receberam, respectivamente, R$ 1,2 bilhão; R$ 900 milhões e R$ 800 milhões, totalizando R$ 2,9 bilhões, o que representou 60% do que foi empregado na região. Entre as obras realizadas, foram implantadas as subestações Suape III e Bongi, ambas na capital Recife; e as subestações de Imperatriz e Presidente Dutra, no Maranhão.
Maior empresa de energia renovável do Hemisfério Sul, a Axia Energia realizou
investimentos de R$ 17,4 bilhões, em todo o País, desde a privatização da empresa, em junho de 2022, quando se chamava Eletrobras. No Brasil, R$ 12,2 bilhões, ou 70% do total de recursos, foram direcionados aos reforços e melhorias em obras de grande e médio portes, com substituição de equipamentos em fim de vida útil, ou obsoletos ou cuja capacidade foi superada por causa do crescimento da demanda de energia.
Desde a privatização, a Axia Energia arrematou 10 concessões (seis lotes e quatro sublotes) nos leilões de transmissão promovidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Estes empreendimentos vão somar investimentos de R$ 8,4 bilhões e uma parte destas obras ja está em andamento como foi citado acima.
A Axia Energia responde por 17% da capacidade de geração nacional e 37% do
total de linhas de transmissão do Sistema Interligado Nacional (SIN). Na geração, a companhia
tem 81 usinas, sendo 47 hídricas, 33 eólicas e uma solar.
No Nordeste, a Axia Energia opera o Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso e o
reservatório de Sobradinho, ambos na Bahia, instalados na bacia do Rio São Francisco,
além de dos parques eólicos de Casa Nova e de Pindaí, também no estado baiano, além
de mais de 22 mil km de linhas de transmissão que passam pelos nove estados da região.
*Com informações da Eletrobras
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