
A fonte térmica foi a que mais implantou novas usinas de geração, de janeiro a novembro deste ano, quando ocorreu uma expansão de 6.751,03 megawatts (MW) do sistema elétrico. Neste período, entraram em operação 118 novas usinas, incluindo 13 termelétricas, que totalizaram 2.493,05 MW; 53 centrais solares fotovoltaicas que acrescentaram 2.464,04 MW e 37 eólicas somando 1.537,90 MW. A diferença entre a expansão das térmicas e solares é pequena, mas mostra que há uma desaceleração na implantação das usinas de energia renováveis no País, que lideraram, nos últimos anos, a expansão do setor elétrico.
Além das fontes já citadas, também foram implantadas 11 pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) com uma capacidade instalada de 199,3 MW, uma usina hidrelétrica com potência de 50,00 MW e uma central geradora hidrelétrica com 6,70 MW.
Segundo o diretor-geral da Volts Robotics, Donato Filho, a liderança da fonte térmica este ano foi impulsionada pela entrada em operação da termelétrica Gás Natural Açu 2 (GNA2), que adicionou mais de 1.600 MW ao sistema. Instalada no Porto do Açu – no Rio de Janeiro-, a termelétrica usa uma tecnologia super moderna, está conectada aos terminais de GNL existentes no local e foi feita com uma tecnologia que aproveita muito o calor, a queima do gás. A térmica a gás natural fóssil é menos poluente do que a que usa diesel.
O especialista não vê o aumento da expansão térmica, este ano, como um problema por acreditar que a entrada em operação desta térmica dá estabilidade ao sistema elétrico. “O Brasil precisa, em algumas localidades estratégicas, ter termelétricas para trazer inércia para o sistema”, diz Donato. Isso significa trazer mais equilíbrio.
Ainda de acordo com Donato, a expansão das eólicas e solares desacelerou devido ao curtailment, conhecido como corte de geração. “Enquanto a questão do curtailment não for decidida, não tiver um equacionamento, e os cortes continuarem a crescer como têm crescido, os investidores realmente estão suspendendo todos os investimentos em projetos solares e eólicos”, afirma acrescentando que a atual situação “é de alerta devido à insegurança jurídica, regulatória e operativa das renováveis”.
A desaceleração da expansão das renováveis prejudica principalmente os Estados do Nordeste que já passaram a receber menos investimentos para implantação de usinas solares e eólicas. Os cortes de geração já fizeram as empresas de energia renováveis perderem R$ 5,4 bilhões entre janeiro e outubro deste ano. Deste total, R$ 1 bilhão foi a perda de receita destas empresa em outubro.
Os cortes de geração são determinados pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) e mandam as usinas solares e eólicas produzirem menos do que o previsto ou por falta de linhas de transmissão para escoar a energia ou por excesso de geração num determinado horário, como por exemplo pela manhã, quando a geração distribuída (GD) – como os pequenos sistemas de geração solar instalados em telhados – produzem mais energia.
Rio de Janeiro liderou a expansão por causa da térmica do Açu
Em novembro, todas as novas usinas que entraram em operação comercial eram solares fotovoltaicas, somando 186,22 MW, sendo quatro em Minas Gerais (176,40 MW) e uma no Ceará (9,82 MW).
De janeiro a novembro de 2025, 17 estados receberam novas usinas, com destaque para Rio de Janeiro (1.672,60 MW) com a implantação da termica do Açú. Depois, vieram Minas Gerais (1.214,75 MW) e Bahia (1.011,70 MW). Enquanto as renováveis estavam puxando a ampliação do setor, os Estados que mais ampliavam a capacidade instalada eram os do Nordeste.
Em 1º de dezembro, o Brasil acumulava 215.576,6 MW de potência fiscalizada, sendo 84,45% de fontes renováveis, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
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