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Regras da Aneel sobre baterias animam o setor de renováveis

A Aneel publicou algumas regras no uso de baterias nas centrais geradoras centralizadas, como as eólicas e solares. Isso pode diminuir os cortes de geração que atingem o setor
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armazenamento em baterias
O armazenamento em baterias pode diminuir os cortes de geração das usinas eólicas e solares. Foto: koiguo | Getty Images

A publicação pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de regras para o armazenamento de energia em baterias foi visto como um fato positivo que pode diminuir as perdas de receita das geradoras eólicas e usinas centralizadas de energia solar, segundo executivos do setor, podendo até trazer um novo ciclo de investimentos. O Nordeste concentra grande parte das eólicas instaladas no País. E o armazenamento pode diminuir os cortes de geração que têm trazidos prejuízos às geradoras de energia renovável da região.

O armazenamento vai permitir que a energia produzida em momentos de baixa demanda, como a manhã ou madrugada, seja armazenada e liberada nos horários de pico de consumo, que ocorrem no final da tarde. Por isso, os executivos dizem que o uso das baterias tem potencial para reduzir desperdícios e evitar perdas bilionárias provocadas pelos cortes de geração (curtailment) que afetam o setor de renováveis, especialmente no Nordeste.

Segundo o diretor de Novos Negócios da a Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica), Marcelo Cabral, as orientações da Aneel sobre o Sistema de Armazenamento de Energia (SAE) com centrais geradoras representam “um passo importante para a modernização e segurança do setor elétrico”. Ele ressalta que as regras trazem um avanço regulatório num momento estratégico, em que o país precisa equilibrar a expansão das fontes renováveis com a estabilidade e a confiabilidade da rede.

“Esses sistemas armazenam energia em períodos de baixa demanda e liberam quando o consumo aumenta. Isso reduz desperdício e torna o uso da energia mais eficiente”, explica Cabral. Ele argumenta também que para as energias renováveis continuarem crescendo precisam ter um sistema de armazenamento preparado. “Isso pode abrir caminho para um novo ciclo de investimento no setor”, diz.

A mesma argumentação é adotada pelo coordenador do Grupo de Trabalho de Armazenamento da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSolar), Rafael Moura, que cita a publicação das regras pela Aneel como “uma sinalização positiva para o setor”, embora ainda não seja “uma regulamentação definitiva”.

Moura destaca que o armazenamento tem um papel central para enfrentar os cortes de geração. Eles ocorrem, por alguns motivos, incluindo falta de linhas de transmissão para receber a energia produzida e também quando a geração está maior do que o consumo. “Com as baterias, é possível armazenar essa energia, que seria cortada e despachar mais tarde, quando o sistema precisa de suporte. Isso significa menos perdas e uma operação mais eficiente”, afirmou.

O especialista lembra que já existem projetos-piloto sendo avaliados pela Aneel. “Ainda falta avançar na regulamentação total do armazenamento, que será um dos pilares da transição energética no país”, comenta Moura. Ele acredita que a regulamentação do uso das baterias vai trazer segurança jurídica e até novas fontes de receita ao setor.

A Aneel publicou algumas regras indicando os documentos que as usinas já em operação podem apresentar, caso queiram instalar sistemas de armazenamento em baterias.

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As usinas eólicas e solares estão sofrendo com os cortes de geração desde 2023. Foto: MME/Divulgação

Consequências dos cortes de geração

O armazenamento em baterias ganha mais relevância diante das perdas de receita que as energias renováveis enfrenta. Entre janeiro e setembro deste ano, os cortes de geração causaram prejuízos de R$ 4,2 bilhões às empresas do setor, segundo a consultoria Volts Robotics. Apenas em setembro, os cortes somaram 6.788 megawatts médios, alta de 14% em relação a agosto — o equivalente a quase metade da garantia física anual da Usina de Belo Monte, no Pará.

Os estados mais afetados foram Minas Gerais (28%), Ceará (25%), Rio Grande do Norte (20%), Bahia (19%) e Pernambuco (17%).

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