
Dois lotes do Leilão de Transmissão nº 4/2025, o único a ser realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) neste ano, com leilão previsto para o dia 31 de outubro na sede da B3, em São Paulo, contemplam o Nordeste. Juntos, os lotes 2 e 11 destinam R$ 1,127 bilhão a obras de expansão e reforço da rede elétrica em cinco estados da região, com impacto direto na integração da geração renovável e na estabilidade do sistema.
A versão preliminar do edital foi aprovada pela diretoria da Aneel nesta terça-feira (24) e enviada ao Tribunal de Contas da União (TCU). A publicação definitiva está prevista até setembro. Parte dos lotes — incluindo os de número 1B, 7, 8, 9 e 10 — depende da conclusão de processos de caducidade de contratos firmados anteriormente com a empresa MEZ Energia, por descumprimento de prazos em leilões anteriores. Os lotes do Nordeste não estão sujeitos a essa condição e já integram a programação oficial do leilão.
Com investimento total estimado em R$ 7,96 bilhões, o Leilão nº 4/2025 prevê a construção de 1.178 km de novas linhas de transmissão, 4.400 MVA em capacidade de transformação, sete compensações síncronas e um controle automático rápido de reativos. Os empreendimentos estão distribuídos por 13 estados e devem gerar 18.839 empregos diretos e indiretos, com prazos de execução que variam entre 42 e 60 meses.

Características dos lotes no Nordeste
O Lote 2, com investimento estimado de R$ 757,7 milhões e prazo de execução de 54 meses, abrange a implantação de 334 km de linhas de transmissão em 500 kV e 230 kV nos estados da Paraíba, Pernambuco, Maranhão e Piauí. Os principais trechos incluem a LT Santa Luzia II – Bom Nome II (PB/PE), com 228 km, além de interligações entre subestações de Caxias II, Teresina II e Teresina III. A função central do empreendimento é viabilizar o escoamento da geração eólica e solar no Leste do Nordeste, além de atender à demanda crescente das regiões leste do Maranhão e centro-norte do Piauí.
No Rio Grande do Norte, o Lote 11 prevê a instalação de compensadores síncronos nas subestações Açu III e João Câmara III, com orçamento de R$ 370,1 milhões e prazo de 42 meses. Os equipamentos são essenciais para manter a estabilidade de tensão em um dos principais polos de geração eólica do país, reduzindo riscos operacionais e fortalecendo a confiabilidade do fornecimento local.
Leilão de transmissão como instrumento de segurança energética
Além de promover a expansão regional, o Leilão nº 4/2025 integra uma política estrutural do setor elétrico voltada à segurança energética nacional. Ao atrair capital privado para a construção e modernização da infraestrutura de transmissão, esses certames garantem a continuidade e a qualidade do fornecimento de energia em todas as regiões do país.
A integração de novas linhas e subestações amplia a capacidade de transformação e o controle do sistema elétrico, elemento fundamental para conectar usinas eólicas e solares — frequentemente distantes dos centros de consumo — à malha do Sistema Interligado Nacional (SIN). Isso evita gargalos, reduz perdas técnicas e aumenta a confiabilidade da rede.
Além disso, os leilões asseguram a contratação periódica de concessionárias responsáveis pela operação e manutenção das linhas, reduzindo o risco de interrupções e apagões. A possibilidade futura de inclusão de tecnologias de armazenamento e uso estratégico de usinas hidrelétricas como reservas operacionais tende a reforçar ainda mais a flexibilidade e a resiliência do sistema.
Leia mais: Castanha de caju é usada em inovação sustentável para siderurgia










