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Chesf: nome que iluminou o Nordeste por sete décadas se apaga

Presente no Nordeste há mais de sete décadas, a marca Chesf deixará de existir. A empresa vai passar a se chamar Axia Energia
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Chesf
O nome Chesf será retirado para ser substituído por Axia Energia. Foto: Twitter/Chesf.

Depois de 76 anos, a marca  Chesf, – sinônimo de geração de energia e desenvolvimento -, vai desaparecer, no máximo até a próxima semana. A dona da Chesf, a Eletrobras passou a ser chamar Axia Energia desde a última terça-feira (22). As subsidiárias da holding, como a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) passará a se chamar Axia Energia “sem submarcas como atualmente”, de acordo com um comunicado da antiga Eletrobras ao mercado.

A placa com o nome Axia Energia já está na sede da Chesf no Recife e deve ser fixada, no máximo, até a próxima semana. Ela vai substituir o nome Eletrobras-Chesf, que passou a ser utilizado em 2010, quando começou um processo de centralização das decisões na Eletrobras.

Ainda de acordo com a Axia Energia, a personalidade jurídica, ou seja, o CNPJ de cada subsidiária permanece, exceto Furnas, a qual foi incorporada à holding desde 2023. Também serão respeitados todos os contratos em vigor.

A Chesf foi constituída em 1948. Para entender a importância da marca, é importante lembrar como era o Nordeste, quando Paulo Afonso I entrou em operação, em 1955. Na época, a energia era produzida por térmicas e o abastecimento ocorria de forma precária, chegando apenas as capitais da região e alguns centros urbanos próximos. As fábricas têxteis e usinas açucareiras tinham seus próprios sistemas de geração.

Com a inauguração de Paulo Afonso I, o Nordeste passou a ter um bem fundamental para o desenvolvimento: energia. Eram 28 localidades que recebiam energia. A classe média nordestina começou a comprar mais eletrodomésticos. E as empresas passaram a implantar mais fábricas na região. Ou seja, a Chesf escreveu um capítulo de desenvolvimento em todo o Nordeste. 

A Chesf foi implementando novas usinas hidrelétricas. Quinze anos depois de Paulo Afonso I, a energia da Chesf chegava a 1322 localidades em todos os estados com exceção do Maranhão, segundo o livro Chesf – 70 anos de história, lançado pela companhia em 2018.

A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) teve papel essencial na formação e integração do sistema elétrico nacional e na formou gerações de engenheiros do setor que hoje atuam em várias empresas da área.

Em 1981, a empresa deu um passo importante ao inaugurar uma linha de alta tensão de 1.000 quilômetros, ligando Sobradinho, na Bahia, a Imperatriz, no Maranhão. Essa conexão permitiu o intercâmbio de energia com a Eletronorte e fortaleceu o abastecimento do Nordeste.

Durante décadas, a Chesf foi uma das empresas mais rentáveis do antigo sistema Eletrobras. No entanto, em 2012, no governo da presidente Dilma Rousseff, a companhia sofreu um duro impacto com a adoção do sistema de cotas previsto na MP 579 que depois se transformou na lei federal 12.783, conhecida como as torres gêmeas do setor elétrico.

Com essa lei, a Chesf passou a vender parte significativa de sua energia dentro de cotas, recebendo apenas uma taxa de manutenção. Como consequência disso, as receitas despencaram, comprometendo investimentos e a a sustentabilidade financeira da companhia que cortou gastos. Na época, o governo federal queria diminuir o preço da conta de energia, mas faltou combinar com São Pedro. Não choveu e a conta de luz aumentou.

Mesmo com essa dificuldade, a Chesf resistiu a várias tentativas de privatização, sustentada pelo apoio de políticos – dos mais diversos partidos – do Nordeste. Essa resistência durou até 2022, quando, no governo de Jair Bolsonaro, foi aprovada a venda das ações da companhia. A partir daí, a Chesf passou a atuar como empresa privada, encerrando um ciclo histórico de mais de sete décadas como estatal. Até hoje, o governo federal, junto com vários órgãos federais, é o acionista majoritário da companhia.

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A Usina de Sobradinho, da Chesf, tem um dos maiores reservatórios de água da região. Foto:Agência Brasil.

Eletrobras Chesf

Desde que passou a se chamar Eletrobras Chesf, a estatal regional foi perdendo poder de decisão, ficando mais dependente das decisões da holding Eletrobras. A marca Chesf patrocinou de esportes a grandes eventos artísticos na região. A empresa também tem um robusto programa de P & D.

A Chesf tem 12 usinas hidrelétricas, 14 usinas eólicas e três usinas solares, de acordo com o portal da companhia. A potencia instalada de todas as hidrelétricas é de 10,2 gigawatts (GW), segundo informações do site da companhia do dia 31 de dezembro de 2022.

A empresa vai continuar com todos os seus empreendimentos, como as geradoras e linhas de transmissão, mas se desfazer de uma marca tão cara aos nordestinos, é apagar uma das principais marcas da região.

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